Quando bater vira hábito

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O clássico da animação infantil A Bela e a Fera poderia nos contar outra história se pudéssemos cindir a história dos personagens. O sr. Fera um ser isolado, irritado, nervoso, sem paciência, que ao ouvir a palavra não, ou ao ser contrariado em algum aspecto da vida, reage agredindo verbal ou fisicamente.
Todo agressor não pode ser contrariado em suas ideias, vontade ou necessidades, invariável mente explodindo na sequência. Muitos usam do discurso do “estou fazendo justiça” ou o “só falo a verdade” colocando se como ser “sincero”. Todo agressor jura que tem razão justificando seus ataques. Falta total de diplomacia, menosprezo para com o sentimento dos outros, egoísmo, o tornam um ser com raros amigos.
Seu sobrenome é confusão, vive arrumando encrenca, afastando as pessoas de maior caráter de seu convívio. Aprende assim a viver mal, na confusão. Já viu alguém assim?
Gritar, bater portas, esmurrar, é um hábito construído em um indivíduo desde a infância em um projeto de educação liberal, no qual limites e imposição de respeito para com os demais membros da família não existem.
O comportamento de birra existente na primeira infância é perceptível em gritos, chutes , tapas, pontapés, mordidas e autoflagelação, observada em algumas crianças. O serzinho cresce, vira adolescente e as confusões aumentam.
Na vida adulta reage com o mesmo tipo de birra da infância, só que agora faz isto com amigos, familiares, em sua vida afetiva. O sr. Fera não respeita nada nem ninguém. Colocando-se como justiceiro e/ou vítima de injustiça. “Mas eu não fiz nada, os outros é que querem brigar comigo”…
Mulheres agressoras também são comuns em nossa sociedade. Elas usam, porém, outro tipo de agressão: a verbal.
Não é raro vermos em noticiários tais criaturas fazendo covardia com terceiros mais frágeis como idosos, crianças. A fofoca e a maledicência são outra arma muito usada pelos agressores.
Em consultório, atendi várias vezes as vítimas dos agressores. Esta é a discrepância deste convívio. Um agressor raramente se reconhece como um ser doente, só o fazendo após complicações graves, como problemas policiais, ou a perda de um ser amado. Quem procura ajuda normalmente são suas vítimas, o “saco de pancadas” que cansa de apanhar. O preço deste convívio normalmente torna-se depressão, fobia, um transtorno de estresse pós-traumático, problemas gástricos, distúrbios de sono e/ou a inapetência sexual.
Agressão hoje em nossa sociedade caracteriza se como crime, seja ela verbal ou física. Porém, o sr. Fera não reconhece limites, desafiando sempre a sorte e as possibilidades da vida.
Para as pessoas mais inteligentes, é recomendável o afastamento. Manter o convívio educado, sóbrio e polido mas distante. Fazer de tudo para evitar que um filho(a) tenha envolvimento afetivo com alguém deste perfil. Exigir respeito, educação e a ruptura do egoísmo são metas viáveis para que o problema fique sob controle.
Infelizmente nem toda Bela sobrevive ao sr. Fera! Um problema de amor próprio, autopreservação.

(Jorge Antônio Monteiro de Lima, analista, pesquisador em saúde mental, psicólogo clínico, músico e mestre em Antropologia Social pela UFG)

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