Jogo aberto na sucessão estadual

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Cientistas políticos ouvidos pela Tribuna do Planalto afirmam que nomes de possíveis candidatos e o tom do discurso para a sucessão de 2018 ainda são incógnitas

Marcione Barreira

Ainda que discretamente as articulações para a sucessão ao Palácio das Esmeraldas estão acontecendo. O xadrez político não para. A pouco mais de um ano e meio para início da campanha, partidos e partidários tentam se mobilizar para manter ou conquistar o poder. A Tribuna ouviu alguns estudiosos da política goiana e constatou que ainda há muitas incertezas. Além da imprecisão quanto à definição dos nomes, o discurso vencedor nas eleições municipais de 2016 pode não ser o mesmo para 2018, na visão dos especialistas entrevistados.
O vice-governador José Eliton (PSDB) tem sido o nome mais cotado até aqui e não vem poupando esforços para se cacifar dentro da base governista. No entanto, está longe de ser o nome natural da situação, segundo avaliação dos estudiosos. Eles analisam ainda que uma postulação paralela a PMDB e PSDB pode surgir pelas incertezas do momento, mas é algo difícil.
Na oposição, o destaque é o deputado federal Daniel Vilela (PMDB), que ganhou força após vencer a queda-de-braço pela presidência estadual do partido em 2016. Contudo, o fato não o coloca como nome indiscutível para disputa, que ainda pode ter o senador Ronaldo Caiado (DEM) e o prefeito Iris Rezende (PMDB).
Na avaliação do analista Marcos Marinho, professor, consultor político e diretor da M. Marinho Marketing Ltda., o nome do presidente do PMDB ganha força caso haja empenho do pai, Maguito Vilela. Entretanto, a falta de união interna do partido pode dificultar as coisas.
“Daniel Vilela me parece um bom nome com o apoio do Maguito. Mas sendo o PMDB o partido que é, a unificação nunca é fácil”, diz Marinho.
Para o consultor político, o nome do senador Ronaldo Caiado é forte e, caso componha com os Vilela, pode alavancar o PMDB. Conquanto, para ele, o projeto de Caiado parece estar mais focado num plano nacional.
“Aparentemente ele está encantado pela possibilidade de disputar a presidência devido ao caos que reina entre os partidos em Brasília”, frisa
Para o cientista político e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Pedro Célio Alves Borges, nenhuma possibilidade pode ser descartada no campo da oposição. Nem mesmo a candidatura de Iris Rezende, que tem afirmado que vai cumprir integralmente seu mandato na prefeitura de Goiânia.
“Hoje não é seguro apostar que ele não abandonará a prefeitura para se candidatar ao governo”, acredita Pedro Célio.
Ainda segundo Célio, o ex-prefeito de Aparecida Maguito Vilela, além do filho Daniel Vilela e Ronaldo Caiado são outros nomes que podem ser destacados na oposição. Segundo ele, o senador está mais harmonizado com o momento da política atualmente.
“Caiado tem conseguido manter presença sintonizada com as linhas que são o tom do momento nacional”, avalia.

“É possível surgir uma nova via política em Goiás”

Ninguém em Goiás nas últimas décadas conseguiu quebrar o protagonismo de PMDB e PSDB. A chamada “terceira via”, que já flertou com o PT e teve Vanderlan como representante nas últimas duas eleições, está enfraquecida em nível estadual. O empresário perdeu o gás e não tem mais o perfil de seguir essa tendência – conforme avaliam Pedro Célio e Marcos Marinho.
Marcos Marino considera difícil alguém quebrar a tendência de polarização PMDB x PSDB. A ausência de novas lideranças é fator primordial para isso, segundo ele. Marinho diz ainda que Vanderlan tem desconstruído a imagem de representante da terceira via desde 2010. Na última eleição, ao se aliar com Marconi Perillo na tentativa de chegar à prefeitura de Goiânia, se afastou de vez desse quadro.
Ainda assim Marinho pondera que há tempo e espaço para um candidato com perfil alternativo.
“Não tenho visto novas lideranças surgirem para quebrar este paradigma. Mas, como ainda há tempo, não é impossível vermos surgir uma nova via política”, finaliza.
Pedro Célio também diz que isso pode mudar daqui até 2018. Na visão de Célio, a uma reacomodação nos padrões políticos, da qual, segundo ele, pode esperar até mesmo realinhamentos importantes.
“Observe que já tivemos dois momentos de aproximação política entre Marconi e Iris, numa forma que poucos meses antes ninguém imaginaria”, lembra.
Pedro argumenta que será necessário aguardar um pouco mais para que haja mais clareza. Para ele, até mesmo o desenrolar do momento econômico pode ajudar a surgir novos nomes.
“Creio que devemos aguardar um pouco mais. A própria dinâmica da crise econômica deve também abrir brechas para a construção de alternativas” acrescenta.

P4-2JOSE ELITON VICE-GOVERNADOR-FOTO PAULO JOSE_4523 (92)José Eliton ainda precisa pavimentar candidatura

Quando o vice-governador, José Eliton, deixou o PP e se filiou ao PSDB, tinha o objetivo claro de facilitar o caminho rumo a uma candidatura a governador em 2018. De 2015 até aqui ele tem feito muitas articulações para conseguir seu intento. Já ocupou duas das principais secretarias, mas até aqui não tem conseguido alavancar o seu nome a um patamar de unanimidade na base aliada.
Eliton já ocupou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e por último a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária, sem muitos efeitos diante da opinião pública. Agora, no entanto, ele foi designado pelo governador para administrar os recurso oriundos da venda da Celg.
Para o cientista Pedro Célio, o vice-governador não é unanimidade e não deve ser consagrado pela base. Segundo ele, o crescimento de partidos como PSD e PTB nas eleições municipais contribui para dificultar o caminho de Eliton.
“O vice-governador pode esperar tudo, menos ser ungido como candidato natural do campo governista. Por enquanto ele é somente um indicado momentâneo do governador”, diz.
Pedro Célio avalia ainda que José Eliton se desgastou nas duas secretarias que ocupou. Com isso, ele terá que convencer e não só contar com o apoio de Marconi Perillo.
“A candidatura, ele vai ter de construir. E ele já queimou dois cartuchos, no comando da infraestrutura e depois da segurança pública”, destaca.
O analista Marcos Marinho ratifica que José Eliton não é o nome natural e nem está em situação de ser imposto pelo governador. Para ele, se Marconi fizer isso, corre o risco de rachar seu campo de apoio.
“Considero haver nomes mais fortes na base. Penso que não será possível ao governador impor esta candidatura sem correr o risco de fraturar sua própria base”, declara.

Guinada à direita não está consolidada

O discurso vencedor nas eleições municipais do ano passado, com vitórias expressivas de candidatos considerados de direita, pode não ser o caminho para a vitória na próxima eleição. É a posição que defende especialmente Marcos Marinho. Para ele, os postulantes devem ser moderados, uma vez que muitas coisas acontecerão até o fechamento das alianças de 2018.
“Ainda é momento de criar bases, fortalecer relacionamentos que poderão dar suporte nas próximas eleições”, comenta.
Marinho diz ainda que os modelos propostos por João Dória (prefeito de São Paulo) e Donald Trump (presidente dos Estados Unidos) devem ser vistos com muita cautela.
“Pode ser que até 2018 este seja um modelo rejeitado pelo eleitorado, caso as expectativas geradas não sejam atendidas”, completa.
Pedro Célio observa que os políticos precisam entender o momento atual e criar uma expectativa mais próxima da realidade. Na visão do cientista, essa é uma questão complexa que exige muita compreensão.
“Sairão na frente aqueles que iniciarem a decodificação dos meios de superar esta perplexidade. É preciso fazer com que o cidadão volte a investir, a mobilizar e a acreditar na política”, argumenta.p4f6

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