Alunos de aldeias recebem aulas especiais

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Na região, alunos de diferentes idades, da etnia Xavante estudam nas escolas estaduais que fazem das diferenças uma oportunidade de aprendizado

Estudantes indígenas das escolas estaduais de Aragarças, na divisa com Mato Grosso, recebem programas de inclusão para eles desenvolverem o aprendizado

A diversidade de culturas é um desafio em qualquer área em se tratando de um país como o Brasil, de dimensões continentais. Em Aragarças, na divisa de Goiás com o Mato Grosso, cinco escolas da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) têm dado o exemplo de como ações simples podem fazer a diferença e tornar a sala de aula um espaço de cidadania.
Na região, mais de dez alunos, de diferentes idades, da etnia Xavante estudam nas escolas estaduais que fazem das diferenças uma oportunidade de aprendizado para ambos os lados. O trabalho só é possível graças ao empenho de 12 professores intérpretes da língua indígena que auxiliam os demais docentes das disciplinas convencionais como Português, Física e Matemática, entre outras.
Os alunos, de idades variadas, percorrem quilômetros das aldeias até às unidades de ensino. “Nós percebemos que alguns deles querem estudar e têm interesse de fazer faculdade”, afirma a mediadora de inclusão da subsecretaria regional de Piranhas, Sonha Pereira das Neves, assegurando que alguns deles pretendem dar continuidade aos estudos.
A mediadora afirma que o trabalho pedagógico exige respeito à cultura dos Xavante. “Às vezes eles têm o retiro deles e faltam vários dias à escola, mas temos que respeitar e nos adaptar”, explica Sonha. Ela afirma que a receptividade dos indígenas ao conteúdo é grande e que a Seduce faz um trabalho de conscientização. “Ele é voltado para a conscientização que eles podem aprender, talvez de uma maneira diferente de nós, mas são seres humanos que necessitam de aprendizado”, acrescenta.
Com alunos de diferentes idades, as escolas promovem apresentações culturais periodicamente como maneira de fomentar a troca de experiências.

Fica
No mês de agosto, um estande foi montado na histórica Cidade de Goiás, onde alunos da etnia Xavante puderam compartilhar um pouco de sua cultura com os visitantes do XVIII Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), realizado pelo governo de Goiás por meio da Seduce. Os indígenas apresentaram adereços, pinturas e utensílios.

Passado
O território dos Xavante compreendia regiões do alto e médio rio Tocantins e médio rio Araguaia. Eles tinham suas aldeias distribuídas nas margens do Tocantins, desde Porto Imperial até depois de Carolina, e a leste, de Porto Imperial até a Serra Geral, limites das províncias de Goiás (antes da divisão) e Maranhão. Havia também aldeias na bacia do rio Araguaia, na região do rio Tesouras, nos distritos de Crixás e Pilar, e na margem direita do rio Araguaia. Na primeira metade do século XIX entraram em conflito com as frentes agropastoris que invadiam seus territórios e, após intensas guerras, migraram para o Mato Grosso, na região do rio das Mortes, onde vivem atualmente.

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