Atitudes necessárias

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1994

Embora tenha um dos maiores PIBs (Produto Interno Bruto) do mundo – atualmente é o nono, mas já chegou a ser o sexto nesta década – ainda enfrenta dificuldades típicas de nações em desenvolvimento. Na educação, por exemplo, não há muito do que se orgulhar. O Brasil continua a anos luz dos melhores índices mundiais em desempenho de alunos, seja em matemática, em ciências ou na compreensão de textos, medido em avaliações internacionais. Quanto mais dificuldades se apresentam na educação, mais será problemático atingir patamares positivos de crescimento econômico e desenvolvimento sustentável.
Pensar em reforma educacional é, sem dúvida, uma prioridade, que inclua um currículo coerente com o atual modelo social e que se aproxime dos anseios dos adolescentes, estimulando um cabedal variado de habilidades. Nos últimos anos, o Brasil avançou na alfabetização, com mais de 90% das crianças matriculadas nas escolas. No entanto, a qualidade de ensino é tão preocupante, que mesmo estudantes de curso superior podem ser classificados como analfabetos funcionais.
Por isso, é importante uma reforma plena no ensino médio, que contemple disciplinas que deem ênfase ao mercado de trabalho. Na maioria das matérias da atual grade curricular, o estudante não faz ideia por que as está estudando, o que prejudica sobremaneira o processo de ensino-aprendizagem.
O investimento em cursos profissionalizantes também é uma bandeira importante para acelerar a formação dos jovens para o mundo do trabalho, uma aspiração, principalmente, nas camadas mais carentes. Apesar da atenção que o tema vem ganhando nos últimos tempos, ainda estamos longe de atingir níveis de países mais desenvolvidos. Existe um déficit preocupante de profissionais qualificados que, quando o país voltar a crescer, ganhará ainda mais ênfase, como na época em que tivemos de importar profissionais de outras nações. Mesmo com bons salários, muitas empresas não conseguem preencher vagas pela ausência de qualificação. E com isso, cada vez mais, o país perde em competitividade internacional.
Com jovens bem formados, a criatividade para soluções inovadoras vai aparecer com mais constância. E quem tende a ganhar com isso somos todos nós. Temos de criar condições para que a juventude possa traçar um caminho de sucesso no mercado de trabalho, fruto de uma formação eficiente, associada à prática do estágio e da aprendizagem.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH)

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