“Quero ficar na história de Goiânia”

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ENTREVISTA / VANDERLAN CARDOSO. Paulo José

Nesta que é a sua quinta disputa eleitoral, o empresário Vanderlan Cardoso, ex-prefeito de Senador Canedo, está certo de que levará a briga pela Prefeitura de Goiânia para o segundo turno. E mais, hoje na vice-liderança das pesquisas, o candidato do PSB acredita que ao final do primeiro turno estará bem próximo ou mesmo à frente do seu principal adversário, Iris Rezende, do PMDB. Com uma aliança que envolve 13 partidos e o apoio do governo estadual, Vanderlan Cardoso conseguiu uma coalizão jamais alcançada em suas eleições anteriores. Aos 53 anos, o empresário se orgulha de ter administrado Senador Canedo. Natural de Iporá, há 226 quilômestros de Goiânia, Cardoso é tido como gestor moderno e está entre os candidatos que têm menor rejeição, o que o torna o adversário mais temido pelos peemedebistas em eventual segundo turno. Vanderlan Cardoso esteve na Tribuna do Planalto na última quinta-feira, 8, quando falou de seus projetos e do desejo de fazer história administrando Goiânia.

Daniela Martins, Marcione Barreira e Ronaldo Coelho


Tribuna do Planalto – O sr. já foi prefeito de Senador Canedo, cidade próxima da Capital. Por que o sr. quer ser prefeito de Goiânia?
Em primeiro lugar, porque gosto de desafios! Ser prefeito da capital é um desafio para qualquer político, qualquer pessoa que se dispõe a fazer a diferença. Quero fazer a diferença. Quero ficar para a história de Goiânia, como fiquei para a história de Senador Canedo, como o melhor gestor de sua história. Esse é o meu desafio.
Como está sendo a receptividade nas ruas como candidato a prefeito?
Muito boa. Por onde a gente tem passado, gravando programas ou fazendo as nossas caminhadas, tem sido excelente. Cada dia que passa, com a apresentação de nossas propostas através do horário eleitoral, nosso projeto tem sido bem aceito pela população, compreendido, o que é o mais importante. Com isso, a gente vai se tornando mais conhecido e também ganha mais votos com a nossa população.
O sr. é o candidato que hoje, de certa forma, está ligado à base do governador Marconi Perillo (PSDB). Na sua opinião, essa aliança com o governo do Estado tem ajudado a alavancar a sua candidatura?
Todo apoio que nós recebemos ajuda na nossa campanha. E não tem sido diferente, inclusive com a indicação do nosso vice Thiago Albernaz, do PSDB, partido do governador. Alguns partidos que vieram da base do governo também têm nos ajudado, têm contribuído bastante.

Há uma integração política, um engajamento desses partidos da base na sua campanha?
Sim. Alguns se engajam mais e outros menos, mas eu estou notando uma animação com relação ao pessoal que veio nos apoiar. Tanto é que, dia 14 agora, teremos um grande encontro dos partidos que estão nos apoiando, inclusive, partidos da base que compõem o governo do Estado.


“Não mudei minhas ideias nem minhas posições para ter o apoio do governo”

O sr. sempre foi um candidato independente e já fez várias críticas pontuais a esta gestão. As pessoas falam que hoje há um desconforto depois dessa junção do seu grupo político com o grupo político do governador Marconi Perillo nessa campanha. Está tendo um desconforto mesmo ou isso já foi superado?
Desconforto nenhum. Essa eleição é completamente diferente da eleição para governo do Estado. É uma eleição municipal e nós recebemos o apoio. Eu não mudei as minhas ideias, nem foi colocado para nós que para ter o apoio do governo, teríamos de mudar algumas posições nossas. Não mudamos nada nem foi pedido para nós que fizéssemos mudanças. Por exemplo, com relação à implantação pelo Estado de OSs, nós não defendemos. Vamos estar com o mesmo projeto que tínhamos para Goiânia. Eu fiz uma das melhores gestões no município que governei e os mesmos projetos que foram implantados lá serão implantados em Goiânia.

O sr. administrou Senador Canedo, uma cidade que hoje convive com muitos problemas de abastecimento de água, que lá é um serviço municipalizado. Na época de sua gestão, parece que o problema era menor. Em relação a Goiânia, qual é opinião do sr., o que o senhor pretende fazer em relação a Saneago?
Nós temos que saber diferenciar. O município de Senador Canedo tinha problema gravíssimo de água. Nós resolvemos e deixamos muitas obras para o abastecimento. Essas obras foram interrompidas ou estão a passos lentos. Em Goiânia, o sistema de abastecimento é gerido pela Saneago e aqui é completamente diferente. Agora, a Prefeitura de Goiânia renovou a concessão por mais 30 anos e já com novas cláusulas, inclusive, de ter uma Agência Reguladora, assim a cidade de Goiânia vai participar dessa regulação. Contrato não se quebra. Eu não sou, nem vou ser louco de, em época de eleição, dizer que vou interromper contrato. Sairia um custo muito alto para a cidade de Goiânia como foi e está sendo para Catalão que retomou a concessão via judicial e hoje tem uma dívida milionária para pagar. O contrato tem que ser obedecido e as obrigações terão de ser cumpridas. O que eu defendo para Goiânia é que a cidade tenha uma participação nesses lucros e que tais recursos sejam investidos em educação, saúde, esporte, lazer e para a abertura de mais vagas nas creches. É o que defendo e vou trabalhar para que isso aconteça.


“Falta comprometimento com a população”

Quais são as propostas, de forma objetiva, para a mobilidade em Goiânia?
Estamos dividindo a mobilidade em várias frentes. Vamos dividir Goiânia em oito regiões, pois não tem mais como administrar a capital simplesmente como uma regional. Em cada região, vamos ter distritos industriais e pólos de diversos segmentos. Com isso, vamos firmar as pessoas em cada região, reduzindo o uso do transporte coletivo e o deslocamento de veículos dessas regiões para a região central. Isso já vai trabalhar a questão da mobilidade. Vamos construir os terminais. A prefeitura tem que fazer a sua parte. Se deixar a construção de terminais para as empresas, elas que vão dizer onde vão colocar a linhas. Se a prefeitura constrói,  ela vai definir as linhas de ônibus. As faixas exclusivas para os ônibus têm de ser intensificadas, sendo feito um estudo bem detalhado, ouvindo a população e comerciantes. Vamos buscar parcerias com o governo do Estado e governo Federal, para que sejam construídos mais viadutos, trincheiras. Vamos melhorar a sinalização e investir na educação. Vamos promover a extensão do BRT para outras regiões.

Dentro do seu programa de governo, o que o sr gostaria de destacar na área de saúde?
Fizemos uma das melhores gestões da saúde no Brasil através de um investimento maciço do Programa Saúde da Família, que é tratar o problema da saúde no início. Faremos isso em Goiânia e, ao dividir a cidade em regionais, vamos ter um centro em cada regional para atender a população, equipar melhor e ter mais profissionais qualificados nos Cais e nas UPAs.

Um dos grandes problemas é a falta de medicamentos e médicos nessas unidades…
Com relação aos medicamentos, temos o Programa Remédio em Casa, que é um projeto que teve um sucesso muito grande (em Senador Canedo) e nós vamos implantá-lo aqui. Vamos levar esse medicamento na casa da pessoa e assim vamos melhorar o transporte coletivo, reduzindo o deslocamento dos pacientes na busca por remédicos.

Tem recurso para isso?
O que falta mais é gestão. Nós temos mais de 1000 médicos da rede municipal de saúde. Só que esses profissionais estão sem liderança. Eles estão trabalhando sem um planejamento adequado. Falta gestão em todas as áreas. Na saúde não é diferente. Quando nós fizermos a parceria com a iniciativa privada, esses hospitais, que estão com dificuldade financeira, vão passar a funcionar melhor. Então, não é simplesmente que está faltando médico, não. Faltam gerência, gestão, ação e falta compromisso com a população.


“Não vou fugir à responsabilidade de resolver o problema da segurança”

Como o sr. pretende ajudar na melhoria da segurança pública em Goiânia?
Primeiro, vamos fazer a segurança preventiva em Goiânia, que é aquela primária. Investiremos em pólos de desenvolvimento, distritos industriais, no esporte, educação, cultura, saúde, na iluminação pública. Tudo isso é investimento na segurança primária. Agora, para melhorar mesmo, é preciso colocar em prática aquilo que chamamos de segurança em parceria. O governo do Estado sozinho não resolve. O município também não. Temos que ter uma guarda municipal bem equipada, bem treinada, trabalhando  em conjunto com a polícia militar e o judiciário participando. Precisamos do fortalecimento dos conselhos e da polícia civil. Tudo isso ajuda. Nós vamos ter, entre polícia civil, polícia militar, guarda municipal, Amma e SMT, mais de 4 mil homens. Se trabalharmos em conjunto, nós temos como resolver o problema da violência em Goiânia. Mas eu não vou, sendo eleito o chefe maior no município, fugir à responsabilidade de resolver o problema da segurança da nossa capital.

O que o sr. pretende fazer como prefeito nessa área de educação básica envolvendo os Cmeis e o ensino fundamental?
A construção de novos Cmeis é um projeto de médio e longo prazos. Hoje já temos alguns construídos e alguns parados por algum problema ou outro. O problema já existe. Ele não é para hoje, é para ontem. Vamos intensificar as parcerias com as entidades filantrópicas que trabalham nessa área. Queremos resolver a curtíssimos prazo essa demanda de 15 a 20 mil crianças que estão fora dos Cmeis. Temos também um projeto, que foi pioneiro no Brasil em 2005, que é o de Cmeis que não fecham em período de férias. Nós vamos colocar os Cmeis funcionando os doze meses do ano. Quando for no período de férias, vamos contratar trabalhadores temporários para cuidar dessas crianças. Nessa área de eduação, há o projeto Família na Escola, que foi inclusive premiado. Existem pessoas que querem estudar e não têm com quem deixar os filhos. Com o Família na Escola, essas pessoas vão poder levar seus filhos para a escola e, enquanto estudam, suas crianças vão ser cuidadas. Agora, com relação aos profissionais da educação, o que eles mais pedem é que os seus direitos sejam respeitados. Na minha gestão, esses direitos serão respeitados. Esse é o nosso compromisso com os profissionais, com a educação e com a população. Também temos o projeto de iniciação esportiva, que é uma parceria do esporte, educação e também cultura, em que o aluno vai ter de escolher uma modalidade esportiva ou cultural no período em que estiver fora da sala de aula.

O sr. já falou no começo da entrevista algo sobre esse assunto. Como gerar emprego e renda, já que nos últimos anos muitos pólos de trabalho estão se instalando em Goiás, mas nas cidades do entorno de Goiânia?
Através dos distritos industriais e pólos, oferecendo condições para os empresários investirem. Há 15, 20 anos, as cidades do entorno eram cidades dormitórios. Essas cidades investiram nos pólos e nos distritos industriais e cresceram. Goiânia  não tem um distrito industrial  nem um pólo de desenvolvimento.


“Vou chamar os servidores públicos para construir uma nova Goiânia”

Em relação ao servidor público, qual será o tratamento dado a esse segmento?
Vou chamar os servidores públicos para nos ajudar a construir uma nova Goiânia. Nós temos que pegar esse exército e trabalhar em conjunto. Em conjunto é mais fácil trabalhar. O servidor público será tratado com respeito, com decência. Eles vão ter seus direitos adquiridos respeitados, mas também vão ter suas obrigações. Eu já trabalhei com o servidor público e, independente se é contrato, efetivo ou comissionado, todos eles querem ser respeitos.

O sr. já estudou como conseguir recursos para implantar todos esses projetos?
Quando você trabalha com planejamento e com gestão, o dinheiro aparece. Goiânia tem quase seis bilhões de orçamento. Guardadas as devidas proporções, se nós formos comparar a quantidade de habitantes, Goiânia tem 20% a mais do que Senador Canedo. Até eu assumir, dizia-se que Senador Canedo não tinha dinheiro para nada. Assumi a prefeitura e, de um mês para outro, começou a sobrar dinheiro para medicamentos, para contratação de médicos, dentistas, para pagar os direito dos funcionários. As coisas começaram a acontecer.
Qual avaliação que  sr. faz da atual administração de Goiânia?
É uma administração que teve a oportunidade de deixar sua marca. Governou com o presidente da República de seu partido e não soube tirar proveito, talvez por falta de gestão. Muitos recursos foram devolvidos. Goiânia já era para ter as obras do BRT funcionando, mais viadutos, problemas da mobilidade resolvidos. A avaliação que eu faço é o que a maioria da população goianiense está fazendo: uma nota muito baixa. Não tenho nada contra a pessoa do prefeito. Mas não aprovo sua gestão.

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