Medida em discussão tenta diminuir congestionamento nas portas e vizinhança de estabelecimentos, mas é alvo de críticas

Fabiola Rodrigues

As escolas particulares de Goiânia devem ter os horários das aulas alterados para que o trânsito fique menos tumultuado nas proximidades desses estabelecimentos. As mudanças nos horários devem ocorrer, em média, de 15 até 30 minutos do horário habitual da entrada e saída dos alunos. Além de diminuir o congestionamento no trânsito, a medida também é uma tentativa de combater infrações cometidas pelos pais ao deixarem seus filhos na escola, como parar em fila dupla, estacionar em local proibido ou em cima da faixa de pedestre.
De acordo com o secretário Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade de Goiânia, Felisberto Tavares, as mudanças nos horários, além de combater esse problema crônico, deve refletir positivamente em toda a vizinhança das escolas, já que boa parte dos estabelecimentos está localizada em regiões muito adensadas e próximas a lojas, empresas e shopping centers. A proposta está em discussão, mas já é certo que as modificações devem acontecer.
Os diretores do Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindlojas), da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino em Goiânia (Sepe) e agentes da Secretaria Municipal de Trânsito estão se reunindo frequentemente para decidir como cada escola particular remanejará seus horários, para que, ainda neste início de ano letivo, as mudanças sejam colocadas em prática.
O agente de trânsito Horácio Ferreira diz que as modificações devem ajudar a diminuir o engarrafamento nas ruas, principalmente no horário de pico, já que quando todos saem ou entram na escola nos mesmos horários fica praticamente inviável conter os engarramentos e outros transtornos nas imediações das escolas. A expectativa é que a mudança traga também redução na quantidade de pequenos acidentes que ocorrem no entorno dos estabelecimentos, em faixas de pedestre.
“Será necessário que os estudantes saiam em períodos diferentes, porque todos sendo liberados juntos causam aglomeração na porta das escolas. Sabemos que essa não é a solução para todos os problemas referentes a educação no trânsito, mas precisamos tentar mudar”, comenta Horácio Ferreira.
Para o agente, que trabalha com Educação no Trânsito, uma das opções na tentativa do desafogamento do tráfego é a liberação das turmas com diferença de 10 minutos em média. Mesmo não resolvendo o problema, isso já ajudará significativamente na tentativa de diminuir o estrangulamento do trânsito e consequentemente a redução de infrações cometidas na chegada e saída de veículos na porta das escolas.
“O fluxo de veículos aumenta significativamente na porta das escolas nos horários de entrada e saída dos alunos e os pais querem deixar ou pegar os filhos praticamente na porta. Aí o espaço não comporta tanto carro. Nesses momentos as imprudências são corriqueiras, porque todos querem parar ao mesmo tempo. Toda transformação a princípio causa estranhamento, porém nos parece necessária essa mudança”, observa.
Em Goiânia algumas ruas e avenidas são mais afetadas pelo excesso de veículos na porta de escolas, entre elas a T-9, T-30, T-51, T-10, T13 e 85, localizadas nos setores Bueno e Marista, regiões onde há um forte comércio. Nesses locais, segundo Horácio Ferreira, as imprudências mais comuns são a parada em locais proibidos e a falta do cinto de segurança, sendo essa última infração não relacionada diretamente à questão de congestionamento.
“A falta de conscientização de muitos pais prejudicam os demais motoristas, pois todo o trânsito fica prejudicado, sem contar acidentes que podem ser provocados. Por isso estamos tomando algumas medidas com os órgãos envolvidos. Vamos acertar os detalhes para concluir as mudanças nos horários de entrada e saída dos estudantes das escolas particulares”, afirma o agente.
O presidente do Sindicato dos Estabelecimento Particulares de Ensino de Goiânia (Sepe), Flávio de Castro, diz que é preciso trabalhar com planejamento baseado em estudos para garantir mudanças satisfatórias no trânsito.
“Não depende só das escolas mudarem os horários de entrada dos estudantes. Depende do Estado, município, União e comércio também, pois os pais deixam os filhos nas escolas e depois vão direto para o trabalho”, observa o presidente.
Para Flávio de Castro as modificações não podem acontecer de forma isolada, é necessária a participação de todos os diretores da rede privada, para, em conjunto, adotarem medidas que contribuam para a segurança do estudante.
“Sabemos que tem regiões onde o fluxo de veículos são maiores, mas a medida precisa ser abraçada pelos diretores das escolas. Precisamos também e muito da colaboração dos pais, pois são eles quem deixam os filhos na porta do colégio. Não vai adiantar mudarmos o horário das aulas se eles continuarem dirigindo errado”, comenta o presidente.
Flávio de Castro acredita que estas mudanças podem ajudar a desafogar o trânsito, mas os motoristas precisam colocar em prática corretamente a legislação. Ele observa que um bom resultado depende da participação de todos.
“Não existe fórmula mágica para resolver este problema do trânsito na porta de escola. Estamos nos programando para que haja resultados, mas só vamos conseguir com a conscientização dos condutores e pais”, diz.

Medida pode ser estendida à rede pública

A medida proposta pela SMT primeiramente será aplicada nas escolas particulares, mas poderá se estender também para as da rede municipal e estadual em Goiânia. A diretora de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Ednéia Pereira, diz que a maneira mais correta para solucionar este problema de tráfego na porta de escola é trabalhar a reeducação do condutor de veículo. Para ela, mudar horários das aulas não resolverá o problema.
“As pessoas precisam transformar a cultura e maneira de dirigir. Modificar o horário do estudante entrar e sair da escolas apensar mudará a hora do congestionamento acontecer. Tenho minhas dúvidas”, indaga Ednéia Pereira.
A diretora lembra ainda que o professor também tem filhos que estudam e que não há como deixar ou buscar eles em horários diferentes pela falta de responsabilidade de pais que não dirigem corretamente.
“Os professores terão problemas com estas mudanças. Como vão ficar levando e buscando suas crianças sendo que o período de início e término das aulas será diferente dos deles?”, questiona Ednéia Pereia.


Escolas particulares estão lançando campanha com objetivo de incentivar as crianças a influenciarem positivamente a forma dos pais dirigirem
Escolas particulares estão lançando campanha com objetivo de incentivar as crianças a influenciarem positivamente a forma dos pais dirigirem

Estudante são estimulados a orientar os pais

As infrações de trânsito cometidas nas portas das escolas são resultado da falta de conscientização dos pais e condutores, que acabam causando engarrafamentos, acidentes e colocando a vida dos próprios filhos e demais estudantes em risco. O Sindicato dos Estabelecimento Particulares de Ensino de Goiânia (Sepe) está lançando uma campanha nas escolas da rede privada com objetivo de incentivar as crianças e adolescentes a influenciarem positivamente na forma dos pais dirigirem e principalmente como devem estacionar na porta das instituições de ensino.
O presidente do Sepe, Flávio de Castro, diz que a melhor maneira de alcançar os familiares é envolvendo o estudante nesta jornada de conscientização e lembra que a reeducação do trânsito é um trabalho de todos. Nas escolas da rede particular serão distribuídos folders as crianças serão orientadas sobre como os pais devem estacionar e obedecer as leis na na porta da escola.
“O ambiente escolar consegue alcançar a família por meio do estudante. Neste sentido estamos trabalhando com nossos alunos para eles orientarem os pais. Essa campanha “Por um trânsito mais seguro” começa ainda este mês, com o alvo principal de alertar e ensinar o estudante como um condutor deve dirigir corretamente”, diz o presidente.
O agente de trânsito de Educação para o Trânsito da (SMT), Horácio Ferreira, diz que está abraçando a campanha organizada pelo Sepe, e ressalta que dará o apoio necessário para que o maior número de pessoas, além dos estudantes sejam alcançadas.
Horáico Ferreira orienta também que os pais andem corretamente nas vias principalmente quando forem deixar os filhos na escola, pois a SMT está realizando um trabalho de instruções na porta dos colégios particulares, mostrando aos pais os prejuízos que acontecem ao não obedecerem as leis do trânsito.
“O objetivo é a intensificação das ações preventiva e ostensiva de policiamento nas proximidades das escolas, levando orientações e proporcionando mais segurança à comunidade escolar neste primeiro semestre de 2017, mas já deixamos os familiares cientes: estamos fazendo trabalhos de prevenção para a reeducação no trânsito, porém em breve as multas serão aplicadas caso não haja mudanças por partes dos condutores”, conclui o agente.

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