Mulher ainda sofre com dupla jornada de trabalho

0
3690

O crescimento econômico do Brasil vivenciado na última década antes da reeleição da ex-presidente Dilma, em 2014, não se refletiu em mais igualdade no mercado de trabalho entre homens e mulheres. Com ou sem crise, as mulheres brasileiras continuam trabalhando mais: cinco horas a mais, em média. E elas também continuam recebendo menos. Isso se deve principalmente aos trabalhos domésticos.
A renda das mulheres equivale a 76% da renda dos homens e elas não têm as mesmas oportunidades de assumir cargos de chefia ou direção. A dupla jornada também segue afastando muitas mulheres do mercado de trabalho, apesar de elas serem responsáveis pelo sustento de quatro em cada dez casas.
Todas essas constatações são da “Síntese de Indicadores Sociais – Uma análise das condições de vida da população brasileira”, divulgada na sexta-feira, 2, no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa estudou os indicadores entre os anos de 2005 e 2015.
As mulheres tendem a receber menos que os homens porque trabalham seis horas a menos por semana em sua ocupação remunerada. Porém, como dedicam duas vezes mais tempo que eles às atividades domésticas, trabalham, no total, cinco horas a mais que eles. Ao todo, a jornada das mulheres é de 55,1 horas por semana, contra 50,5 horas deles.
De acordo com informações da Agência Brasil, mesmo trabalhando mais horas, as mulheres têm renda menor, de 76% da remuneração dos homens. Esse número era de 71% em 2005 e reflete o fato de mulheres ganharem menos no emprego e também por não serem escolhidas para cargos de chefia e direção. Dos homens com mais de 25 anos, 6,2% ocupavam essas posições, contra 4,7% das mulheres com a mesma idade. Porém, mesmo nesses cargos, fazendo a mesma coisa, o salário delas era 68% do deles.
Apesar deste cenário, a pesquisa mostra que cresce o número de mulheres chefes de família. Considerando todos os arranjos familiares, elas são a pessoa de referência de 40% das casas. Entre aqueles arranjos formados por casais com filhos, uma em cada quatro casas é sustentada por mulheres. O percentual de homens morando sozinhos com filhos é mínimo.
Acompanhando a tendência mundial, as mulheres jovens entre 15 e 29 também estão em desvantagem em relação aos homens da mesma idade. No Brasil, boa parte delas interrompe os estudos e para de trabalhar para cuidar da casa. Entre o total de mulheres, 21,1% não trabalha nem estuda, contra 7,8% dos homens.
Todo esse cenário demonstra a urgência de ações do poder público para tornar igualitária a relação de trabalho e mesmo familiar da mulher. Isso pode ser feito de várias formas: com políticas diretamente voltadas para o reconhecimento e promoção da mulher no trabalho e também através de campanhas educativas permanentes que combatam a cultura de deixar para ela os afazeres domésticos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here