Movidos pela paixão de ensinar

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Mesmo com todos os problemas que os professores enfrentam atualmente em sala de aula sentem orgulho de comemorar o dia deles

Mesmo com problemas como baixos salários e a indisciplina em sala de aula, muitos profissionais da educação declaram que há motivos para celebrar essa nobre profissão

Fabiola Rodrigues

O magistério é uma das profissões mais desafiadoras atualmente. Problemas como baixos salários, falta de respeito dos alunos e salas lotadas são verdadeiro desestímulo aos professores. No próximo dia 15 é o Dia do Professor e mesmo com todas as dificuldades que este profissional enfrenta no trabalho, muitos têm o que comemorar.
Professora de Português há 27 anos, Doraney Oliveira diz que sente orgulho de contribuir para a construção da educação do nosso País. Ela lembra que se formou em Direito, mas não quis exercer a profissão por acreditar que como educadora ajudaria a transformar para melhor a vida de muitos alunos.
“Comecei a dar aula com 19 anos, ainda na faculdade quando cursava Letras, e fui tomando gosto pelo meu trabalho. Amo o que faço. Poderia ter optado por outra profissão, já que sou formada em outro curso, mas não me sentiria realizada como sou”, diz.
Ter reconhecimento financeiro é o desejo de todo trabalhador, seja qual for a profissão escolhida, mas para Doraney, quando uma pessoa opta por ser educadora, ela precisa sentir prazer em oferecer conhecimento, acima da compensação salarial.
“A família vem tentando transferir para o professor a função de educação plena, mas essa não é nossa responsabilidade. Porém motivos como esses não vão interromper nosso foco de ensinar. Temos como meta fazer do aluno uma pessoa que aprenda a desenvolver seu raciocínio crítico através das disciplinas. É isso que nos move”, diz Doraney Oliveira.
A professora conta que ao longo de quase três décadas de carreira na rede pública municipal de Goiânia, conheceu professores que não encontravam alegria ou satisfação em sala de aula, mas que situações como essas podem mudar ao inovar os métodos de ensino. Ela observa que tudo evoluiu, principalmente nos últimos dez anos, e que as aulas precisam ser dinâmicas e atraentes.
“O aluno recebe muita informação e o professor precisa saber controlar e aplicar sua disciplina. É necessário existir participação dos estudantes durante a aula. Mudar a maneira de ensinar é um dos grandes segredos para o educador sentir-se estimulado”, ressalta a professora.
A baixa remuneração e o plano de carreira defasado do magistério desestimulam os jovens a fazer cursos de licenciatura, que habilitam para lecionar. Para Doraney essas questões devem ser levadas em consideração quando se escolhe uma profissão, porém diz que a satisfação pessoal vem em primeiro lugar.
“Aposentei no final do mês passado. Me sinto realizada e com sensação de dever cumprido. O que mais me alegra é ver que meus alunos são sempre bem-sucedidos e premiados em diversos concursos de redações no Estado. O que precisamos é sentir paixão pelo que fazemos, com isso tudo vai bem”, diz.
“Gosto de incentivar os alunos e fazer com que sintam-se capazes de superar seus medos. Não vou parar, continuarei a dar aula. Sinto prazer em ensinar, isso faz parte da minha vida”, revela, emocionada.


“Gosto do que faço e amo o retorno que tenho”

A profissão de professor, muitas vezes não valorizada como deveria, é satisfatória e dá boas oportunidades para quem deseja conquistar seu espaço e crescer na carreira. Para a gerente de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte, Fabiola Correia, o professor deve ausentar-se da sala de aula por algum período e se tornar coordenador de turmas para adquirir mais conhecimento e se envolver mais com a profissão.
“Com a experiência que tenho, acho importante o professor explorar melhor as oportunidades que a formação em licenciatura oferece. Coordenar uma escola dá visibilidade para compreendermos melhor a vida do aluno e agrega mais experiência profissional”, conta.
Fabiola Correia é formada em Ciências Biológicas e começou a dar aulas durante a faculdade, tendo ministrado outras matérias durante sua carreira, como Matemática e Português. Hoje ela considera um privilégio lecionar para alunos da educação de jovens e adultos.
“Gosto do que faço e amo o retorno que tenho. Quando um aluno diz que aprendeu a ler com 70 anos de idade, é minha maior recompensa. O professor pode ir atrás de aprimoramento e buscar outros meios de realizar seus sonhos dentro da própria carreira. Ele não ensina somente em sala de aula”, conclui.


“Não existira outra profissão que me fizesse tão realizado”

O professor pode unir realização pessoal e profissional através da educação. Assim aconteceu com o professor goiano Wisley Pereira, que recentemente assumiu a Coordenadoria-Geral do Ensino Médio do Ministério da Educação. Ele viveu uma vida difícil desde a infância, inclusive morava em casa de pau a pique, mas decidiu ainda no segundo grau que seria professor de Física, motivado por sua professora de matemática.
“Sou filho de pais separados, sempre estudei em escola pública e morava em interiores. No ensino médio decidi que iria ser professor. Me formei na Universidade Federal de Goiás e comecei a dar aulas em escolas ainda no período que fazia faculdade. Já imaginava que seria feliz em minha escolha”, diz.
Logo após sua formação, em 2006, Wisley Pereira passou em um concurso da rede estadual e começou a dar aula em colégios públicos. Em 2011 foi convocado pela Secretaria de Educação, Esporte e Cultura (Seduce) para realizar um programa de ciências e ensino devido sua capacidade para cálculos. Por causa do sucesso com o projeto, em 2015 foi convidado para assumir a Superintendência do Ensino Médio da Seduce. O professor deixou o cargo no dia 30 de setembro último para assumir o novo desafio no MEC.
“Tenho orgulho da minha história e sei de onde vim. Gosto de ser chamado de professor e me faz bem carregar essa palavra comigo. Amo dar aula e não existira outra profissão que me fizesse tão realizado como a de educador. Jamais senti frustração pelos trabalhos que realizei e realizo”, diz.
Wisley Pereira afirma que será eternamente grato à professora que o motivou a se tornar professor e lembra que através da carreira educacional tem boas condições de criar a família, além de sentir-se valorizado.
“Me sinto privilegiado por tudo que estou vivendo. Nas escolas em que passei, sempre fui reconhecido. Não tenho do que reclamar. Ser educador é mudar vidas, é gerar sonho no coração de crianças e adolescentes. Parabéns a todos os professores”.

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