“Vamos fazer o possível. Se Deus ajudar, o impossível”

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Foto: Paulo José/Tribuna

Na reta final de seu sexto mandato como vereador por Goiânia, Djalma Araújo deixa de lado uma reeleição praticamente garantida para a Câmara Municipal e se propõe a disputar, como candidato pela Rede Sustentabilidade, a Prefeitura da capital. Ciente das limitações de sua campanha, Djalma Araújo não descarta a possibilidade de uma virada que o levaria ao segundo turno e quer, com sua candidatura, mostrar à população que há alternativa aos últimos modelos de gestões municipais de Goiânia. Sempre crítico, o candidato condena a administração de Paulo Garcia, mas ressalta que a crise encarada pelo petista é uma “herança maldita” deixada por Iris Rezende. Djalma prega uma administração austera e eficiente, com o máximo de cortes dos cargos comissionados, o fim da política de favores e a implantação de um novo modelo de gestão baseado nas ideias sustentáveis encampadas pelo seu partido.


Daniela Martins e Marcione Barreira

Tribuna do Planalto – Djalma Araújo, é o seu sexto mandato consecutivo de vereador e o senhor segue agora por outro caminho. Abandonou aquela que poderia ser a sua sétima eleição para a Câmara Municipal e decidiu concorrer a prefeito de Goiânia. Hoje, as pesquisas indicam que o sr. oscila entre penúltimo e antepenúltimo colocado. Qual é a sua perspectiva daqui a até o dia 2 de outubro?
Djalma Araújo – Nossa eleição começa em cima de um projeto político. Eu faço política por idealismo, não faço para ganhar dinheiro.  A Rede é um desafio. Nós estamos com a esperança de lutar para chegar ao segundo turno e nada é impossível. A nossa proposta é discutir uma nova política. Entendemos que essa política do “toma lá, dá cá” tem que acabar. Estamos também conversando com os eleitores. A grande maioria ainda vota em troca de favores. O nosso desafio é buscar esse entendimento com a sociedade, para definir políticas que preservem a vida e o meio ambiente.

Por que o Djalma Araújo quer ser prefeito de Goiânia?
Sou filho de vaqueiro, vim do interior da Bahia, terra de Glauber Rocha, e sempre gostei de desafio. Eu chego com seis mandatos de vereador tentando fazer diferente. Quero ser prefeito para melhorar as condições de vida da população. Goiânia não tem um gestor, te tem um prefeito que defende os interesses do poder econômico. Hoje, quem manda em Goiânia são os setores imobiliários. Nós precisamos de rédeas. A lei tem de valer para a dona Maria, que fez um puxadinho no bairro dela, e tem que valer para o grande empresário que fez uma obra que tem irregularidades. O grande desafio é devolver Goiânia para o cidadão de bem. Nós precisamos de mais técnicos na administração e menos políticos. Queremos uma relação harmoniosa com o poder legislativo. Queremos reduzir em 90% os cargos comissionados. Diante do caos financeiro, nós queremos o menor número de secretarias extraodinárias que são cargos comissionados. Nós vamos cortar os contratos com as OSs, cortar todos os contratos de terceirização dos serviços públicos. Hoje, 36% dos serviços públicos da prefeitura estão terceirizados. Nós queremos que o poder público assuma as suas responsabilidades.

Dentro desse aspecto de enxugar a máquina e trazer de volta serviços que são de responsabilidade do poder público, mas  que hoje estão nas mãos de terceiros, o sr. acredita que é possível realizar tudo isso em quatro anos, levando em conta que existe toda uma questão burocrática?
Claro! Isso eu vou começar a partir de janeiro, são questões quese se faz por decreto. Esses cortes que pretendo fazer geram uma economia de quase R$ 40 milhões. Vou fazer uma auditoria de todas as contas da prefeitura. O primeiro corte de contrato que eu vou fazer será o da iluminação pública. A Comurg vai voltar a fazer iluminação pública. Precisamos fazer isso, com essa economia vou completar 18 obras que estão paradas na área de Cmeis, oito na área de saúde e fazer um concurso público, a partir de janeiro nesse setor. Tudo isso para amenizar a situação calamitosa do município de Goiânia. Nós vamos cortar carros, celulares e tudo. É preciso dar um choque de gestão.

E as outras áreas que precisam de atenção…
Precisamos ampliar o Programa Saúde da Família (PSF), que é de 1996, e eu fiz o primeiro debate da Câmara de Goiânia sobre isso. Outro projeto que vamos resgatar, e que foi desativado por Iris Rezende, é o Cidadão 2000. Iris Rezende é o senhor desativador de projetos nas áreas sociais. Nós vamos resgatar o projeto Trabalhando com as Mãos, de Nion Albernaz  [prefeito de Goiânia de 1997-2000],  que foi destruído por Darci Accorsi [prefeito de Goiânia 1993-1996]. Na área social, nós precisamos ter um guarda chuva de proteção às pessoas. Nesse primeiro momento, queremos fazer apenas o necessário, que é a manutenção da cidade, recuperar todas as praças e quadras esportivas, além de construir quadras poliesportivas nas escolas.


“Teremos tolerância zero com a corrupção para sobrar dinheiro”

Com os R$ 40 milhões de economia que o sr. propõe, é possível fazer tudo isso?
O orçamento de Goiânia é de R$ 5 bilhões e 700 milhões. Desse total, 48% vai para a folha do funcionalismo, 25% para a educação, 15% para a saúde e 10% para a dívida pública. Sobram apenas 2% para investir. Essas propostas mirabolantes, que dizem que vão resolver tudo, esqueça! São uma grande enganação. Não estou aqui para enganar nem para vender a alma.

A Prefeitura de Goiânia não faz bom uso do dinheiro público?
Existem muitos desvios de recursos, a começar pela merenda escolar, de onde mais de R$ 20 milhões foram desviados. A Secretaria Municipal de Educação orçou R$ 37 milhões para a manutenção preventiva e as escolas municipais estão caindo aos pedaços. Se isso não for desvio público, desvio público deve ter outro nome. O poder legislativo municipal não cumpre seu papel de fiscalizar. Nós queremos ter tolerância zero com a corrupção para sobrar dinheiro.

Seria necessário implantar um novo modelo de gestão?
Sim, precisamos fazer um pente fino nessa administração. Para nós, as questões ambientais são fundamentais. Expansão urbana tem que ser zero, tem que ter imposto progressivo para as grandes propriedades. Todas essas propostas nossas ninguém mais dá conta de propor.

No que o prefeito Djalma Araújo, caso eleito, pode contribuir para melhorar na segurança do cidadão?
Temos a guarda municipal que pode fazer ações preventivas. Por exemplo, colocando o conselho municipal de segurança em Goiânia. Nesse conselho, as ações da polícia militar, civil, guarda municipal e da polícia federal serão conjuntas. Crimes de furto e roubo de menores potenciais são consequências do uso do crack e devem ser tratados como uma questão de saúde pública. A repressão, nesse caso, é bobagem. Temos de ter ações preventivas. Vamos buscar recursos para qualificar a guarda municipal, que não tem colete nem arma. Não se faz segurança com armas. É preciso ter ações preventivas. Neste sentido, vamos também desenvolver um aplicativo para o cidadão fazer reivindicações do cotidiano dele e, em 24 horas, ele terá uma resposta.


“Nós vamos enfrentar a máfia do transporte coletivo em Goiânia”

Quais suas propostas para a mobilidade urbana?
Precisamos de um transporte humanizado. É necessário fazer uma nova licitação. Enquanto essa nova licitação não vem, nós desenvolvemos um aplicativo que se chama “Bora”, que é um aplicativo para vans com até 18 pessoas, e vamos enfrentar a máfia do transporte coletivo com o aplicativo. Vamos incentivar aplicativos como o Uber e as vans com o mesmo preço do ônibus. Precisamos de outra cultura para o transporte. Temos de fazer uma nova licitação porque a outra foi irregular e atendeu as mesmas pessoas. Foi direcionada. Não vou colocar dinheiro público em transporte. O Iris fala que comprou não sei quantos ônibus, mas quem comprou foi o BNDES. Dizem por aí que as empresas estão descapitalizadas. Isso é uma piada. Eles pegaram o dinheiro do transporte e fizeram outros investimentos. É impossível você humanizar o transporte coletivo com pessoas que têm uma relação política com tantas outras. É preciso separar isso. Vamos incentivar também as ciclovias. Vamos ler e reler o Plano Diretor de Goiânia e trabalhar respeitando-o. Não vamos permitir expansão urbana em Goiânia, vamos ocupar os espaços vazios.

Dentro dessa questão urbana, nós tivemos a discussão do IPTU e o sr. foi um dos que votaram contra. O sr. manterá essa postura caso seja eleito?
Sempre defendemos a correção monetária do IPTU. É necessário fazer uns ajustes nos grandes condomínios fechados? É, mas não justifica o aumento de imposto. Hoje, temos R$ 5 bilhões de valores a receber em IPTU e ISS de bancos, operadoras de telefonia etc. Vamos propor um acordo. Se recebermos R$ 1,5 bilhões dá pra resolver, por exemplo, a situação do Centro Educacional Unificado, que é uma escola para crianças de 0 a 6 anos, com aulas de música, teatro, cinema, futebol e natação. O recurso para essa ação pode vir desses devedores.

Na educação, o sr. propõe  duplicar o salário dos professores. Como cumprir?

A reposição terá que ser durante os quatro anos. O que nós propomos é fazer economia do dinheiro que é desviado da prefeitura. São milhões desviados, afinal não justifica você gastar R$ 140 milhões em um call center.


“O PMDB deixou Paulo na mão. Iris é o nosso Maquiavel do cerrado”

Com será a relação do sr. com a Câmara Municipal?
Será ótima porque a função do vereador é fiscalizar e legislar. Se a Câmara fiscalizar a administração, para mim será ótimo. Não tenho cargo comissionado para dar para vereador. Quem quiser fazer uma administração fazendo promessa vai repetir o Paulo Garcia. O Paulo é um cara honesto, mas o PMDB deixou o Paulo na mão. O partido só saiu da administração no último ano. É um partido extremamente oportunista. O PMDB é responsável pela administração do Paulo. O Iris deixou uma herança muito grande para o Paulo, muitas dívidas, só que o Paulo não deu conta de falar porque tinha que ter uma base na Câmara. O Iris é o nosso Maquiavel do cerrado. Paulo foi um dos piores gestores, mas ele pegou uma herança maldita do Iris Rezende.

Djalma, o sr. tem adversários que contam com a união de vários partidos, que têm apoio da prefeitura, do governo e o sr. tem se queixado da falta de dinheiro na campanha. Como está sendo essa campanha e a receptividade nas ruas por parte da população?
É um grande desafio. A sociedade reivindica uma pessoa que tem experiência. Eu não tenho experiência de gestor, mas tenho no legislativo. Agora, esse discurso não vale. Precisamos desconstruí-lo porque Gomide [Antônio Gomide, ex-prefeito de Anápolis] não tinha experiência e foi o melhor prefeito do estado de Goiás até hoje. O prefeito é político, mas a nossa equipe será de técnicos com experiência administrava. Eu quero fazer um apelo à sociedade: vamos fazer uma gestão voltada aos interesses da sociedade. Essa questão da experiência que o Iris tem demais, mas falta responsabilidade. Uma irresponsabilidade foi ter dito que iria resolver o problema do transporte e não ter resolvido. Outra questão é a palavra dele. Ele disse que não iria ser candidato em 2010 ao governo e foi. Iris ficará dois anos na prefeitura e depois vai passar a responsabilidade para Major Araújo [candidato a vice de Iris] que defende bolsa arma. Eu defendo bolsa livros.

Nessas eleições existem muitas propostas populistas?
Muitas. Se o eleitor cair nessa, ele estará enganado. Tem gente dizendo que vai construir 10 mil casas, tem gente falando que vai concluir as obras do Paço. É impossível. Não tem dinheiro para isso. Nós precisamos fazer o necessário. Tem muitas propostas mirabolantes, eu conheço o orçamento de Goiânia e não tem dinheiro para tudo isso.

Dentro das suas propostas, quais serão possíveis fazer assim que assumir a prefeitura, sendo esse o resultado das eleições?
Entre outras coisas, vamos criar o primeiro hospital veterinário em Goiânia. Sonho em construir um hospital municipal, mas precisa primeiro resolver as questões emergenciais. O grande lema da nossa campanha é fazer o necessário, o possível e, se Deus nós ajudar, o impossível. Vamos resgatar o projeto Goiânia Canto de Ouro, os circos, ampliar os pontos de cultura, criar o circuito cultural em cada região com os artistas goianienses. Queremos levar biblioteca para os bairros de Goiânia. Queremos colocar as pessoas para ler. Nossa intenção é fazer uma revolução cultural em Goiânia.

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