Uma nova relação com nosso Planeta

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Parece óbvio a afirmativa de que o homem pode fazer uma mesma coisa de várias formas e obter resultado semelhantes, mas não é. Desde que começamos a fazer coisas para satisfazer nossas necessidades já foi possível saber que um mesmíssimo objeto pode ser feito de várias formas diferentes com resultados muito próximos.
Ao longo do tempo esta diversidade de meios considerados arcaicos desde o seu início foi justificada em sua forma rudimentar pelos fins a que se destinavam. Exemplo clássico é o uso intensivo do petróleo como fonte de energia e as incontáveis aplicações de seus insumos. A dependência dos meios de produção dos variados subprodutos do petróleo é muito maior do que se imagina, porém, assim como em outras fontes de energia e matéria-prima, há formas alternativas viáveis economicamente. É possível continuar a atividade de forma que a sociedade e o planeta sofram dentro de um parâmetro aceitável e se produza efeitos sustentáveis a médio e longo prazos.
O grande erro da indústria do petróleo foi planejar suas estratégias como se a atual economia, baseada no uso intensivo dos componentes de origem fóssil, fosse durar mais do que já durou e não desse sinais de exaustão e fosse substituída por uma perspectiva de sustentabilidade, a nova economia chamada de “baixo carbono”. O raciocínio deste artigo é baseado neste equívoco histórico.
Assim como a utilização do petróleo como fonte principal de energia está com os dias contados, as demais fontes de matéria-prima, energia e insumos serão radicalmente transformadas nos próximos 20 anos, gerando assim uma nova corrida onde empresas e profissionais ligados a estas áreas sejam instados a suprir esta lacuna. Aí, mais uma vez aqueles que conseguem enxergar com a lente da inovação vão se destacar e ocupar lugares que hoje são ocupados pelos admirados empreendedores do mundo digital.
Quem hoje se destaca foi criticado e tachado de mero sonhador e insano em algum momento de sua carreira. Não foi diferente quando, há 13 anos, nas rodas de amigos e até pelo mercado, fomos assim tachados. Mudanças climáticas eram assunto restrito à utopia de que um dia o homem teria de acertar a conta com o planeta que agrediu e que, agora, mostra a conta, ameaçando expurgar seu agressor, como uma mulher que, maltratada e agredida durante muitos anos, reage e pede o divórcio.
O agressor, se arrependido, pode reverter a situação se emendando de suas práticas anteriores, gerando a possibilidade de uma reconciliação, mudando os hábitos cotidianos, sendo cortês, zeloso e atento às suas necessidades e carências, ou seja, passa a ter como prioridade a relação que outrora era meramente uma fornecedora de serviços domésticos e eventualmente de carências. Os fins econômicos se sobrepujaram e os meios comandaram as ações que relegaram a relação ao segundo plano.
Este foi e é o grande erro do ser humano que se vê às turras com a Terra: priorizou as coisas em detrimento da relação.

Ricardo Cesar Fernandes é diretor da Embrasca Soluções Sustentáveis

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