“Pegamos a Comurg numa situação crítica, preocupante”

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Denes Pereira: “Há muitas dívidas e a dificuldade está em todas as áreas da prefeitura. Realmente as prioridades deles [ex-gestores] foram outras” (Foto: Fotos: Paulo José)

Presidente estadual do PRTB, graduado em Administração de Empresas e pós-graduado em Gestão Pública, Denes Pereira Alves foi escolhido para comandar o órgão mais importante da prefeitura de Goiânia: a Companhia Municipal de Urbanização (Comurg). Mas ele não chegou de paraquedas. Próximo do prefeito Iris Rezende, Denes já ocupou importantes cargos na Capital, como assessor da presidência do Dermu/Compav, diretor da Secretaria Municipal de Governo, assessor especial do prefeito e diretor do Fundo Municipal do Meio Ambiente. Agora, tem um grande desafio, que quer dividir com a população de Goiânia. “A Comurg está ligada diretamente com a qualidade de vida da cidade. A hora que você deixa de cuidar, de roçar, de recolher o entulho a qualidade de vida diminui bastante, mas nós não damos conta sozinhos. A prefeitura vai fazer a sua parte, mas a população de Goiânia precisa entender que ela também tem uma responsabilidade com a limpeza da cidade”, ressalta. Denes Pereira garante que está pronto para trabalhar, como gosta de enfatizar o prefeito Iris Rezende, os quatro anos da administração sem tirar férias. “Estou honrado de fazer parte dessa administração, de estar dirigindo um órgão tão importante como é a Comurg e de trabalhar dia e noite para que eu possa honrar o convite de Iris”, destaca.


Daniela Martins, Manoel Messias e Marcione Barreira

Tribuna do Planalto – Em que situação o sr. encontrou a Comurg?
Denes Pereira Alves – Numa situação crítica, preocupante. A gente imaginava que encontraria a Comurg em uma situação difícil. A cada momento que você vai pegando balancetes, vendo a realidade financeira, os patrimônios da empresa, de máquinas, de caminhões, você assusta cada dia mais. Chegamos aqui e todos os fornecedores haviam cortado o fornecimento da empresa. Temos uma frota própria de 60 caminhões compactadores, que coletam lixo, mais sete locados e estamos até pedindo mais sete para dar conta da demanda. Mas dos 60 caminhões da empresa, havia 16 ou 17, se não me engano, funcionando. Mais de 40 caminhões no estaleiro, no estaleiro mesmo, sem botar as rodas no chão. Quer dizer, sem pneus e peças que os fornecedores deixaram de fornecer. Toda manutenção tinha parado. Como você coloca esses caminhões pra rodar do dia pra noite? Não é fácil, mas a credibilidade do prefeito Iris Rezende nos ajudou demais com relação a isso. Convidamos todas as empresas para conversar e deixamos bem claro que existe um passivo para pagar a essas empresas. Até 31 de dezembro tem esse passivo e nós, da Prefeitura de Goiânia, vamos buscar um caminho para resolver. Expliquei que, a priori, o que for entregue em janeiro, eles vão receber. O que entregar dentro da gestão do prefeito Iris Rezende vai ser pago. E os empresários, sabendo da credibilidade do prefeito, mais do que depressa voltaram a fornecer. A maioria, com muita dificuldade financeira, voltou a fornecer. Então já conseguimos colocar mais de 60%, 70% dos caminhões rodando. A coleta de lixo que estava defasada há bastante tempo já colocamos em ordem. Tinha uma determinada empresa, que tem contrato licitatório, devidamente aprovado pelo Tribunal de Contas, que tinha tirado 100% da frota. Quer dizer, não tem como tocar a Prefeitura de Goiânia sem a frota de caminhão, de trator, de máquina, de caminhão-pipa. Foi o mesmo processo, chamamos a empresa, eles acreditaram no prefeito Iris e retornou parte do maquinário. Precisamos de mais maquinário, evidentemente, para colocar a cidade em ordem. A determinação que recebemos do prefeito Iris foi muito clara. Sabemos da situação econômica da prefeitura, mas precisamos colocar a cidade em ordem o mais rápido possível.

Com relação ao gestor anterior, além desse problema de fechamento das contas, houve má administração?
Entramos aqui dia 2 de janeiro assustados com a situação da cidade. Olha, tem muita dívida, muito passivo, eu acho que as prioridades deles foram outras. As prioridades não foram as necessárias para se cuidar da cidade. Eles vão responder por isso, são situações em que a justiça e a Lei de Responsabilidade Fiscal vão resolver, não somos nós. Agora, estamos apontando as dificuldades. Cada vez que você pega um balancete, um levantamento, você se assusta. Temos levado todas as dificuldades, diariamente, ao prefeito. Ele está tomando ciência da dificuldade, em especial da Comurg. Mas essa dificuldade está em todas as áreas. Eu falo com o secretário de Infraestrutura, e ele está com dificuldade de tapar os buracos da cidade. A cidade estava completamente esburacada, e hoje você anda pela cidade e percebe que o trabalho está sendo feito. Assim como a coleta. Realmente, as prioridades deles foram outras.

“Cortamos todos os excessos”

Qual o tempo estimado para que o trabalho da Comurg esteja normalizado, em quanto tempo a cidade vai estar limpa e organizada?
A coleta orgânica, que é a coleta de lixo que é o que incomoda demais, já conseguimos colocar em ordem. Agora, temos um problema crônico que é a questão de lixo na cidade, de entulhos, de remoção, que é outra situação em que estamos trabalhando dia e noite, em três turnos, aos sábados e domingos. É uma força-tarefa que estamos fazendo em Goiânia, é um serviço mais dispendioso. Dar uma data para isso é muito difícil, mas a determinação do prefeito é a de que o mais rápido possível a gente esteja com a cidade em ordem. Estamos trabalhando para que isso volte a ficar em ordem. Temos algumas situações, como a coleta seletiva, que é extremamente importante para a cidade, para as cooperativas de reciclagem, e que estava parada há mais de 30, 40 dias. Se você para de recolher, vira o caos que nós vimos na cidade. Voltamos a coleta seletiva imediatamente, está trabalhando também diariamente. Temos a questão da roçagem que se agrava demais nesse tempo chuvoso, estamos tentando atacar os pontos principais da cidades. Estávamos com quase cem homens limpando o Cemitério Parque, terminaram ontem [dia 18] e já estão indo para o Cemitério na saída de Bela Vista. Assim, o trabalho está ininterrupto, não para.

Vira e mexe, a Comurg aparece como um órgão que paga grande salários para seus diretores. Administrativamente, a estrutura que a empresa tem hoje, o sr. já deu uma analisada, será precisa mudar?
Não tenho esse levantamento ainda em mãos, mas pedimos para fazer esse levantamento. O que tenho percebido, e a pergunta é importante, é que criou-se uma imagem de que a Comurg paga salários exorbitantes para todo mundo, mas o que a gente tem percebido nesse pouco tempo é o contrário. O que aconteceu algumas vezes é que tem pessoas que estão 30 anos na empresa, e com isso vão acumulando gratificações, incorporações. A determinação do prefeito é que se verifique todas essas situações. Hoje ninguém ganha acima do teto, que é R$ 22 mil, o salário do prefeito.

Todo início de mandato, Iris costuma dar um choque administrativo, com cortes de gastos. Na Comurg está acontecendo isso?
Tenho um passado de administração ao lado de Iris Rezende, trabalhei na antiga Dermu/Compav, que hoje é secretaria de Infraestrutura, fizemos o maior programa de asfalto da história da cidade. Asfaltamos 134 bairros. Participei daquele programa como chefe de gabinete da Companhia, depois fui para a secretaria de Habitação e entregamos quase 10 mil casas e deixamos outras tantas para entregar na administração seguinte. Passei na Agência Municipal de Meio Ambiente, na Secretaria de Governo, então eu conheço o estilo Iris Rezende de administrar. A ordem dele, no dia 1º, foi cortar todos os excessos. Sabendo disso, todas as gratificações hoje estão cortadas, comissionados foram cortados. Todos os excessos de telefone, de água, de luz, de carro, está ficando só o essencial que não atrapalhe o andamento da empresa. Todos os gastos que estavam sendo feitos e que a gente entendia que não eram necessários foram cortados imediatamente. É determinação do prefeito e quem conhece o prefeito Iris sabe que determinação é para ser cumprida.

Na Comurg havia margem para fazer isso?
Tinha margem de comissionado, de gratificação. Claro, há gratificações que são garantidas pelo acordo coletivo de trabalho, é lei. O coletor que está exercendo a função tem uma gratificação que é garantida por lei. Isso você não tira do gari que está na função. Mas tinha coletor que não estava na função e recebia gratificação. A determinação do prefeito foi que cortasse a zero, e foi feito. A empresa acabou crescendo demais. Solicitamos a todos os diretores que fizessem o corte de, no mínimo, 40% para que a gente possa melhorar a qualidade e a eficiência da empresa cortando alguns gastos que são desnecessários.

Empresa limpará lotes particulares e irá cobrar a conta do proprietário

O sr. fala em resgatar também a imagem da Comurg. Isso prevê alguma ação de comunicação?
A imagem da Comurg não é tão difícil de resgatar, porque a hora que você deixa o serviço bem feito na porta das casas, as pessoas começam a defender a empresa. A hora que vê o cidadão falando mal da empresa, fala ‘não, pelo contrário, aqui minha coleta está correta’. O que aconteceu, infelizmente, não era problema da Companhia, mas do gestor, que não dava condições da Companhia rodar.

Em relação aos lotes vagos que existem em Goiânia e que estão malcuidados, existe algum trabalho de conscientização sobre a limpeza e multa para o proprietário desses locais?
Pelo levantamento rápido que fizemos, temos em torno de 120 mil lotes e áreas que servem hoje geralmente para especulação imobiliária. O cidadão deixa o terreno lá e não limpa, o outro cidadão que vê o terreno sujo ele se acha no direito de ir lá e jogar entulho. A prefeitura de Goiânia não tem obrigação de entrar em terreno particular. Temos a obrigação de cuidar da cidade em áreas públicas. Vamos notificar todos esses proprietários, dar um tempo de oito dias para que eles tomem providência. Se eles não tomarem providência, vamos multá-lo e a Comurg vai entrar e fazer o serviço e mandar a conta para o proprietário pagar. Essa é uma questão de saúde pública. Se o proprietário não pagar no tempo determinado, vai ter seu nome negativado.

“Mesmo não sendo candidato, Iris será uma peça principal da campanha em 2018

Como ocorreu a articulação para que o seu partido, o PRTB, chegasse ao comando da Comurg?
Posso te afirmar que não foi uma escolha política. O Iris é criterioso ao extremo. Ele não escolhe o secretariado sem saber o porquê. O Iris é assim. O Iris sabe da lealdade que o PRTB sempre teve com ele. Na campanha de governador (2014) o nosso partido , na primeira parte da campanha, praticamente caminhou sozinho com ele e está agora com ele em Goiânia. Rompemos com o ex-prefeito Paulo Garcia (PT) em março sabendo já do que poderia acontecer e entendendo que Iris era o melhor para Goiânia. Acredito que a lealdade do PRTB possa ter contribuído para essa escolha. Mas apesar disso, acho que o critério não foi político. Tenho certeza que foi critério técnico mesmo. Sou formado em Administração de Empresa, tenho pós-graduação em Gestão Pública, fui secretário de Governo, trabalhei na Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Entendo que a parte política foi a que menos pesou.

Há quase duas décadas o grupo liderado por Iris Rezende tenta retornar ao Palácio das Esmeraldas. Os próximos dois anos no comando de Goiânia ganham importância especial no sentido de ser uma referência para a disputa eleitoral de 2018?
Não tenho dúvida. Iris vai ser o grande timoneiro da oposição em 2018. Acredito em mais uma: Iris não é candidato a governador. Ele vai cumprir o seu mandato até o fim. Os quatro anos. Agora, a gestão dele, que sabemos que é uma gestão realizadora que refletirá realmente na campanha de 2018. Mesmo não sendo candidato, ele será uma peça principal da campanha em 2018.

Os secretários não podem falhar…
Sim, mas o Iris é muito fácil para tomar decisão. Ele tem uma facilidade que poucos administradores têm. Secretário para comprar um prego tem que falar com Iris Rezende. Ele é centralizador e eu acredito que tem que ser assim. Já vimos outras administrações que não foram centralizadora e deram errado. Então é o jeito dele trabalhar.

O sr. pode disputar algum mandato em 2018, já que historicamente a Comurg tem eleito aqueles que presidem o órgão?
Partido político que não disputa eleição não tem sentido, não caminha. O PRTB vai ter candidaturas próprias na área legislativa, na executiva é mais difícil pra gente. Eu estou preparado para o que o prefeito precisar. A minha intenção é não disputar a eleição em 2018. A minha intenção é fazer uma boa gestão na empresa, é preparar uma Comurg que tenha qualidade e eficiência na gestão.

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