Trabalho Infantil ainda é uma preocupação

0
1240

TRT de Goiás realiza mostra para discutir a temática
    
Yago Sales

Nesse mês das crianças ainda é uma preocupação a exploração do trabalho infantil. Os números revelam que a infância continua sendo perdida. Há quem acredite que é melhor trabalhar do que roubar. Detrás desta máxima, crianças deixam de ir à escola para cumprir horário, correndo, inclusive, riscos de mortes em expedientes inapropriados.
Para disseminar esta discussão, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 18ª Região, de Goiás, inaugurou na quinta-feira (13) a exposição itinerante “Um Mundo sem Trabalho Infantil”. A mostra faz parte das ações do Programa de Combate Infantil e Estímulo à Aprendizagem da Justiça do Trabalho.
Não precisa ir longe para se deparar com crianças tendo a infância violada, sob a justificativa de afastá-la, no senso-comum, da bandidagem. Em Goiânia, podem-se encontrar crianças e adolescentes nas Centrais de Abastecimento do Estado (Ceasa), em bancas de roupas nas avenidas Paranaíba, na Avenida Goiás; nos camelódromos de Campinas, nos sinaleiros. Mais distante, em bairros periféricos, mesmo assim sem nenhuma dificuldade, é possível ver crianças em oficinas mecânicas, mercadinhos ou mercearias. É comum crianças serem usadas como ajudantes, badecos, em construções ou instalação elétrica . A prática do trabalho infantil é permeada de mitos.
Ao invés de apostar em educação, esporte e cultura, creditam ao trabalho a chance de uma vida longe da criminalidade. Isto é ilusão. Nunca é demais avisar:  lugar de criança é na escola, bricando, colorindo uma vida melhor. Obrigar ou estimular o trabalho infantil é um desrespeito ao Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), mesmo assim os dados são aterrorizantes.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT), entre 2000 e 2012, relata que em todo o mundo, pelo menos 168 milhões de crianças e adolescentes, de 5 a 17 anos, foram libertadas de  situações de exploração.
Enquanto que em 2012, no Brasil, foram flagrados 506 mil crianças de 5 a 13 anos, em 2013, o número saltou para 554 mil crianças trabalhando precocemente. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2012 até 2013, pelo menos 124.808 crianças e adolescentes, com idade entre 5 e 17 anos, foram resgatado em situação de exploração somente no Estado de Goiás.

Exposição
A data do lançamento da exposição, próxima ao dia das crianças, foi escolhida pelo Comitê Gestor do Programa Regional de Combate ao Trabalho Infantil como forma de homenagem e para lembrar a sociedade que cada criança deve ter uma infância saudável e com educação. O Comitê é coordenado pela desembargadora Iara Teixeira Rios e pelos juízes Renato Hiendlmayer e Glenda Maria Coelho Ribeiro.
Em sua abertura, o Coral Infantil Pequenas Vozes do Centro de Artes Basileu França interpretou as canções de Toquinho, Villa-Lobos e do filme Noviça Rebelde. Uma mostra com vários banners com informações relativas à exploração do trabalho infantil pode ser vista no 1º andar do Fórum Trabalhista de Goiânia.
A coordenadora do Comitê Gestor do Programa Regional de Combate ao Trabalho Infantil, desembargadora Iara Teixeira Rios, afirmou que dados estatísticos recentes revelam que o trabalho infantil cresceu em Goiás, especialmente na faixa etária entre 10 e 13 anos, fator que agrava, segundo ela, o ciclo da exclusão e da pobreza. “Combater o trabalho infantil é um dever moral da sociedade porque os efeitos dele são nefastos para a vida da criança e do adolescente”, concluiu a desembargadora.
A exposição tem entrada franca e ficará disponível ao público até o dia 11 de novembro. (Com informações do Tribunal Regional do Trabalho)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here