Vanderlan amplia apoio na corrida do segundo turno

0
1838

Candidato do PSB aglutina apoios políticos, trazendo para sua campanha concorrentes derrotados no primeiro turno e vê sua chapa ganhar musculatura

Manoel Messias

A disputa pela prefeitura de Goiânia promete muitas emoções nas próximas três semanas, nos dias que antecedem o segundo turno, marcado para 30 de outubro. As duas forças políticas que controlam o poder no Estado desde a redemocratização, na década de 1980, estarão, mais uma vez, frente a frente. A vitória em Goiânia não será uma prévia de 2018, quando será escolhido o novo governador de Goiás, porque tradicionalmente o eleitor da capital tem demonstrado ser oposição ao governo estadual, senão um forte contraponto ao grupo dominante no cenário estadual. Assim, Goiânia já elegeu prefeitos do PT e do PMDB no período em que o PSDB vem reinando soberano na administração estadual. Mas de qualquer forma, ninguém duvida de que a vitória em Goiânia representará um grande passo para a disputa ao Palácio das Esmeraldas daqui a dois anos.
Computados os votos do primeiro turno, em que Iris Rezende (PMDB) conseguiu 40,47% dos votos válidos, ou 277.074 votos, e Vanderlan Cardoso (PSB) atingiu a marca de 217.871 votos, ou 31,84% dos votos válidos, iniciou-se imediatamente a busca por apoio para a campanha do segundo turno. Os principais cobiçados são os candidatos que não conseguiram chegar ao segundo turno. Foram derrotados nessa tentativa, mas agora são a noiva cobiçada, porque demonstraram, em maior ou menor grau, que têm capacidade para angariar votos.
Pela lógica fria dos números, o candidato mais cobiçado é o terceiro colocado no primeiro turno, Delegado Waldir, do PR, que ficou com 10,48% dos votos válidos, ou 71.727 votos. Delegado Waldir obteve mais votos do que a diferença entre Iris e Vanderlan. Numericamente, teria o apoio dele o poder de decidir a eleição. Mas em termos de política, os números não têm essa exatidão. Daí, quem votou em Delegado Waldir provavelmente não votará automaticamente no candidato que ele indicar. Todavia uma parcela de seu eleitorado tende a depositar as esperanças naquele candidato que o Delegado indicar. A política tem essas nuanças.
O fato é que, no frigir dos ovos, após a definição dos candidatos, Vanderlan Cardoso, que tem um discurso mais ameno e aglutinador que o concorrente, até o momento tem conseguido unir apoio político em torno de sua candidatura. E as forças que chegaram para apoiar a candidatura do pessebista, que tem como vice o tucano Thiago Albernaz, não são desprezíveis. Ao contrário, colocam, mais que nunca, o candidato do PSB em pé de igualdade para enfrentar o grande poder de fogo de Iris na Capital.
Se Delegado Waldir ainda não decidiu quem vai apoiar no segundo turno, o mesmo não se pode dizer de Francisco Junior, o simpático candidato do PSD que, com uma campanha modesta, conseguiu o feito de praticamente empatar com o terceiro colocado. Ele chegou na quarta e honrosa colocação com 9,31% dos votos, ou nada mais nada menos que 63.712 votos. O número é tão significativo que, como no caso de Delegado Waldir, seria suficiente para determinar a vitória de Iris ou Vanderlan no segundo turno, já que é maior que a diferença entre os dois candidatos. E Francisco Júnior decidiu por Vanderlan.
Ao anunciar o apoio ao ex-concorrente, o deputado estadual Francisco Júnior disse que vários fatores pesaram em sua decisão, especialmente o modelo de gestão proposto por Iris e Vanderlan.
“Conversei com Iris Rezende, o admiro, respeito esse homem que contribuiu muito com Goiás e com Goiânia. Mas entendo que, no momento histórico em que vivemos, as necessidades da capital serão melhor atendidas pelas propostas de Vanderlan”, declarou.
A declaração do candidato do PSD traz uma informação valiosa que indica o distanciamento dele da velha política em que as decisões ficavam vinculadas aos interesses paroquiais, pessoais do candidato, sem compromisso com a coletividade. No caso de Francisco Junior, ele anunciou em alto e bom tom que escolheu Vanderlan porque analisou o modelo de gestão proposto por ele e por Iris e considerou o projeto de Vanderlan mais adequado para administrar Goiânia com vistas ao futuro. Em outras palavras, Francisco Junior considera Iris uma grande figura política, que já contribuiu muito para Goiânia e Goiás, mas que não se reciclou o suficiente para atender às exigências da contemporaneidade. Iris, por mais que se esforce, mantém um perfil de administração voltada para o passado. Exemplo disso é seu vice, Major Araújo, um candidato tão fora de sintonia com a realidade que se tornou um fardo difícil para a chapa. Basta lembrar que Major Araújo é aquele que defendeu o fornecimento de dinheiro por parte da prefeitura para que o cidadão, acossado pela violência, compre sua arma e, assim, no pensamento dele, consiga se defender da bandidagem. Sem nenhuma possibilidade de execução, a proposta, denominada Bolsa Arma, entra para a vala daqueles projetos esdrúxulo que mostram o despreparo dos políticos que os defendem.
Além disso, Francisco Jr., ao declarar apoio a Vanderlan, afirmou que o candidato do PSB se mostrou extremamente flexível e receptivo a suas propostas para Goiânia. De sua parte, Vanderlan destacou a importância de estar aberto a novas contribuições e garantiu que, eleito, implantará várias propostas de Francisco Jr.

"Entendo que, no momento histórico em que vivemos, as necessidades da capital serão melhor atendidas pelas propostas de Vanderlan” Deputado  Francisco Júnior
“Entendo que, no momento histórico em que vivemos, as necessidades da capital serão melhor atendidas pelas propostas de Vanderlan”
Deputado
Francisco Júnior

Além de Francisco Jr., a chapa liderada por Vanderlan Cardoso conseguiu o apoio de Djalma Araújo, da Rede Sustentabilidade, que teve uma votação muito baixa, mas que, todavia, é muito conhecido e pode angariar apoio ao candidato do PSB no segundo turno. Na terça-feira, dia 4, os representantes da Rede analisaram o programa de governo de Vanderlan e votaram em maioria pelo apoio. Novamente, o posicionamento aberto ao diálogo do PSB se mostrou decisivo para a aglutinação de apoio. Vanderlan declarou que pretende incorporar ao seu projeto especialmente as propostas ambientais e repensar questões referentes à expansão urbana e ao Plano Diretor da Capital, pontos de destaque na campanha de Djalma Araújo.
Tanto os aliados de Francisco Júnior como os de Djalma Araújo, além do apoio formal, se comprometeram a mobilizar a militância e colocar todo o aparato partidário para ir atrás de votos para Vanderlan.
Do lado de Iris Rezende não se vê a mesma disposição de conseguir apoio político, até porque o oponente parece ter agido com mais rapidez e capacidade de diálogo. Iris conta a seu favor o grande prestígio que possui entre a camada do eleitorado mais popular, espalhado pela grande região noroeste de Goiânia, onde estão bairros como Vila Mutirão, Jardim Curitiba, Vila Finsocial.
Em sentido oposto, Vanderlan saiu na frente para a nova eleição do segundo turno, demonstrando estar aberto a formar um amplo espectro de forças partidárias em torno de uma eventual gestão. Apesar de ser provável, não é possível garantir que esses apoios terão efeito direto nas urnas. É esperar para ver as próximas cartadas desse jogo.


A incógnita Delegado Waldir

Delegado Waldir ainda não decidiu quem ele vai apoiar
Delegado Waldir ainda não decidiu quem ele vai apoiar

Ele apareceu na política goiana na eleição de 2014, com uma votação retumbante para deputado federal pelo PSDB com o número 4500 (45 do calibre e 00 da algema), numa referência direta ao fato de ser delegado de polícia. De estilo um tanto quanto folclórico, soube explorar a mídia de forma eficaz para uma eleição proporcional, aquela em que são eleitos vários integrantes para um órgão colegiado, como a Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas.
Afoito e embriagado com a chuva de votos que recebeu, ele não hesitou: lançou-se candidato a prefeito de Goiânia e, para quem chegou a aparecer em primeiro lugar na intenção de votos (quando Iris não era candidato), Delegado Waldir, pode-se dizer, tomou uma surra nas urnas. Foi o grande fiasco da eleição em Goiânia.
Os motivos para a derrota acachapante são vários e poderão ser discutidos em outro texto. O fato é que obteve uma quantidade de votos (mais de 71 mil) que, para quem passou ao segundo turno, não é nada desprezível. O problema é que o Delegado é imprevisível. Logo após saber do resultado das urnas, declarou que não apoiaria nem Iris nem Vanderlan. Mas depois, após esfriar a cabeça, voltou atrás, dizendo que não ficará neutro, irá, sim, apoiar um ou outro.
Até aí, tudo bem, apesar da mudança repentina. A surpresa maior aparece quando ele explicou como será feita a definição do candidato que terá seu apoio. Delegado Waldir disse que fará uma investigação, isso mesmo, uma investigação, para descobrir quem divulgou uma fotografia sua assistindo uma partida de futebol em Brasília enquanto estava acontecendo um debate em Goiânia entre os candidatos.
Enquanto a investigação não é concluída, a candidata a vice na chapa de Waldir, Rose Cruvinel (PMN), que tem grande experiência política, também declarou na tarde de sexta-feira, 7, apoio à candidatura de Vanderlan Cardoso, juntamente com deputado estadual Virmondes Cruvinel (PPS). Virmondes, ex-vereador com grande prestígio em Goiânia, destacou que a aproximação com Vanderlan foi sacramentada, depois de conversas com eleitores, líderes comunitários e as bases de apoio dele e de sua mãe. O deputado elogiou as propostas e a postura de Vanderlan, dizendo que se identificou com o projeto, segundo ele, caracterizado por ser transparente e inovador.
Demonstrando entusiasmo, Rose Cruvinel disse que irá se engajar na campanha de Vanderlan assim como esteve pedindo votos para Delegado Waldir. “Eu vou para as ruas, pois sou pessoa de campanha”, declarou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here