Andrey mira a presidência da Câmara de Vereadores

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“Temos de desburocratizar a máquina, contribuir através de leis para que a gente possa simplificar a vida do cidadão”

De família mineira com expoentes na política e na administração, como a mãe, jornalista e ex-deputada Rachel Azeredo e o tio Edson Sales, o vereador eleito Andrey Azeredo, do PMDB, simboliza o que se pode chamar da nova face da Câmara de Vereadores de Goiânia. Jovem, preparado e articulado, ele se fez político na prática, exercendo nos últimos 10 anos cargos espinhosos e importantes no município de Goiânia, como secretário Municipal de Trânsito, onde implantou projetos de destaque na área de mobilidade urbana, como a priorização dos ciclistas no trânsito. Confiante, o advogado afirma que pretende exercer na plenitude o mandato conseguido nas urnas e descarta assumir cargo na gestão de Iris Rezende, a quem só tem elogios. Aliás, ele diz não ter dúvidas que Iris fará a melhor administração já vista em Goiânia. Sobre a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara de Vereadores, ele afirma que está expondo projetos e propostas para os 34 colegas eleitos e, havendo resposta positiva, irá disputar a presidência.

Daniela Martins, Manoel Messias e Marcione Barreira

Tribuna do Planalto – O sr. foi eleito com mais de 4 mil votos. O ano se inicia com perspectivas que não são boas. O que esperar dessa nova legislatura, quais as expectativas do vereador Andrey Azeredo para esse novo ano?
Andrey Azeredo – Vejo que as perspectivas são boas. Temos dificuldades em algumas áreas, especialmente na área econômica no Brasil como um todo. E também conflito entre poderes. Acredito que mais do que nunca é preciso prudência e boa vontade de todos os atores envolvidos no processo político de gestão, de organização das instituições nacionais, estaduais e locais para que a gente possa avançar, avançar promovendo aquilo que a gente mais deseja que é oportunidade para o cidadão. Hoje temos, no caso de Goiânia, uma cidade onde a prestação de serviço público é aquém do mínimo ideal, não atende a toda a população. Uma prestação de serviço lenta, burocrática. Temos que modernizar essa máquina, inovar, trazer novidades e, com isso, prestar um melhor serviço a um custo menor para a população para que a gente possa voltar a melhorar a qualidade de vida, dando mais oportunidade a todos.

A população sentirá mudanças a partir dos próximos meses, será visível a mudança na administração de Goiânia?
Tenho convicção. O prefeito Iris Rezende está imbuído da maior vontade que já vi num gestor, num político goiano, para de fato realizar a melhor gestão da cidade de Goiânia, a melhor gestão da vida dele. E olha que ele tem um histórico de ter só gestões vitoriosas. A população de Goiânia vai, em muito breve, ver a prefeitura ocupando os espaços, trabalhando, realizando serviços de qualidade a um custo adequado.

Como o Andrey Azeredo, na Câmara Municipal, junto à base do governo, poderá ajudar o prefeito a conduzir a prefeitura que, segundo o próprio Iris, não tem uma situação financeira boa?
Analisar com profundidade os projetos que porventura o Executivo apresentar, discutindo com toda a sociedade, ouvindo as partes e, com isso, contribuir na melhoria do projeto para que a gente possa de fato ter as mudanças necessárias. O que o Andrey vereador deseja muito é desburocratizar a máquina, contribuir através de leis para que a gente possa simplificar a vida do cidadão. Não tem cabimento mais você querer abrir uma empresa em Goiânia de atividade de baixo impacto e demorar 30, 40, 50 dias, alguns meses para abrir. Quando você está iniciando uma atividade econômica, isso é empreendedorismo, é geração de emprego, produção de riqueza. Temos que facilitar isso. Temos o sistema Integrar, da Junta Comercial, que é um programa nacional da Rede Sim, que faz com que tudo seja resolvido on-line para que, em até cinco dias, o empreendedor tenha o seu alvará de funcionamento, sem vistoria prévia, sem nada. Basta que o município de Goiânia integre a Redesim, o que não ocorreu até agora. Isso gera benefício direto, desburocratiza, facilita para todos. São atividades e ações como essa que eu quero trabalhar e trabalharei com muita determinação.


“Goiânia deve atrair a indústria limpa para gerar emprego e renda”

Falta a Goiânia uma política de atração de empresas?
Quero me posicionar como entendo essa questão. Primeiro, você tem que ver a concepção de cidade. Há décadas, o poder público em Goiânia priorizou a qualidade de vida, priorizou as áreas verdes, priorizou aquilo que Goiânia tem como característica básica, prestação de serviço e comércio. E as cidades vizinhas, antigas cidades dormitórios, por terem uma vida econômica ativa, foram sendo destinadas para os distritos industriais. Aparecida de Goiânia é a cidade que teve esse último boom industrial, graças a uma gestão vitoriosa do prefeito Maguito Vilela, também do PMDB. E isso tem uma razão de ser, foi a opção administrativa que aqueles que estavam no poder e foram eleitos pelos cidadãos de Goiânia tinham em mente: gerar aqui qualidade de vida, fomentando essas duas áreas, comércio e prestação de serviço.

Não é possível conviver com as duas situações? Afinal a cidade precisa não necessariamente de fábricas poluidoras, mas de gerar emprego.
Concordo, porém, eu não completei na resposta. Tenho convicção do que o que você falou está correto. Temos que buscar a indústria limpa e um exemplo foi o que ocorreu no primeiro mandato de 2005 a 2008 do prefeito Iris Rezende, quando ele concedeu na região central de Goiânia um incentivo fiscal para atrair empresas da área de tecnologia, para ocupar novamente o centro da cidade, que é a área de melhor infraestrutura. Porém isso não avançou porque falta de integração entre os projetos tributários de âmbitos estadual e municipal, para que a atração de fato ocorra. Essa questão de integração de política tributária precisa ser encarada no Brasil em razão até do momento que vivemos. E vejo que está começando a ser delineado. O Estado apresentou à Assembleia um novo marco que trata de áreas sensíveis que afetam a todos e que não tem solução exclusiva em qualquer um dos municípios, como transporte público, a questão do lixo, do saneamento e abastecimento, o que mudará a concepção da gestão bem como dos investimentos nessas áreas, em especial na região metropolitana de Goiânia.


“Tenho conversado com todos os vereadores sobre a eleição da Mesa Diretora”

O sr. conversou com Iris sobre essa a eleição da Mesa Diretora?
O prefeito Iris tem se posicionado como esse sendo um assunto do Legislativo. Ele foi eleito para o Executivo. Terá uma postura profícua com os vereadores a partir do dia 1º de janeiro, mas respeita a autonomia e as qualidades do parlamento e que nós busquemos entre os 35 vereadores o representante para o parlamento.

A base do prefeito dentro da Câmara é suficiente para eleger um nome?
Não. O grupo da oposição teve mais vereadores. Mas vejo que a questão da eleição se encerrou para o Legislativo dia 2 de outubro. Agora, os 35 eleitos fazem parte de um poder para o cidadão a partir do mês de janeiro.

Dentro do PMDB tem dois nomes que também tem esse mesmo objetivo que querem ser presidente, Wellington Peixoto e Clécio Alves, além de Paulinho Graus (PDT), que apoiou Iris na eleição. Como convencer esses nomes de que o sr. pode presidir o Legislativo municipal?
Ainda não me anunciei como candidato. Meu nome tem sido citado desde que terminou a eleição. Tenho conversado com todos os 34 vereadores, temos que discutir os projetos. Essa questão de nomes vai naturalmente se afunilar. Se no momento oportuno os vereadores entenderem que tenho condições de ser candidato, farei o anúncio da minha candidatura e, caso contrário, direi que não serei e vou explicar os motivos, mas isso ainda não está decidido. Tenho conversado muito com Clécio Alves, Wellington Peixoto, Paulinho Graus e não só eles, mas com todos os outros que estão e estarão na Câmara e com aqueles que se manifestaram no sentido de se candidatar.

A Câmara aprovou o Orçamento Anual com um valor 1,12% menor do que o previsto para 2016. Isso seria um vislumbro de dificuldades em 2017?
Vejo que é um orçamento mais realista. Uma coisa importante agora e para os próximos anos, já que a PEC do teto de gastos vai gerar uma mudança de comportamento em todos entes federados. A partir de agora, o orçamento do ano que vem é que vai estabelecer quais são as prioridades.

Dentro desse contexto a mobilidade orçamentária fica mais limitada, porque se tem verba carimbada para saúde, educação, além da folha do funcionalismo. Como avançar?
Pois é, você tem verba carimbada para saúde, 15%, educação, 25% e outros compromissos. Tem também um crescimento das despesas com servidor. Tudo isso diante de um cenário econômico onde a atividade está em declínio.

Neste cenário, uma figura experiente como Iris é importante?
Traz credibilidade, respeitabilidade e faz com que as portas se abram em Brasília. O Iris é do PMDB, o presidente da República é do PMDB. Acredito muito em parcerias vindouras e de muitos benefícios para Goiânia.

O sr. se elegeu também por ter desenvolvido um trabalho na área de mobilidade urbana. A sociedade já exige uma política permanente nessa área?
O cidadão espera isso, mas não há ainda dos governos essa perenidade. Não existem projetos de município. Existem projetos de governo de quatro em quatro anos e isso precisa mudar. A mobilidade é um assunto muito sério. Interfere diretamente na qualidade de vida. Temos que buscar priorizar a integração dos modais, a conclusão do plano de mobilidade que foi contratado pela atual gestão municipal e que vai ter sua grande execução em 2017, que é de fato o documento que vamos ter para orientar o desenvolvimento, para avançar na integração dos modais, avançar em políticas cicloviárias que geram qualidade de vida e menos poluição e retiram os carros das ruas. Temos que priorizar o transporte público e eu defendo o subsídio. Não vamos gerar despesa para o Executivo, vamos compensar com a criação de fontes alternativas de receita. Se ampliarmos o estacionamento rotativo pago de Goiânia isso gera receita. Temos o mobiliário urbano da cidade de Goiânia que não é explorado na sua potencialidade máxima.


“Defenderei as prerrogativas dos vereadores de forma intransigente”

O prefeito eleito Iris Rezende deve trabalhar em parceria com o Estado, deixando de lado as divergências políticas?
Usarei palavras que foram ditas pelo prefeito eleito Iris Rezende. Ele sempre buscou parcerias e sempre as buscará, seja no âmbito estadual ou federal. Mas nunca abrirá mão de defender com determinação e de forma intransigente os direitos de Goiânia. Neste sentido, acredito que as parcerias existirão, serão aprimoradas, até devido à questão da região metropolitana, Goiânia é o principal ator nesse processo e deve estar sempre em conjunto com os demais buscando melhor solução, apresentando ao Estado ou recebendo aquilo que ele conceder para que possamos avançar de forma integrada, trazendo qualidade para todos.

Como estão as articulações para a eleição da presidência da Câmara, já que, com a renúncia do vice Major Araújo, essa eleição ganha mais importância?
Com relação à renúncia do deputado estadual Major Araújo, nosso vice-prefeito eleito, vejo que essa é uma decisão dele, respeito a decisão. E acredito que é aquilo que ele percebeu que era melhor para ele e seus eleitores. Com relação à importância da presidência da Câmara nesse contexto, muitos têm dito que hoje mudou muito de significado, não vejo assim. Temos um prefeito eleito, que goza de muita saúde, e que tem grande qualidade de vida. E mesmo que tivesse algo, se um afastamento ocorrer por parte dele, temos eleição direta. É o que está na Constituição. Então presidente de Câmara não vai virar prefeito. Está se dando uma dimensão maior do que a real para o futuro presidente da Câmara, na minha concepção. É claro que, eventualmente, se o prefeito se ausentar de Goiânia, em uma viagem, o presidente da Câmara que estiver exercendo será o prefeito de forma transitória, pontual.

Mas como estão as articulações para a eleição do presidente?
Não sei dos demais, vou te falar do Andrey. Tenho conversado individualmente com cada um dos 34, até porque, independe de eleições para presidente, em tese vamos conviver quatro anos, de forma conjunta. O parlamento é por natureza uma casa de divergência, de conflito de ideias e, eventualmente, de consenso, de convergência, mas percebo que hoje o Legislativo tem sido desmerecido, tem sido agredido de forma singular. Então, a primeira conversa que tenho tido com todos é o que nós queremos para o Poder Legislativo goianiense, como vamos nos portar. Se nós, vereadores eleitos e os atuais que foram reeleitos, não nos dermos o valor, nos dermos respeito, o Poder não será respeitado. Parte de nós a primeira obrigação de bem representar a cidade, trabalhar com seriedade, aprofundar nos discursos, fazer com a melhor dedicação nosso trabalho. Em razão disso, aqueles que comungam da mesma ideia, que são muitos, que estão preocupados com a transparência da Casa, dos nossos atos, fazer realmente uma abertura geral do Poder Legislativo para o goianiense, vamos nos próximos dias sentar, conversar, aglutinar aqueles que pensam da mesma forma e a partir daí, se entendermos assim, buscar um candidato de consenso, apresentar um nome que seja viável, que contemple o Poder.

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