PT é o grande derrotado

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Ex-presidente Lula em campanha pelo candidato petista em São Paulo, Fernando Haddad: legenda amarga resultados negativos

Manoel Messias

Confirmadas as pesquisas e as projeções a partir do resultado da apuração da noite de domingo, o PT teve nestas eleições seu pior resultado em capitais em vinte anos. No geral, em todo o país, o PT deve sofrer uma redução de em torno de 50% nas cidades sob administração da legenda. Desde a eleição municipal de 2004, o partido vem perdendo prefeitos nas principais cidades do país. A legenda elegeu prefeitos em capitais em 2004, cinco em 2008 e quatro em 2012.
Nesta eleição de 2016, o PT venceu só uma capital no primeiro turno, Rio Branco. A legenda passou ao segundo turno apenas em mais uma, Recife. Se ganhar na capital pernambucana, o que parece difícil, vai igualar o desempenho de 1996, quando também levou duas capitais; se perder, será o pior resultado desde 1985, ano em que conquistou uma única capital, Fortaleza.
Além de Recife, o PT tinha esperanças de ir ao segundo turno em outras três capitais: São Paulo, que elegeu João Doria (PSDB) no primeiro turno; Porto Alegre, onde Raul Pont (PT) ficou em terceiro; e Fortaleza, onde a petista Luizianne Lins deve ficar em um terceiro lugar.
O resultado altamente negativo ocorre num momento em que o partido se vê envolto em um verdadeiro mar de notícias ruins: os três últimos tesoureiros estão presos, seu principal líder, Lula, está ameaçado pela Justiça e Dilma foi impedida de continuar na presidência da República.
Em sentido oposto, PMDB e o PSDB deverão ser os principais vencedores do primeiro turno das eleições deste ano nas 26 capitais brasileiras onde há disputas eleitorais. Juntas, as duas legendas deverão levar ao menos 12 candidatos ao segundo turno. Os dois partidos são os principais alicerces do Governo Michel Temer (PMDB) e tiveram as campanhas de seus candidatos impulsionadas pelo impeachment de Dilma Rousseff.
A disputa nos municípios é considerados estratégica por ser uma espécie de largada extraoficial da corrida presidencial e de governadores, que acontece dois anos depois. Os peemedebistas, que hoje administram duas capitais estaduais (Rio de Janeiro e Boa Vista), têm grandes chances de chegar ao segundo turno em seis delas e possibilidade remotas em outras três. Já os tucanos são líderes em cinco municípios, devem chegar à segunda etapa em seis e têm chances reduzidas em outros dois.
O PSDB tem hoje as prefeituras de Manaus, Maceió, Teresina e Belém. Dessas, só não briga pela reeleição na última. Além disso tem chances em São Paulo, com João Doria Jr., que lidera de maneira isolada e deve vencer no primeiro turno, em Campo Grande, com Rose Modesto e em Belo Horizonte, com João Leite.


Boca de urna perde importância na decisão do voto

Apesar de ser proibida pela legislação eleitoral, a prática de fazer propaganda de candidatos próximo aos locais de votação, chamada boca de urna, ainda é registrada nas eleições. Mas, na avaliação do cientista político Leonardo Barreto, especialista em comportamento eleitoral, a boca de urna perdeu importância nos últimos anos, porque poucas pessoas deixam para escolher o seu candidato na última hora.
“Hoje temos pesquisas que mostram que o percentual de pessoas que deixam para escolher seus candidatos em cima da hora é algo em torno de 10% dos eleitores. A maior parte das pessoas já vão sabendo, muitas vezes vão indecisas, mas não é que elas não tenham ideia, às vezes estão com dois candidatos na cabeça”, disse.
Além disso, a boca de urna pode não ser tão efetiva para a decisão dos eleitores, segundo Barreto. “O eleitor que vai sem saber o que fazer pode até votar em quem está fazendo boca de urna, mas pode também pegar um santinho no chão, pode encontrar uma pessoa na fila. É muito aleatório, não tem um nível de controle”, disse. Para ele, o principal objetivo da proibição da propaganda no dia da eleição é organizar o pleito e evitar a violência e o confronto entre os candidatos e eleitores.
Para Barreto, o rigor na fiscalização reduziu bastante a prática de boca de urna, até mesmo com o apoio dos próprios eleitores, que agem como fiscais. “Hoje ficou muito mais complicado fazer boca de urna, e reduziu bastante por causa dessa capacidade de fiscalização que todo mundo tem atualmente”, avalia.
Por outro lado, a cientista política da Universidade Federal de São Carlos (UFScar) Maria do Socorro Sousa Braga avalia que a prática da boca de urna pode influenciar no voto dos eleitores que acabam decidindo seu candidato no caminho entre sua casa e a seção eleitoral.
“É uma fatia menor, mas sempre é uma intervenção, por isso que a lei coíbe essa prática. E ainda tem muito [boca de urna], principalmente em regiões com menor controle. Isso acaba afetando o resultado eleitoral em algumas cidades”, avalia.
De acordo com a Lei das Eleições, arregimentar eleitores ou fazer propaganda de boca de urna no dia da eleição é crime, com punição de detenção de seis meses a um ano. A legislação permite, no dia do pleito, a manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor, com uso de bandeiras, broches e adesivos.
Nas eleições municipais de domingo (2) em todo o país, 21 candidatos e 142 eleitores já foram presos em flagrante por cometer alguma irregularidade, como divulgação de propaganda proibida e boca de urna.(Agência Brasil)

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