“A Ceasa pode evoluir ainda mais, gerando emprego e renda em Goiânia”

0
1489
Edivaldo Cardoso presidiu a Ceasa de 2008 a 2010 e preside desde janeiro 2015

Enquanto empresas públicas de modo geral dão prejuízos, a Ceasa (Centrais de Abastecimento de Goiás) dá lucro, expande-se e planeja novas parcerias com a iniciativa privada. Apesar das dificuldades, o volume comercializado e financeiro movimentado pela empresa (sociedade de economia mista) em 2016 e 2015 tem crescido, ao ponto de ser hoje o quarto maior polo de abastecimento de produtos in natura do Brasil, caminhando para ser a Ceasa mais competitiva do Brasil, por uma série de fatores, como a localização privilegiada no centro do país, fornecendo produtos para Tocantins, Mato Grosso, sul do Pará, Maranhão e parte do Amazonas e do sul da Bahia. À frente desse sucesso está o advogado Edivaldo Cardoso de Paula, ex-presidente do Detran, que responde pela segunda vez pela presidência da empresa. Além de comandar todo esse processo de expansão da Ceasa, Edivaldo está fazendo um estudo preliminar para estabelecer um contrato de cogestão com a iniciativa privada, possibilitando uma melhor divisão de atribuições. Ainda esta semana, no dia 10, às 11h, Edivaldo Cardoso recebe visita do governador Marconi Perillo, que, acompanhado de convidados dos setores público e privado, inaugura cinco importantes obras que vão melhorar a vida de empresários, permissionários, trabalhadores e consumidores que movimentam a economia do entreposto. As obras representam investimento de mais de R$ 1,5 milhão. Na mesma solenidade, serão lançadas a construção de outras três obras que vão reforçar a infraestrutura, aumentar o número de empresas e de empregos e da prestação de assistência social. Ex-presidente do PT do B em Goiás, Edivaldo Cardoso também fala sobre a sucessão estadual.


Daniela Martins e
Manoel Messias Rodrigues
Tribuna do Planalto – Como está o Projeto Ceasa Competitivo, que previa transformações na área administrativa, com o enxugamento da estrutura e redução da diretoria, além de ações de planejamento, infraestrutura e responsabilidade socioambiental?
Edivaldo Cardoso de Paula – A origem deste projeto remonta a 2014, quando na época da campanha recebemos a missão de pensar a Ceasa, um equipamento urbano importante que gera muito emprego, gera renda, e nós compreendíamos que era necessário um planejamento de curto, médio e longo prazos para que a Ceasa pudesse continuar a ser competitiva, gerando renda, emprego, oportunidade de trabalho. O viés desse Ceasa Competitivo foi investimento em infraestrutura e em responsabilidade socioambiental. Uma série de ações foram desenvolvidas buscando transformar aquele ambiente tão duro e com tantas necessidades de infraestrutura em um local melhor para que o ser humano pudesse ser olhado com a sua dimensão máxima devida, um espaço melhor para que pudesse continuar crescendo. Então, ao final destes dois primeiros anos a gente colhe fantásticos resultados que representam a marca da Ceasa como um polo de abastecimento para a região Centro-Norte do país.

O sr. poderia explicar a função da Ceasa e se esta função tem sido bem cumprida?
A principal função institucional é de regular e fiscalizar. Para tudo o que é comercializado no entreposto, há um regra. Há uma segmentação de mercado para quem está lá dentro, que só pode comercializar o que está autorizado. Há um contrato, e dentro desse o que é comercializado de peso, classificação, a Ceasa fiscaliza para que isso seja observado. Além disso, há o papel da Ceasa, que é muito forte, de formação de preços, a partir de oferta e procura. Você centraliza em um único local a oferta e a procura que permite que haja a formação de preço de acordo com esses dois princípios de mercado. A Ceasa também funciona como uma bolsa de mercadoria para produtos típicos de frutas, legumes e verduras. Talvez esse seja o principal papel da Ceasa, contribuir para a formação de preços, de modo que o varejo, o consumidor, produtor rural e o atacadista possam compreender o seu papel e todos terem uma rentabilidade.

E esse papel tem sido cumprido?
Acho que tem muito o que avançar. Cumpriu-se muito até agora, mas é necessário que se dê mais passos, que se vá adiante. É preciso que, cada vez mais, na nossa visão e do Governo de Goiás, o nosso Estado cumpra mais o seu papel de regulador e de fiscalizador, e o papel executivo seja desempenhado pela iniciativa privada. Se a gente separa essas duas vertentes, a Ceasa cuidaria então de toda essa regulamentação, fiscalização, de classificação a padronização de embalagens, de auxílio no controle de nível de agrotóxicos. E a iniciativa privada faria a operação logística, investimento em estrutura de comercialização para que se possa evoluir em um espaço que precisa, no médio prazo, ter ganho de produtividade, oferecendo cada vez mais produtos de qualidade. Há uma busca muito grande na sociedade, de uma forma geral, por uma alimentação mais saudável, mais equilibrada. Esse papel pode e deve, ao menos em parte, ser suprido pelas Centrais de Abastecimento.

Hoje o estado ainda faz umas atribuições que seriam da iniciativa privada?
Sim, o estado ainda cuida lá no entreposto da parte da limpeza, da parte da vigilância, do investimento em infraestrutura. A médio prazo todas essas atividades podem e devem ser transferidas para a iniciativa privada, que é quem tem capacidade de investimento, que tem foco nesse tipo de atribuição, de atividade, e guarde para o Estado, a partir de uma regulação bem feita, o papel de fiscalizador. A partir daí, a gente teria um cenário em que a Ceasa poderia evoluir por mais uma década, duas décadas, gerando empregos e renda em Goiânia, contribuindo para a agricultura familiar, para que o cinturão verde no entorno de Goiânia consiga continuar produzindo, levando a sua produção para ser comercializada na Ceasa. Se a gente evoluir dessa forma, teremos um mercado equilibrado, teremos oferta de alimentos, formação de preços justos e um consumidor melhor atendido.

Qual o tamanho da estrutura da Ceasa de Goiás e volume comercializado?
Em 2016, houve uma movimentação financeira de R$ 2,6 bilhões para um volume comercializado de 990 milhões de toneladas de produtos. Quando se compara isso com as outras centrais de abastecimento no Brasil, o Estado de Goiás fica na quarta posição, já se aproximando da Ceasa de Minas Gerais, que é a terceira.

93% do hortifrúti goiano passa pela Ceasa 

Há estudos sobre a quantidade de empregos diretos e indiretos gerados pela Ceasa?
A Ceasa gera diretamente, com as empresas que estão instaladas, os produtores rurais que comercializam no mercado, em torno de sete mil empregos diretos. São sete mil pessoas que trabalham diariamente na Ceasa, para um público flutuante, diariamente, em torno de 15 a 18 mil pessoas. Há dias na semana que há um fluxo maior de pessoas no local. Nesses sete mil não consideramos toda a cadeia de produtores rurais, dos varejistas etc. É, acredito, o maior polo de geração de emprego da cidade de Goiânia, visto isoladamente.

Todo produto hortifrúti que é comercializado em supermercados atacadistas e varejistas passa necessariamente pela Ceasa?
A gente tem alguns estudos indicando que aproximadamente 92% a 93% do que é oferecido no varejo no Estado de Goiás passa de alguma forma pela Ceasa. Sendo que temos experimentado um aumento da oferta de produtos goianos. Estava em 46% e a gente fecha 2016 com quase 49% do que é comercializando sendo de produção de Goiás. Isso mostra que a agricultura no Estado de Goiás tem se desenvolvido, conseguido produzir com qualidade e quantidade, de modo a ser competitiva.

Como é combatida a perda ou desperdício de alimentos dentro da Ceasa?
No caso específico da Ceasa, que trabalha com produtos perecíveis, a gente estima uma perda não mais que 0,2%, 0,3% do volume comercializado. E quando a gente chama “perda” há ainda uma diferença na Ceasa, onde há um programa chamado Banco de Alimentos, no qual os empresários bancam com recursos próprios sua estrutura e funcionários, que recebe em doação, para serem distribuídas para entidades de assistência social e famílias carentes, aquilo que não pode ser comercializado na Ceasa.

Os produtos comercializados na Ceasa têm qualidade garantida?
A qualidade está cada vez mais alta devido principalmente ao desenvolvimento da fruticultura no estado de Goiás. Isso é possível perceber.

“Marconi está preparado para um projeto nacional”

O sr. acredita que Marconi Perillo está preparado para um projeto nacional, buscando aproximação com governadores do Centro-Norte?
O que posso dizer é que o governador tem uma sensibilidade política muito forte, tem um excelente diálogo e uma liderança junto aos governadores. É uma estratégia, inegável, que pode ser muito eficiente e eficaz. Ele tem construído, tem capacidade de diálogo, disposição para o trabalho, é jovem. É uma liderança do Centro-Oeste e não é fácil você penetrar no sul, sudeste e nordeste. Mas através deste Fórum de Governadores, o governador se posiciona de uma maneira muito equilibrada, muito inteligente no debate de 2018. Tenho certeza de que independentemente da estratégia, o governador Marconi está preparado para um projeto nacional. Ele pode se inserir de forma muito agregadora no debate nacional para a construção de um modelo de país, de Estado, que possa dar respostas à sociedade das demandas.
Temos aí o Consórcio Brasil Central que é uma forma de regionalização dos problemas e soluções. Estados que têm determinadas características e estão mais próximos se unem, avaliam os problemas estruturais, macros problemas que atingem todos eles e propõem soluções. O sr. acha que este é um caminho positivo?
É uma alternativa viável. Enquanto não se faz uma reforma tributária definitiva no Brasil esses arranjos são importantes e sinalizam uma visão estratégica de abertura, de disposição para o diálogo, de soma de forças. Então, neste sentido, o Centro-Oeste e um parte da região Norte do país têm muito a ganhar com esse fórum de governadores. Desta forma, a gente tem a compreensão de que não dá pra ficar isolado, impossível não se abrir para compreender o que o mercado exige, o que a iniciativa privada, o que a sociedade precisa.

O grupo de Marconi está no poder há 20 anos, esse modelo não está esgotado em nível estadual?
O modelo se esgotaria se ele não se renovasse, se ele a cada ano, a cada gestão não trouxesse novas bases. Por certo que o governador que assumir em 1999 não é mais o mesmo. Ele se renovou, ele se reciclou. As práticas de modelo de gestão do primeiro governo são muito diferentes das atuais. Há claramente hoje nesse quarto mandato do governador uma construção de um novo modelo de estado, mais regulador, mais fiscalizador, que focado naquilo que é prioritário para o Estado, que destrava a gestão pública. Então, isso permitiu que o nosso modelo de gestão não ficasse arcaico, não ficasse velho. A própria figura do governador transmite isso claramente, de uma pessoa jovem, com ideias inovadoras, com ideias contemporâneas. O nosso projeto não envelheceu e está se preparando para que não envelheça amanhã, propondo novas medidas, novas soluções, discutindo com a sociedade de forma muito transparente um novo modelo de estado, de administração pública. Eu tenho certeza absoluta que o cidadão goiano que olha, sem paixões políticas, consegue compreender a grande evolução que foi para o estado de Goiás, em todos os aspectos, esse modelo de gestão implementado pelo governador Marconi Perillo.

A base do governador Marconi Perillo continua forte?
Eu viajo, recebo muitas pessoas das diversas cidades do interior, são mais de 226 municípios que levam produção para Ceasa e, na base, o desejo de estar com o projeto do governador Marconi Perillo e com o projeto do vice-governador José Eliton é muito forte. As pessoas querem participar deste processo. A cúpula, se tiver juízo, irá aguardar o momento oportuno para que esses espaços sejam, com sensibilidade e maturidade política, discutidos.

O sr. deixou a presidência estadual do PT do B há alguns meses. Tem pretensão de disputar algum cargo em 2018?
Não, é muito cedo. Estou muito focado em gestão, em contribuir com a administração do governador Marconi Perillo. Não dá para se pensar, de forma alguma, em eleição agora. Tem que se pensar em construir uma grande administração em 2017. Não está no meu radar pensar em disputar eleição agora.

Mas o sr. não descarta uma candidatura a deputado, por exemplo? Nem descarto nem está no radar, enfim, não penso nisso agora.

Na base do Governo já está sacramento o nome de José Eliton como candidato a governador em 2018. A grande discussão agora são os nomes para concorrer ao Senado…
Eu trabalho com crença de que nós repetiremos uma base competitiva, com propostas criativas, inovadoras, com responsabilidade social e sensibilidade política, buscando o desenvolvimento de Goiás. Esta é a marca do governador Marconi Perillo, a marca do vice José Eliton, e o chamamento é para que contribuam, que participem da construção desse processo, desse modelo que nos trouxe até aqui.

O sr. estava numa trajetória ascendente no governo estadual, em 2012, administrando o Detran e acabou deixando o cargo por conta de uma conversa telefônica o envolvendo com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Esse episódio está superado?
Esse episódio está superado. A eleição de 2014 mostra claramente que o goiano compreendeu todo o engendramento que estava por trás daquela operação, dos atores políticos que ali estiveram envolvidos. Está cada um cuidado da sua vida, estão trabalhando, estão contribuindo para Goiás e, para mim, é página virada. Não há um fato que possa ligar-me, em qualquer circunstância, com desvio ético ou desvio ilegal oriundo daquela operação Monte Carlo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here