Professores condenam extinção de subsecretarias de educação

0
701
A proposta mais recente do Governo estadual prevê a extinção de todas as subsecretarias e criação de um novo modelo de gestão regional, com formato ainda não divulgado

Presidente do Sintego afirma que categoria está se mobilizando e pode entrar em greve já nas primeiras semanasdo início do ano letivo

Fabiola Rodrigues

O ano começa com a redução de 25 das subsecretarias Estaduais mediante decreto realizado pela Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) no dia 6 de janeiro, e corte de gastos é um dos principais motivos, em todo o Estado eram 40 em funcionamento, mas, segundo informou o Governo, pelo menos 15 vão continuar em funcionando até que todas sejam extintas de vez.
O governador Marconi Perillo, por sua vez, no último dia 25 garantiu que todas as subsecretarias serão fechadas e funcionários efetivos remanejados. A Tribuna do Planalto ouviu alguns servidores da educação para entender quais serão os impactos destas modificações e o que elas significam dentro do processo educacional.
As subsecretarias regionais tinham a função de estimular a autonomia e a busca pela identidade de cada região do Estado, além de gerenciar três aspectos fundamentais: o gerencial pedagógico, estrutural e administrativo. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Bia de Lima, é totalmente contra estas medidas tomadas pelo governo.

Bia de Lima, presidente do Sintego, afirma que subsecretarias são fundamentais para a manutenção da qualidade do ensino
Bia de Lima, presidente do Sintego, afirma que subsecretarias são fundamentais para a manutenção da qualidade do ensino

“Acabar com as subsecretarias é desmontar a educação, desfavorecer os educadores e estudantes. Não vejo nenhum benefício. Quando algum professor, secretário, diretor precisar resolver algum problema da escola terá que vir a Goiânia?”, indaga a presidente.
Para Bia de Lima, a extinção das subsecretarias representa um sinal para a implantação das Organizações Sociais (OSs) nas escolas mais rapidamente.
“Desestruturar o trabalho dos subsecretários é o mesmo que deixar as escolas sem gestão ou acompanhamento mais presente, sendo assim ficaria mais difícil coordenar a parte administrativa e propício para as escolas passarem a ser geridas por OSs. Desta maneira, fica fácil para fazer essa mudança, que também não favorece o estudante”, diz Bia.
A secretária de Educação, Cultura e Esporte, Raquel Teixeira, se reuniu, na semana passada (último dia 25) com os 15 subsecretários remanescentes para informar sobre a nova reestruturação anunciada pela pasta no dia 24 janeiro. A proposta mais recente da Seduce prevê a extinção das atuais 15 subsecretarias e a criação de um novo modelo de gestão regional, que será apresentado à Assembleia Legislativa no dia 15 de fevereiro, quando os trabalhos serão retomados.
Diante das mudanças previstas, a presidente do Sintego diz que a educação não pode ser feita à base de economia e com cortes de gastos. Ela deixa claro que, em vista do posicionamento da Seduce, o Sindicato está preparando greve nas escolas já nas primeiras semanas das aulas.
“Nós estamos querendo apenas lutar pela educação e nossos direitos. Um professor não pode ficar sem suporte lá no interior. E no final das contas quem perde é o estudante com a falta de qualidade do ensino. Desta maneira vamos ter que parar mesmo. O que queremos é viabilidade educacional, mas parece que estamos é retrocedendo”, expressa Bia de Lima.
Para a secretária de Educação, a extinção das subsecretarias deve otimizar a estrutura, modernizar a gestão, dar mais agilidade à tomada de decisões e focar nos resultados a serem alcançados.
“O trabalho está sendo realizado para a melhoria da qualidade da educação na rede estadual, assegurando assim o direito do aluno à aprendizagem. A reestruturação também integra o Programa de Austeridade pelo Crescimento do Estado de Goiás”, diz Raquel Teixeira.

Marconi: “O que queremos são os professores na sala de aula”

Em Rio Verde, que é uma das cidades que ainda conta com subsecretaria, o diretor da Escola Emef Maria Brigida da Fonseca, Fabio Silva, acredita que as mudanças podem ser positivas para a educação.
“Não vejo nenhum desconforto com as modificações que serão feitas. Acredito que tudo vai ficar da mesma forma ou até melhor. Tento fazer um bom trabalho no ambiente escolar para motivar a equipe de professores”, garante o diretor.
Para Fabio Silva as propostas de mudanças realizadas pela Seduce são tentativas de melhorar a educação.
“Acredito que não vai afetar o desenvolvimento do estudante caso não tenha um subsecretário na cidade. Toda escola precisa de um bom monitoramento; não há necessidade de um suporte presente o tempo todo”, comenta.
Marconi Perillo lembra que a decisão de extinguir todas as 40 subsecretarias não foi política, mas técnica e que hoje os processos são eletrônicos, possibilitando uma comunicação mais ágil e instantânea. Além disso a intenção é diminuir custos. A economia, de acordo com ele, será revertida na melhoria do sistema de ensino.
“Isso não é decisão minha, é uma decisão técnica da secretaria e do instituto Falconi [consultoria contratada pelo Estado], que concluiu que com a informática e a inovação tecnológica não há mais a necessidade de se ter órgãos presenciais”, afirmou.
O governador lembra que no passado, quando as subsecretarias foram criadas, a burocracia escolar não contava com a tecnologia disponível hoje.
“Antes era preciso levar nas mãos todas as informações, boletins, para todas as regionais, agora você pode fazer tudo pela internet. O que queremos é que os professores estejam na sala de aula”, destaca o governador.
A extinção de 25 subsecretarias regionais da Seduce resultará na economia de R$ 1,6 milhão ao ano para o governo, apenas com as exonerações de comissionados. Com a proposta, que integra programa de austeridade, os subsecretários regionais comissionados também foram exonerados. Os que respondem pelas subsecretarias remanescentes já traçam seus planejamentos, mesmo sem saber se ficarão no cargo ou se suas ideias serão seguidas.

P5-SUBSECRETARIO REGIONAL, JERÔNIMO MARTINS DE BRITO NETO
Ex-subsecretário de Iporá, Jerônimo Martins critica a extinção das subsecretarias: para ele nem tudo se resolve à distância

Medida dificultará solução de problemas, dizem servidores

Apreensivos com as modificações, alguns servidores estaduais afetados pelos cortes conversaram com a Tribuna do Planalto, sob condição de não serem identificados, e manifestaram grande descontentamento com a extinção das subsecretarias de Educação espalhadas pelo Estado.
Uma servidora que realiza trabalhos como técnica escolar fazendo visitas periódicas em várias escolas estaduais para analisar como acontece o desenvolvimento pedagógico relata que a ausência da subsecretaria representa regressão educacional.
“Os diretores terão dificuldades para resolver problemas administrativos, pedagógicos, com professores, de gestão e até mesmo de merenda, que poderiam ser resolvidos rapidamente e agora levarão muito mais tempo”, relata aservidora.
Ela ainda relata que a economia com as mudanças poderão surgir, mas que a qualidade no ensino cairá.
“Até o trabalho que realizo de escola em escola pontuando as qualidades e dificuldades cairá, pois a demanda de serviço será maior e o tempo acabará sendo menor”, expressa.
Outra servidora que trabalhava em uma das subsecretarias extintas no começo de janeiro conta que não a decisãopegou todos de surpresa. Ela acredita que agora problemas como substituição de professor e até mesmo outras de natureza gerencial das escolas ficarão mais complicados para serem resolvidos.
O ex-subsecretário de Educação de Iporá, Jorônimo Martins, que perdeu o cargo no início do ano, diz que as modificações e corte das subsecretarias dificultarão a solução dos problemas ocorridos no ambiente escolar, além de que, segundo ele, muitos assuntos não têm como ser solucionados por internet.
“A tecnologia proporciona rapidamente várias respostas, mas existem algumas que precisam de atenção a mais e de pessoas presentes para solucionar. Esta é uma das grandes questões”, lembra Jerônimo Martins.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here