O combate à corrupção não pode retroceder

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Como bem observou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a Operação Lava Jato conseguiu “envergar a vara” da corrupção sistêmica no país, que se encontra agora em um ponto de inflexão, próxima de ser superada. “Ou essa vara quebra, ou voltará chicotando todo mundo”, afirmou Janot no início do mês, ao ser por diversas vezes questionado, durante café da manhã com jornalistas, se algumas propostas de lei que tramitam no Congresso Nacional teriam o potencial de prejudicar o alcance das investigações do Ministério Público Federal. “A corrupção episódica não vai acabar. O que a gente tem é que controlar essa corrupção endêmica”, destacou. “No que diz respeito à endêmica, esta vara está envergada, e eu espero que seja sim a Lava Jato que vá quebrar essa vara, no sentido de vencer essa corrupção endêmica, essa corrupção sistemática”, disse. Na semana passada, a prisão de dois ex-governadores do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e Sérgio Cabral, o primeiro por compra de votos na eleição de outubro e o segundo por envolvimento em megaesquema de corrupção investigado pela Lava Jato, trouxe novamente à discussão a corrupção, essa corrupção brasileira, que persiste mesmo sendo combatida severamente. A conclusão que se chega é que não se pode descansar quando se tem um cenário de corrupção endêmica. É preciso foco, concentração de esforços e ação severa para enfrentar esse mal que assola o país, ceifa vidas e mantém o país nesse atraso colossal. Cálculos da Polícia Federal indicam que apenas o propinoduto montado na Petrobrás, envolvendo PMDB e PP, além do PT, causou um prejuízo de R$ 42,8 bilhões, 40% a mais do que o custo total do Bolsa Família em 2016. O Ministério Público calcula que o buraco tenha ficado em torno de R$ 20 bilhões, ainda assim bem acima das estimativas oficiais da empresa, divulgadas ainda no governo Dilma Rousseff, de “apenas” R$ 6 bilhões. Já um estudo realizado em 2010 pela Fiesp, a entidade que reúne os industriais paulistas, aponta que as perdas geradas por corrupção no País alcançam entre 1,38% (R$ 80 bilhões) e 2,3% (R$ 140 bilhões) do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Para efeito de comparação, a previsão do governo para 2017 é de um gasto de R$ 62,5 bilhões em educação e de R$ 110,2 bilhões em saúde, conforme dados apurados pelo jornal Estado de São Paulo. Daí, tem-se uma noção do rombo causado pela corrupção. Naturalmente, quem sofre diretamente na pele os malefícios desse verdadeiro assalto aos cofres públicos são os menos favorecidos, que não têm como se proteger de uma péssima saúde pública, que não tem condições financeiras para colocar os filhos em escolas particulares. Portanto, o Brasil, o povo brasileiro não têm outra saída a não ser enfrentar a corrupção, porque enquanto não eliminarmos esse mal de nossa sociedade, reduzindo os casos de desvio de dinheiro a níveis aceitáveis, estaremos fadados a conviver com a falta de recursos para serviços essenciais. Como sempre, o mais pobre é que paga o pato.

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