“Minha decisão foi pensando no povo de Goiânia”

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Foto: Paulo José

Deixando o posto de vice-prefeito, o deputado estadual Major Araújo (PRP) tem agora apenas uma missão: cumprir o seu mandato na Assembleia Legislativa. Na semana passada, o parlamentar resolveu renunciar ao cargo de vice de Iris Rezende (PMDB) alegando menosprezo por parte da cúpula peemedebista durante a campanha. O deputado expôs à Tribuna do Planalto suas razões, entre elas a de que a coordenação de campanha tentou escondê-lo da imprensa com o objetivo de não gerar desgaste para Iris. O PMDB nega que o fato tenha ocorrido. Major Araújo disse ainda que chegou a sugerir sua substituição, entretanto, Iris pediu-lhe para continuar. O agora ex-vice-prefeito eleito destacou que não tem nenhuma crítica a fazer a Iris Rezende e pediu para que todos os companheiros o ajudem no próximo ano, que vislumbra ser de muita dificuldade. Disse ainda que pesou para sua decisão o fato de que, se saísse da Assembleia Legislativa, deixaria de representar seu segmento (policiais militares), a quem, segundo ele, deve as duas eleições que venceu para deputado estadual. Segundo Major Araújo, ele estará sempre à disposição do prefeito para dar respaldo sobre alguma demanda na Assembleia.

Marcione Barreira, repórter de Política

Assim que foi escolhido vice de Iris Rezende (PMDB), nós conversamos e o senhor dizia estar muito entusiasmando com a militância do PMDB e completou dizendo que seria um privilégio ser vice de um nome consagrado como o dele. Agora, no entanto, decide renunciar a vice. Foi muito difícil tomar essa decisão?
Foi sim. Claro que foi. Nós fizemos uma aliança que pode ser comparada até a um casamento. Tivemos uma lua de mel e depois houve os problemas com a convivência e tal. Isso criou vínculos muito fortes, a militância me recebeu bem. As pessoas, especialmente os líderes mais antigos, me receberam muito bem e eu não tenho nenhum reparo a fazer na relação que nós tivemos. Mas tem ali um pessoal que hoje é muito influente no PMDB. Na campanha a maior parte esteve na coordenação. Esse pessoal tinha resistência ao meu nome desde o inicio. Chegou até a sugerir outro nome. Chegou a sugerir no decorrer da campanha a troca do vice com alegações que não se sustentam. Por exemplo: o desgaste com a exposição negativa na campanha do adversário, o fato ocorrido na UFG, qualquer coisa virava motivo para questionar a minha permanência ali como vice alegando para o Iris que ele poderia perder a eleição com os desgastes que eu estava causando. Isso tudo veio depois. Mas não é confortável tomar uma decisão dessas.

Como foi a conversa com Iris antes do anúncio oficial?
Conversei com ele na segunda-feira pela manhã e coloquei os mesmos fatos que eu estou colocando para a imprensa. Em dado momento eu mesmo cheguei a sugerir a substituição do vice para não trazer constrangimento para ninguém. Não tinha problema nenhum nisso. Não estava atrás de emprego. Eu sempre afirmei para o Iris que mais do que ser vice eu queria eleger ele. A minha renúncia na campanha chegou a ser sugerido para ele, para a Ana Paula (filha de Iris Rezende), para o presidente do PRP Jorcelino Braga. Com todos eles eu tratei a respeito desse assunto afirmando que não queria trazer nenhum prejuízo para a campanha. Certo que eu nunca faltei com a transparência nem durante a campanha e nem agora após a eleição vencida.

O fato de ter sido criticado durante a campanha pelos próprios aliados naquele período pesou mais para essa decisão do que a necessidade de representar o segmento militar na Assembleia?
Somado a esses problemas que foram ocorrendo eu tinha um apelo por parte do meu segmento para que eu permanecesse na Assembleia Legislativa. Foi o segmento que me lançou deputado estadual, me elegeu para dois mandatos do qual eu tenho toda obediência, devoção e sou escravo desse pessoal até por tudo que fez nas minhas campanhas. O segmento sempre me mantém entre os 40 mais bem votados. Eu fui o primeiro militar a ser reeleito, enfim, essas coisas todas eu tinha que considerar.

Conversei com Iris na última semana e perguntei a ele sobre essa questão. Ele disse que qualquer decisão que viesse do senhor seria de bom senso. Como ele recebeu esse comunicado que o senhor iria renunciar ao cargo de vice?
Eu comecei o assunto dizendo para ele que havia tomado a decisão e depois apresentei os motivos. Tivemos um diálogo de, mais ou menos, 1h30min muito agradável. Acho que o Iris, até por ter exercido a função de vereador, deputado, governador por duas vezes, senador, ministro, e prefeito agora eleito para o quarto mandato, soube compreender isso. Ele com toda essa bagagem teve compreensão de nesse momento se colocar no meu lugar. Então, ele demonstrou muita compreensão e o papo foi muito agradável. Ele disse que era uma pena, lamentou, disse que gostaria muito de me ter como vice, mas nada a mais do que isso.

Deputado, o partido chegou a pedir para que permanecesse na vice ou não houve diálogo nesse sentido?
Não. O partido conviveu com toda essa situação. Então, era natural que compreendesse. Para o partido não há prejuízo. Se por um lado ele perde o vice de Goiânia, por outro, ele mantém um deputado na Assembleia. Se tivéssemos que tomar posse, perderíamos uma cadeira na Assembleia e essa cadeira também torna o partido maior. A presença de um deputado na Assembleia e três vereadores em Goiânia fez com que o partido crescesse muito nessa eleição. Uma coisa compensa a outra. Não trouxe grande prejuízo para o partido. O presidente do meu partido me conhece, ninguém me conhece melhor do que o Braga (Jorcelino Braga, presidente do PRP) e ele sabe que essa decisão que tomei é justamente para o bem da própria sigla, para o bem do Iris, de Goiânia e para mim.

O que o senhor poderia dizer para o eleitor que votou no PMDB?
Eu peço a compreensão de todos. A nossa decisão foi pensando em Goiânia. No povo Goianiense e no próprio PMDB, no Iris Rezende, no meu partido. Foi pensando especialmente no povo de Goiânia, a quem não interessa conflito dentro de uma administração entre seus próprios membros.


“Sou irista e vou torcer por ele” 

Ele (Iris) com toda sua bagagem teve compreensão de, nesse momento, se colocar no meu lugar”
Ele (Iris) com toda sua bagagem teve compreensão de, nesse momento, se colocar no meu lugar”

Durante a campanha, quem foi o maior crítico do senhor dentro da coligação?
Os boicotes que eu sofri e as censuras diziam respeito a alguns fatos que ocorreram. Por exemplo: em dato momento eu fui convidado por emissoras de TV para uma sabatina, eu e o vice do Vanderlan (Thiago Albernaz). A coordenação de campanha ligava lá e falava que eu não iria porque eu tinha outra agenda. Na verdade, eu não tinha agenda nenhuma. Isso era simplesmente para boicotar, para não permitir que eu fosse. Em outro momento criaram uma agenda para o Iris e outra para mim. A minha agenda não tinha presença do marketing de campanha, não tinha a imprensa porque ela não era informada. A própria imprensa começou a noticiar que a coordenação de campanha estava me escondendo. Então, essas questões todas eu sinto como uma censura, boicote por parte da coordenação do PMDB. Por esse motivo quis sair antes que fosse tirado sem minha vontade. Quem me bancou ali foi o Iris, mesmo contra todos. Ele sempre repeliu qualquer tentativa de me substituir. Sempre manifestou para mim a satisfação de me ter como vice. A ele eu devo toda a gratidão e respeito. Sou irista e vou torcer por ele. Vou dar suporte político para o que ele precisar.

O PRP não tem mais vínculo com a prefeitura, a não ser com os vereadores que elegeu. O senhor não tem mais vínculo com a futura administração.
Não. Nenhuma. Mesmo ele deixando abertas as porta da prefeitura. Eu gostaria muito que todos aqueles que lutaram contra a minha permanência ali fizessem a mesma coisa que eu estou fazendo e abrisse mão de qualquer estrutura de qualquer coisa a fim de ajudar o Iris. Agora, com esse momento difícil que vive o Brasil e Goiânia ele está precisando de ajuda. Mais do que ajudar, especialmente aqueles peemedebistas que estão ali no comando, precisam agora da compreensão e ajudar o Iris a resolver os graves problemas de Goiânia, inclusive sugando o mínimo possível a administração.


Após desistência, deputado  sofre críticas na Assembleia

Depois de anunciar sua renúncia, o deputado Major Araújo teve que ouvir fortes indiretas vindas da base do governo. O deputado estadual Santana Gomes (PSL) não poupou o colega parlamentar e durante sessão plenária na Assembleia criticou a atitude do ex-vice de Iris Rezende.
Santana não fez menção ao nome de Major Araújo, mas as palavras tinham endereço certo.
“Está acontecendo um estelionato em Goiânia. Já vi partido de aluguel. Mas candidato de aluguel é a primeira vez. É um absurdo o que estão fazendo. Você empresta um nome, a sociedade acredita. E depois sai e não cumpre o prometido”, disse.
Um dos defensores mais fortes do governo, o deputado Santana Gomes já travou vários duelos com Major Araújo. Quase sempre um respondendo o outro com réplicas e tréplicas em assuntos que envolvem o governo do estado. Dessa vez, no entanto, partiu de Santana as críticas ao deputado do PRP.

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