O que esperar de 2017?

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Se o Brasil passou por momentos conturbados desde 2013, quando uma série de manifestações contra a corrupção principalmente varreu o país de cabo a rabo, e chegamos em 2016 com o defenestramento de uma presidente eleita e consequentemente a retirada do poder do partido político que comandava o país desde 2003, o que esperar de 2017, ano que começa em meio à maior crise econômica que os brasileiros já enfrentaram? Os prognósticos não são nada positivos, já que à recessão econômica soma-se também uma grave crise política, que ameaça engolir o presidente da República e seus principais ministros.
A proliferação de denúncias de corrupção contra o presidente e seus ministros deve intensificar a oposição da opinião pública ao governo Temer, o que pode desencadear uma nova onda de protestos nas ruas.Caso a conjuntura da economia não apresente sinais de recuperação, o setor produtivo pode vir a retirar o apoio à equipe econômica do governo Temer.
A megadelação premiada da cúpula da empreiteira Odebrecht tem o potencial de jogar combustível altamente volátil não apenas no presidente da República e seus principais aliados. Pior ainda, o presidente da República foi envolvido, juntamente com seus braços direito e esquerdo, e todo o núcleo dirigente do PMDB, no caixa 2 e propinoduto da Odebrecht.
Certamente, haverá ainda muita turbulência. A permanecerem as recentes e recorrentes divergências entre as instituições, principalmente entre os poderes Legislativo e Judiciário, pode-se até mesmo vir a se estabelecer uma efetiva crise institucional. As perspectivas decorrentes dos conteúdos das delações premiadas que devem emergir em 2017 agravam e reforçam essa possibilidade. Esses conteúdos devem provocar também a substituição de uma quantidade expressiva de ministros ainda nos primeiros meses do ano.
Nesse contexto, a fragilização do governo, a piora do cenário econômico e a insatisfação popular podem atingir tamanha dimensão que, embora resistente à renúncia, em função da proteção que o cargo oferece contra o processamento por crimes cometidos antes do mandato, o presidente pode ver-se constrangido a realizá-la.
Se antes do vazamento a rejeição ao governo havia subido, pode-se imaginar o que vem por aí. De um lado, a turma de verde e amarelo vai ficando sem ter para onde correr. De outro, aqueles que mais dependem do Estado e sua rede de proteção social vão começando a perceber, ao somar a PEC 55 e a proposta de reforma da Previdência, que a conta da austeridade lhes será enviada.
A crise não deve passar em 2017. Na economia, as previsões otimistas foram abandonadas. O Congresso aprofundou seu desgaste. E o Supremo, ao relevar a afronta de Renan em nome da “governabilidade”, acabou também pagando o seu preço.
Não é possível dizer com certeza quanto tempo irá durar o governo Temer. Isso vai depender da Lava Jato e dos humores da sociedade, para não falar do Tribunal Superior Eleitoral. Todavia, se está ruim com Temer, pior sem ele. Portanto, o país vive um momento de muita tensão política, econômica e social, que poderá ser superada com melhoria significativa no cenário econômico, que trará reflexos na situação política.

Manoel Messias – Editor Executivo

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