Primeiros anos são fundamentais na vida escolar de cada criança

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O primeiro passo para que os pequenos alunos se acostumem com a escola é deixá-los reconhecer o ambiente escolar e se envolverem com os professores

A maneira como o pequeno aluno é tratado no período de adaptação na escola é fator especialmente determinante para sua carreira estudantil

Fabiola Rodrigues

As crianças estão chegando cada vez mais novas na escola, com idade entre seis meses e cinco anos. Como essa é uma fase de grandes mudanças e adaptações na sua rotina, estar bem inserido e acolhido no ambiente escolar é fator determinante para a permanência na vida acadêmica do aluno. Essa é uma fase especialmente delicada, exigindo paciência de professores e familiares nesses momentos de inserção da criança em berçários, creches e escolas, pois afinal para o pequeno estudante aquilo tudo é uma grande descoberta e, se maltratado, em vez de sentir prazer nos estudos futuramente ele poderá desenvolver uma aversão ao ambiente escolar.
Os pais estão levando as crianças cada vez mais novas para os centros educacionais principalmente devido à extensa jornada de trabalho dos familiares, procura pelo desenvolvimento do raciocínio e autonomia da criança e maior facilidade de adaptação em diferentes ambientes de convivo. Pesquisa realizada pelo IBGE entre 2005 e 2015 mostra que a taxa de frequência escolar das crianças de até 5 anos saltou de 62,8% para mais de 84% nesse período.
O diretor do Centro Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (Cepae), da Universidade Federal de Goiás, Alcir Horácio, confirma que essa tendência de a criança ingressar cada vez mais cedo na escola é fundamental para ela aprender e aceitar adaptações, conviver com diferenças e ter mais tolerância com o espaço do colega.
“A integração das crianças é um processo que deve acontecer naturalmente e aos poucos, caso contrário ela pode nem querer voltar para a escola. Os pais precisam ter paciência, e os professores também, pois para elas tudo é diferente e novo”, lembra o diretor.
Alcir Horácio destaca que cada criança tem um período próprio de amadurecimento e ela estando na escola, ainda sem saber ler ou escrever, essa presença já contribui bastante para o desenvolvimento do raciocínio, das emoções e coordenações psicomotoras.
“Cada uma terá uma reação diferente ao enfrentar pela primeira vez a escolinha, mas é fundamental que vá e seja tratada com carinho e atenção, além do acompanhamento pedagógico. As crianças precisam brincar, ter contato umas com as outras. A alfabetização acontece de várias maneiras, cada uma tem seu período de amadurecimento e ele acontece naturalmente”, observa o diretor.
Ao inserir os filhos mais cedo no ambiente escolar, os pais ou responsáveis devem tomar alguns cuidados, como qualidade pedagógica e o ambiente físico da escola, mas é muito importante saber se os profissionais da educação são acolhedores e se estão realmente aptos para cuidar da criança. Alcir ressalta que para acontecer uma adaptação sadia do estudante com o novo ambiente de convívio é preciso que ele seja compreendido e ouvido pelo professor ou auxiliar educacional.
“Estamos no começo de mais um ano letivo e vale lembrar que nenhuma criança, por mais introspectiva que pareça ser, poderá ser rejeitada. Os funcionários das escolas devem ser acolhedores e amáveis. Essa boa receptividade refletirá no futuro: serão bons estudantes que terão prazer em desenvolver a carreira estudantil”, relata o diretor.
Outro alerta que deve ser feito aos pais é que o processo educacional dos filhos, a educação, é essencialmente uma função da família. Alcir explica que ao longo de sua carreira tem percebido que os pais colocam a criança na escola a acreditam que sairão dela totalmente educados – ele deixa claro que as escolas ensinam são valores éticos.
“Quando uma criança entra em uma escola ela precisa ser cuidada e receber atenção, mas a função de formar o caráter do filho é dos próprios pais, isso não se discute”, diz.

Professor deve transmitir segurança

No Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Hugo de Morais, localizado no setor de mesmo nome, em Goiânia, a coordenadora Pedagógica, Mila Belíssimo, diz que o primeiro elemento para que a criança se acostume com a escola é deixar ela reconhecer o ambiente com alguém da família e depois ser recebida pelos professores com muito carinho.
“Todo ser humano tem um período de aceitação e este momento de mudança para uma criança se torna mais complexo caso os familiares não deem apoio. É extremamente importante, principalmente no primeiro mês, ter o pai, mãe ou responsável para acompanhá-la na hora de entrar no Cmei e também devem aguardar um pouco para a despedida”, orienta a coordenadora.
Para Mila Belíssimo, que também faz acompanhamento comportamental das crianças no Cmei, cada pequeno estudante tem seu período de desenvolvimento de habilidades, mas aqueles que apresentam frequentes dificuldades de aprendizado precisam de tratamento.
“Inserir as crianças com até 5 anos na escola virou uma tendência social. Sendo assim elas se tornam mais espertas, aprendem a se socializar desde cedo. As que demonstram déficit de atenção merecem cuidados redobrados dos pais em casa. O conhecimento da linguagem, dos sinais, sons, já ajuda e muito para se desenvolverem”, relata a coordenadora.

Acompanhamento dos pais garante tranquilidade

Se a criança for passar por adaptação escolar, seja pela primeira vez ou em uma nova instituição, quanto antes trabalhar isso melhor para ela. Afinal, é um momento delicado para toda a família já que traz mudanças na rotina das crianças. A coordenadora Pedagógica, Mila Belíssimo, do Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Hugo de Morais, em Goiânia, diz que é importante os pais colocarem os filhos na escola ainda bem novos para não tardar estas transformações, pois faz com que se desenvolvam com mais rapidez.
“A fase que compreende a adaptação da criança à educação infantil é de extrema importância na sua vida. Por isso, é interessante que a direção e a equipe da escola dispensem grande cuidado nesse sentido. Não tem como falar sobre um período tão presente na vida da criança, sem mencionar também que este envolve os sentimentos entre pai, mãe e filho, mas as modificações da rotina são transitórias”, ressalta a coordenadora.
Com a presença dos pais este “mundo novo” para a criançada pode ser prazeroso e é o que vem acontecendo com a mãe Deborah Santana e o pai Célio Filho, o casal ao colocarem a filha Maria Eliza de um ano e meio no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) do Setor Perim, em Goiânia, em janeiro deste ano estão passando por esta experiência.
“Vou voltar ao mercado de trabalho e preciso aos poucos mudar a rotina da minha filha que ficava somente comigo. E por incrível que pareça neste dias de mudanças ela vem reagindo bem e apresentando tranquilidade ao ficar no Cmei, mas eu e o pai dela estamos acompanhando tudo que acontece lá na medida do possível”, diz a Mãe.

Convivência
Deborah Santa ainda lembra que, além de procurar por um emprego a intenção de colocar a filha no Cmei foi para a criança se desenvolver e aprender a conviver em outros ambientes.
“Quero que se relacionem com mais pessoas e crianças da idade dela, todos nós precisamos disso. Colocar ela na escola ajuda a desenvolver habilidades, coordenação motora e principalmente o raciocínio”, conclui Debora Santana.

 

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