“O canedense quer ter sua identidade”

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O povo de Senador Canedo está cansado de ficar importando tanto o prefeito quanto o seu secretariado”, dep. Sérgio Bravo (PROS(

Representante de Senador Canedo na Assembleia Legislativa, o deputado Sérgio Bravo (PROS) diz acreditar que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vá reformar a sentença que cassou o registro da candidatura de Divino Lemes (PSD), eleito prefeito no município. Em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, Sérgio Bravo fala ainda da divisão do partido que, mesmo sendo da base do governador Marconi Perillo, apoiou Adriana Accorsi (PT) no primeiro turno em Goiânia, e Iris Rezende (PMDB), no segundo. O parlamentar fala ainda da falta de água no município e afirma que se fosse prefeito faria poços artesianos nos bairros.

Ronaldo Coelho e Marcione Barreira

Deputado, sua base eleitoral fica em Senador Canedo e existe um imbróglio judicial lá e ninguém sabe se Divino Lemes vai ser prefeito ou se vai ser realizada nova eleição. Qual a expectativa sua em relação a essa questão?
A nossa expectativa é que a Justiça Eleitoral resolva essa questão até a diplomação. Até este momento não resolveu ainda e tivemos essas ações negadas.

O Senhor acredita que há possibilidade de reformar essa sentença que já foi confirmada em primeiro e segundo grau?
Acredito que há possibilidade de reformar. Tanto é que a lei de Responsabilidade, ela é bem clara. Um dos questionamentos é o enriquecimento ilícito. Não teve enriquecimento ilícito por parte do prefeito eleito. Tanto é que a área está lá. A área já foi praticamente devolvida para a prefeitura. Então, não teve enriquecimento.

Mas a questão da improbidade não é só no enriquecimento ilícito, tem também a questão do prejuízo ao erário.
É, mas não teve. A área está lá devolvida para a prefeitura. Então, se ele usurpasse de um bem patrimonial da prefeitura, ele poderia sim ter cometido o crime de enriquecimento ilícito. Então, eu acredito que há possibilidade de reformar.

O senhor apoiou em Senador Canedo a candidatura de Divino Lemes?
Apoiei. O Divino é uma pessoa que eu iniciei minha carreira política ao lado dele. Tenho uma boa amizade com o Divino há muitos anos e espero que a vontade popular, que deu a vitória para o Divino, prevaleça.

Deputado, o senhor chegou até ser pré-candidato e dizia até que era irrevogável sua postulação. Por que houve essa mudança de postura?
Eu coloquei meu nome a disposição da população e estava até com 8%, 9% de intenções de voto. Devido à carência política da cidade de Senador Canedo pelo o ex-prefeito Divino, o povo queria mudança. Realmente estava clamando e pedindo a volta do Divino. Eu, percebendo essa situação, não quis ir a frente.

O deputado não encarnava esse sentimento de mudança, não conseguiu transmitir isso para a população?
Olha, eu fui vereador, mas não consegui alcançar toda a cidade. O vereador de Senador Canedo não consegue alcançar toda a cidade. Devido a vários mandatos consecutivos de vereador, quatro ao todo, e um mandato de deputado, você acaba tendo um desgaste político na cidade.

Caso a Justiça Eleitoral diga que tem que haver uma nova eleição como é que vai ficar. O senhor está disposto a agora colocar o nome novamente?
Olha, eu sou de grupo. Estou no grupo do Divino de forma que a gente vai conversar com ele para ver o melhor nome. Eu estou me preparando para minha reeleição de deputado estadual. Não estou pensando em disputar a eleição para prefeito de Senador Canedo caso a Justiça entenda que deve haver novas eleições. Eu penso que tem pessoas lá no grupo melhor preparadas para ser o prefeito de Senador Canedo.

Quem são os principais líderes desse grupo?
O nosso principal líder é o Divino. Dentro do grupo a gente se reúne com o Divino e ele vê qual é a pessoa do grupo que vai agasalhar, caso venha ganhar, para comandar a cidade.

O deputado falou em coronéis em Senador Canedo de 2005 para cá. O senhor está se referindo a Vanderlan Cardoso (PSB) e depois a Misael Oliveira (PDT), atual prefeito?
Eu não digo que é Vanderlan Cardoso porque ele já não está mais em Senador Canedo.

Mas ele esteve.
É, mas colocaram o nome dele lá como o homem que não perdia eleições. O candidato que ele apoiaria não perderia eleição. Foram usar o nome dele. Mas essa política de Senador Canedo, passando de A para B, ela chegou ao fim devido a carência política. O povo não quer isso mais. O povo quer alguém que tenha raiz na cidade.

Vanderlan foi prefeito lá mais de cinco anos. Qual a avaliação que o senhor faz da gestão dele?
No período que o Vanderlan foi prefeito ele foi um excelente prefeito. Muito bom. Eu vejo que ele hoje é de Goiânia. Não é mais de Senador Canedo. Tanto é que candidatou em Goiânia. No período em que ele esteve como prefeito foi um bom prefeito. Se você me perguntar se ele foi o melhor prefeito que já teve eu digo que foi, mas faltou muita coisa. A administração pública é sempre carente, mas o que ele pode fazer ele fez. Tanto é que ele conseguiu eleger vários prefeitos que ele apoiou. Mas chegou um ponto que o pessoal não quer mais.

Qual a avaliação que o senhor faz do atual prefeito Misael Oliveira?
Eu vejo que o Misael foi um dos melhores prefeitos que teve em Senador Canedo. Teve muita obra. Muita vontade de trabalhar. Misael é uma pessoa boa. Não tenho como falar nada do prefeito Misael. Mas a pessoa dele o povo não quis. Como gestor foi muito bom, mas a pessoa dele o eleitor rejeita.

Como é que a gente entende isso. Se a população aprova a gestão, mas não quer ele mais na prefeitura. O que ele fez de tão ruim para a população não gostar dele?
É uma questão de educação pessoal. Não adianta você ser um bom gestor se você não se educa politicamente para levar uma boa mensagem para a população.

Misael não teria carisma?
Isso. O carisma político dele é que o povo não quer na cidade. Refugou, rejeitou o prefeito. Eu não tenho muito o que falar do Misael. Eu fui oposição a ele, mas isso aí é ele com a população que não deu conta de digerir a pessoa dele.

Nesse período dos coronéis de 2005 a 2006 que o senhor citou a cidade avançou ou o senhor acha que não?
Olha, a cidade avançou muito nesse período. Mas eu vejo que a maior carência da população de Senador Canedo é de ter seu gestor,  que tenha endereço canedense. Que tem raiz canedense busca pela identidade porque a maioria dos gestores de 2005 para cá são todos de fora. E aí quando esses prefeitos ganham as eleições o morador de Senador Canedo fica de fora e as pessoas que chegam de fora ficam no lugar do cidadão de Senador Canedo.

Quer dizer que o canedense, ao eleger Divino Lemes, ele deu um recado claro: quer a sua identidade.
Exatamente. O canedense quer ter sua identidade. Seu secretariado, aquele cara que mora do setor X, no setor Y. Ele quer o administrador de casa. O povo de Senador Canedo está cansado de ficar importando tanto o prefeito quanto o seu secretariado.


No plano estadual, Pros segue na base marconista

Deputado, no plano estadual, o PROS é da base do governador Marconi Perillo (PSDB), mas nessas eleições o partido esteve dividido. Apoiou o PT no primeiro turno. Depois o PMDB, no segundo turno. A que se deve esse racha?
Olha, no nosso partido nós temos a questão estadual e a questão municipal. Nosso partido elegeu, na eleição passada, dois vereadores e a composição dos vereadores foi com o PT. Aí o partido caminhou de acordo com a composição municipal com a Adriana Accorsi (PT) no primeiro turno em Goiânia. No segundo turno o diretório municipal caminhou com o Iris. Já, eu, como deputado estadual, sou da base do governador. Eu conversei com o presidente estadual e o nosso entendimento foi para ficar neutro. Não apoiar nenhum dos dois candidatos. E assim eu fiz.

Apesar dessa divergência interna e do PROS municipal ter caminhado fora da base do governador, o partido permanece na base do governo estadual?
Vai permanecer na base. Eu estou na base do governador e vamos continuar dando sustentação para ele.

Falando agora de eleição, qual o cenário que o senhor vislumbra para essa base em 2018. Já tem nome, vocês já discutiram alguma coisa nesse sentido?
O nome que nós temos na base hoje eu o do vice-governador Jose Eliton (PSDB). O PSDB saiu muito fortalecido no Estado de Goiás. Foi o partido que mais cresceu com um número grande de prefeito no Estado. Então, eu acredito que a nossa base vai chegar forte em 2018 e vamos conseguir eleger o nosso vice.

O senhor, desde já, trabalha para se reeleger e permanecer na Assembleia após 2018?
Quando a gente está na vida pública a gente não para. A gente tem andando pelo interior ajudando os nossos prefeitos e fortalecendo a nossa base para conseguir a reeleição com muito trabalho.

Deputado, uma parte do partido caminhou com o Iris e outra está com o Marconi. O partido não corre risco de ficar dividido?
Olha, eu sou um membro do partido. Nós procuramos atender os prefeitos do PROS e atender às nossas lideranças no interior do Estado. Eu vejo que no momento ainda está muito prematura a discussão de 2018. O que vai ser decidido e que rumo que o partido vai tomar só na época certa e na hora certa. Agora é o momento de a gente trabalhar  e levar os benefícios para todo o Estado de Goiás.

Depois do processo eleitoral, qual a avaliação que o senhor faz do resultado obtido pelo PROS. Foi bom, deveria ter rendido mais. Como o sepitado avalia ao chegar ao fim do processo eleitoral?
Eu vejo que o nosso partido teve pouco espaço no nível nacional. Mas nós conseguimos crescer, por exemplo, em Senador Canedo. Tínhamos apenas eu de vereador e hoje nós temos dois vereadores. Nós tínhamos dois em Goiânia e mantivemos os dois na Capital e aumentamos também o número de prefeitos e de vereadores nas cidades do Estado. Nosso partido é um partido que a cada dia está crescendo mais.


“Se eu fosse o prefeito, faria poços artesianos em cada bairro”

Voltando a falar de Senador Canedo, vocês têm um problema sério lá, apesar da autonomia da gestão, que é a falta de água. O que está acontecendo, não há recursos, não há investimentos ou é má gestão?
Olha, eu acho que a cidade deveria ter planejamento de água. A cidade começou a crescer, então era preciso um planejamento. Não teve esse planejamento. Se eu fosse o prefeito de Senador Canedo, eu faria poços artesianos em cada bairro e vários reservatórios onde há realmente uma grande necessidade.

Por que isso não é feito se já tem a formula?
Isso seria feito se eu fosse prefeito. Como eu não sou prefeito, caso o prefeito Divino venha a assumir, eu vou orientar para que ele venha fazer vários poços artesianos em cada setor. E assim cada setor teria sua independência de água.

O senhor já deu essa sugestão para prefeito Misael Oliveira?
Eu não participo do governo, nem por meio de sugestão.

O senhor é deputado estadual e representante de Senador Canedo na Assembleia Legislativa. Isso já não poderia ser feito através do governo do Estado para ajudar a população lá?
Não teria como porque lá a água é municipalizada. Só se o município fizesse uma parceria com o governo, mas não sei se o prefeito conversou ou deixou de conversar com o governador para resolver essa questão.

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