Goiânia recebe mostra de cinema fantástico

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Além de filmes, Mostra Internacional de Cinema, com temática fantástica conta também com lançamento de livros

Yago Sales

O cenário cultural em Goiânia está agitado. Durante cinco dias, na Mostra Internacional de Cinema Fantástico, a TRASH, organizado pela Escola Goiana de Desenho Animado e a MMarte Produções, no Cine Cultura, no Centro Cultural Marieta Telles Machado, filmes e lançamentos de livros chamam a atenção pela temática: a fantasia.
Na abertura, uma discussão envolta do cinema a partir do documentário “Nas Sombras do Medo: O Cinema de Terror no Brasil”, gravado em 2016, sob a direção de Simone Zuccolotto. A produção discutiu a fronteira entre o horror e o fantástico, com participação de alguns dos principais nomes do cinema nacional, como José Mojica Marins, o fantasmagórico Zé do Caixão, Kleber Mendonça Filho, Carlos Primati, Ivan Cardoso, Rodrigo Aragão, Laura Cánepa, Walter Lima Jr. e Gabriela Amaral Almeida.
Em sua 8ª edição, a TRASH foge do circuito convencional. Nesta edição, a Mostra, que se dedica aos gêneros terror, ficção científica e fantasia, trouxeram produções do mundo todo. Segundo organizadores, a tradição do sobrenatural e fantástico tem exercido enorme influência no cinema atual. Isto, de produções de pequeno orçamento a de grandes – com investimento milionário. O público tem crescido dado aos recordes de bilheteria e a vendagem de livros.
Os 14 países contribuíram com 8 longas-metragens e 46 curtas. “O número expressivo de inscrições, 2.393, aponta para algo que tem se falado há algum tempo: a produção dos filmes de gênero no mundo já não pode ser considerada uma questão de gueto, restrito a um pequeno público de fãs. A grande quantidade de novos festivais dedicada ao cinema fantástico também demonstra que há caminhos interessantes de produção a serem explorados”, destaca Márcio Júnior, criador e curador da mostra.
A Mostra contou ainda com oficinas de efeitos especiais em maquiagem e o cinema de Alfred Hitchcock, debates, mesas redondas, festas, lançamentos de livros e quadrinhos, além da presença de convidados muito especiais.


Jornalista lança história em quadrinhos

Na quinta-feira, dia 8, o estudante do 2° ano do ensino médio, Lúcio Martins, 16 anos, foi à Mostra para acompanhar, além dos filmes, os lançamentos de livros. E saiu com alguns deles debaixo do braço, sorridente. “Sou apaixonado por literatura fantástica”, disse, sem surpreender.
Depois das exibições, Lúcio aproveitou o lançamento e a sessão de autógrafos de alguns títulos e seus autores. Edgar Franco e Mozart Couto lançaram a 2° edição de BioCyberDrama Saga. Além da HQ do professor da Faculdade de Artes Visuais (FAV) Edgar Franco, o jornalista Francisco Costa lançou o seu HQ “A Última Fábula”. Em entrevista para a Tribuna do Planalto, Francisco conta um pouco de sua obra. Ambienta nos idos da Guerra dos Cem Anos, entre os anos 1337 e 1453 (com a duração de 16 anos), no final da Idade Média.
“A história acompanha o herói que dá nome ao título. Um jovem filho bastardo de um nobre com uma druida. Ele deixa sua mãe, na floresta, e vai viver no castelo do pai e precisa conciliar sua origem pacífica e ligada à natureza com seus deveres como cavaleiro, além da relação problemática com a madrasta e com o irmão”, revela.
Sobre o motivo de o jornalista ter ido tão longe à cronologia da humanidade, ele é restritivo: “Sou fascinado por idade média”. Tá, mas essa fascinação precisa de uma inspiração. Para ele, não tem outra referência melhor do que “O Senhor dos Anéis”. Sem contar que ele é fissurado, também, nas histórias do Rei Arthur e, claro, seus cavaleiros.
Por fim, Francisco conta que seu livro, “A Última Fábula”, discute o fim da era da magia. “Com o fim da era da magia (e a chegada da era dos homens) os seres mágicos decidem fazer alguma coisa”, conta.
Desde criança Francisco se dedica à leitura de quadrinhos. “Quando era criança o homem-aranha era meu herói favorito. Lembro de um desenho que ele atuava com outros dois heróis: o Homem de Gelo e a Flama. Achava incrível. Fui crescendo e nunca perdi o interesse. Como autor, na adolescência (pré, na verdade) tentava desenhar meus quadrinhos, inspirados em animes como Yu Yu Hakusho e até nos games Mortal Kombat. Mas eram, obviamente, brincadeiras, tudo amador mesmo”, revela.
Na sinopse, sem maiores revelações, pode-se ler: “A magia do mundo está acabando e os seres fantásticos não se conformam. O Rei dos Cavalos quer saber a verdade; dois ratinhos lutam para impedir o fim do mundo; uma montanha viva sabe que deve esperar; uma fada se prepara para última batalha; um feiticeiro está pronto para deixar a Terra. Mas no fim, a mudança é algo inevitável…”.
O livro é financiado pela Lei Goyazes. A capa foi do Zakuro Aoyama. As artes foram do Eduardo Araújo, Zoreia Diniz (Dirceu Sousa coloriu a dele), Gerson Moriyaso, Glauber Lopes, Elson Souto e Diana Doria.

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