O tira-teima do 2º turno em Goiânia

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No jogo político num país em que a classe política povoa diariamente o noticiário policial, onde ex-tesoureiros do partido do governo estão na prisão, onde os escândalos de corrupção ameaçam praticamente metade da Câmara dos Deputados, os eleitores não raramente são apontados também como vilões da história. Se é fato que a classe política vive num mar de corrupção, não é menos verdade que essa classe política foi eleita diretamente pela maioria dos eleitores votantes. Teriam então os eleitores culpa pelas mazelas que assolam o país?
Diz um ditado popular que, em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. A base desse raciocínio é de que, como ninguém organizou para que não faltasse o necessário, logo ninguém terá razão de ficar discutindo, porque o grande problema deveria a priori estar resolvido e não o foi. De forma semelhante ocorre com a situação política do país: o sistema eleitoral é falho, mas se tem uma democracia formal; todavia os eleitores, compelidos a ir às urnas, legitimam dirigentes que não têm qualidades éticaes e morais para conduzir a nobre tarefa que é representar politicamente a população.
Numa situação tal, como na casa que falta pão, eleitores e eleitos têm sua parcela de culpa, mas isso não é o fim da história, porque é preciso superar esse momento de travessia. Em um determinado momento, é preciso haver uma inflexão. A Operação Lava Jato é um marco nesse processo, mas ainda convivemos com estruturas políticas que empurram candidatos viciados goela abaixo do eleitor. E muitos eleitores mantêm a postura de simplesmente votar para cumprir um dever, não votam porque esse é um ato de fiscalização da administração pública, é quando o povo escolhe ou rejeita seus governantes, determinado grupo político. Estão errados também os eleitores.
Em Goiânia, após a ampla concorrência de candidatos de diferentes matizes, como Flávio Sofiati, Delegado Waldir, Iris Rezende e Vanderlan Cardoso, eis que foram vitoriosos esses dois últimos. Curiosamente, em meio à grande efervescência e cobrança por ética na política desencadeada pelas prisões da Lava Jato, pelo impedimento da presidente da República, o eleitor de Goiânia decidiu levar para o segundo turno dois candidatos que, em maior ou menor grau, representam os dois grupos que dominam a política no estado desde os anos 1980. Iris Rezende é ele próprio a imagem do candidato que se perpetua na política, incapaz de fazer um sucessor à altura para continuar e modernizar seu legado. De outro, Vanderlan Cardoso, que apesar de não fazer parte dos tradicionais grupos políticos e ser oriundo da iniciativa privada, como grande empresário que é, conta em sua chapa, como candidato a vice-prefeito, um representante do PSDB, grupo político que suplantou Iris Rezende nas urnas em 1998 e, desde então, reina soberano, com apoio das urnas.
Em tudo a campanha de Goiânia parece mais um tira-teima entre o irismo, dono do PMDB, e o marconismo, do PSDB. Nas eleições estaduais, o marconismo foi seguidamente vitorioso nos últimos 16 anos, sucesso que não conseguiu na Capital.

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