“O vereador tem de ter visão mais ampla do município”

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Ormando Pires, ex-presidente da Comurg

Ao longo de quase dois anos na presidência da Comurg, Ormando Pires enfrentou o período mais conturbado da companhia. As crises no setor de coleta do maior órgão da prefeitura atraíram os olhares da imprensa e expuseram Ormando e o Executivo municipal às críticas. Com Ormando, a Comung amenizou os problemas. No entanto, ao final de 2015, ele foi exonerado do cargo e credita isso ao fato de ser primo do vice-prefeito Agenor Mariano (PMDB), que, à época, entrou em atrito com o prefeito Paulo Garcia (PT). Agora, Ormando Pires tenta pela primeira um mandato de vereador pelo PMDB a convite de Iris Rezende.

Marcione Barreira

Tribuna – Para que o leitor possa lhe conhecer melhor, quem é Ormando Pires?
Ormando Pires – Sou servidor público há 28 anos. Nesse tempo, tive a oportunidade de presidir a Comurg por quase dois anos. Meu maior motivo de orgulho, nessa passagem, é que todos os meus antecessores foram indicações, pessoas que vieram de fora. Foi a primeira vez na Comurg que um servidor efetivo chegou à presidência. Sou administrador por formação, nascido e criado em Goiânia. A folha de serviço que tenho, na maior parte do meu período trabalhado, é justamente como servidor público.

Como esses 28 anos na Comurg podem contribuir com uma vislumbrada eleição para a Câmara Municipal?
Acredito que podem contribuir muito porque foge da situação tradicional de gabinete. Vejo o vereador como alguém mais presente na realidade da cidade e a Comurg me possibilitou isso. É um órgão extremamente operacional e eu já passei por alguns setores da empresa, entre os quais estão a coleta, a parte de varrição, enfim, a parte operacional da Comurg. Então, esse conhecimento de Goiânia possibilita que você tenha uma visão mais abrangente. O vereador tem que ser mais abrangente. Não vejo o vereador como sendo um representante de um bairro, de uma região ou de um segmento. O vereador tem que atuar de maneira mais abrangente. Vivemos num mundo globalizado e a cidade não deixa de ser assim também. Você mora numa região, mas trabalha e visita seus parentes em outras. Então, você não pode brigar por melhorias só no seu bairro. O vereador tem que ter uma visão mais ampla de todo o município.
Ormando Pires tem uma bandeira?
Minha bandeira é de fazer um trabalho mais abrangente do que nós temos aí hoje. Eu vejo uma situação em que só temos representantes de um determinado segmento. Temos mais de 800 bairros em Goiânia, como nós temos 35 cadeiras, acho que provavelmente vai ficar algum local ou segmento sem representante se não houver essa visão mais abrangente do legislador.

Quais são os seus principais projetos?
Penso em atuar de maneira mais direta naquilo que tenho maior conhecimento, que no caso é área da limpeza urbana. Paralelo a isso, trazer para minha equipe pessoas técnicas que possam auxiliar de maneira muito positiva em segmentos onde nós tenhamos uma maior dificuldade. Hoje temos problemas na saúde, segurança, muito interligado com outras situações que a prefeitura tem como amenizar e contribuir de alguma forma através de ações, convênios e parcerias. Se você tem um ambiente limpo e iluminado, automaticamente você está melhorando os índices de segurança. Se você tem um local que está bem cuidado e totalmente limpo, você também diminui os riscos de doenças.

O sr. já foi filiado ao PT e agora está no PMDB. Ser candidato pelo PT hoje seria um peso?
Na realidade, nunca me filiei com o objetivo de ser candidato. Para ser bem franco, até tinha certa dificuldade em me ver como político. Sempre participei da vida pública, mas nunca me imaginei candidato ou representante, de alguma forma, da classe política. Da mesma forma que a maioria da população, eu ainda vejo com muito receio tudo que está acontecendo na política em nível de país, estado e município. Quando me filiei ao PT, em 2001, recebi o convite e, por questão de amizade, passei a integrar o partido, mas nunca fui um participante com afinco. Nessa última filiação ao PMDB, eu recebi o convite do próprio Iris Rezende, que me pediu que eu eu saísse candidato. Iris me considerava algo novo, uma renovação, e que vislumbrava na população a busca por algo novo. Baseado no meu trabalho à frente da Comurg, Iris Rezende entendia que eu seria um bom nome e que as pessoas teriam uma receptividade boa com relação a essa candidatura. Já havia conversas na Comurg, na parte operacional, que levantavam a ideia de que eu deveria ser candidato. Essas conversas foram crescendo até a conversa com o Iris, que foi o fator determinante.

Nessa última semana, qual vai ser a estratégia do sr. na captação de votos?
A nossa estratégia é sempre mostrar o perfil do Ormando. Não quero jamais ter a política como um meio de subsistência. Vejo o político com servidor público e é o que sou há 28 anos. Quero continuar sendo. Não quero ter um perfil de político tradicional. O que estou tentando passar para a população é esse perfil de alguém técnico e que quer buscar algo de diferente, alguém que entende a política também como algo operacional e não só administrativo ou legislativo. Nessa última semana, nós vamos fazer o que a gente já vem fazendo no decorrer da campanha: ir às casas das pessoas, fazer visitas, reuniões em comércios. Onde as pessoas estiverem, nós vamos para que elas conheçam e saibam quem é o Ormando Pires.

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