“Marconi tem um projeto nacional sendo executado”

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Tyrone: “Marconi está totalmente inserido no jogo nacional” (foto: Paulo José)

Há sete meses à frente da Secretaria Estadual de Governo, Tayrone Di Martino não para. Atender prefeitos, deputados, representantes de entidades diversas, auxiliares e gestores públicos, essa é sua rotina. E ele justifica: “O governador é muito claro, ele quer que esse governo seja cada vez mais republicano”. Todo trabalho de articulação que puder fazer, ele faz, dialogando o tempo todo com objetivo de aproximar o governo da sociedade. Ele garante que não existe distinção, atende igualmente políticos de qualquer partido. E não apenas ouve, resolve os problemas, encaminha e, quando não dá, diz logo que não é possível atender. “Quando é alguma demanda que preciso ver com o governador, eu faço uma avaliação se merece ser levado e separo. Depois despacho pessoalmente com o governador. Se for demandas de secretarias, eu ligo para o secretário na hora da audiência”, explica. Com esse estilo, Tayrone conseguiu grandes feitos em tão pouco tempo, dando uma verdadeira cara nova à secretaria. Resolveu o problema do pagamento aos advogados dativos, que vinha se arrastando há anos e agora está resolvido, está popularizando o programa Governo Junto de Você, com novos serviços disponíveis pra comunidades. E conseguiu também reformular a política de convênios e, dessa forma, obteve do governador a destinação de R$ 200 milhões em 2017 e mais R$ 200 milhões em 2018 para as prefeituras.


Manoel Messias Rodrigues e Yago Sales

Tribuna do Planalto – Faltando pouco mais de ano para a formação de chapas e início da campanha eleitoral de 2018, a base do governo estadual está pronta para construir a candidatura de José Eliton?
Tayrone di Martino – Eleição é eleição, tudo precisa ser pensado, planejado, organizado. Se você me perguntar se está tudo pronto, digo que não. É um processo de construção, por isso existem as coligações. Porque se fosse definição de um único partido, não precisava de coligação. Existe coligação porque há pensamentos diferentes, divergentes, de diversos partidos e o diálogo vai criar a unidade desses partidos para que eles possam caminhar juntos. O governador está focado muito agora na questão administrativa, está trabalhando para cumprir tudo aquilo que colocou no cronograma eleitoral dele. Entregou o Hugol, entregou os viadutos nas saídas da cidade, tem feito duplicações e revitalizações de rodovias, ou seja, é um governo atento às necessidades da população, que tem trabalhado bastante. Quando se tem uma gestão bem avaliada – e o governo está entrando numa fase de boa avaliação, de colher os frutos e ter esse resultado de boa avaliação –, ele se capacita para eleger o sucessor. Aí entra o vice-governador, que é muito leal, que trabalha muito junto com o governador e tem se colocado como um nome para ser discutido e debatido no sentido de se tornar o candidato da base. Acredito que seja um processo natural. Ele tem se firmado enquanto candidato competitivo, que tem admiração de todos os membros do governo e do partido. Obviamente teremos conflitos a serem solucionados, demandas a serem resolvidas, mas vejo um futuro promissor com a candidatura de José Eliton.

O Sr. vê chances reais de uma candidatura nacional de Marconi Perillo?
Tenho toda certeza que ele tem, não só chance real, mas um projeto, porque a chance ainda está nas possibilidades. Acredito que ele já tem um projeto sendo executado. Explico isso claramente. Você tem o governador que criou o consórcio dos governadores. Nenhum governador do Brasil fez isso, não existe outro consórcio de governadores. Temos o ente federado, que é o presidente da República, os governadores e as prefeituras. Temos as prefeituras sempre com muitas dificuldades, os governos sempre naquele limbo, se conseguem ou não executar, não tendo recursos. E temos o governo federal, que sempre teve muito poder. Então, quando Marconi Perillo cria o Consórcio Brasil Central, ele une um grupo de governadores para ter capacidade de mobilização e conversar quase que de igual para igual com o presidente da República, porque o presidente não vai deixar de atender, ou de encaminhar demandas de um grupo de governadores. Só nessa movimentação, ele já se colocou no patamar de discussão nacional. Hoje se o presidente da República for se reunir com os governadores mais influentes, mais preparados, os que mais planejam o país, tenho certeza que o nome do governador Marconi Perillo está entre os primeiros da lista.

Isso o credencia a pleitear um projeto eleitoral nacional?
Ele já se colocou, pessoalmente, numa postura de discussão de projetos nacionais. Ele é de um partido que tem figuras importantes, como é Aécio Neves, Geraldo Alckmin, que reconhecem a importância do governador Marconi Perillo no cenário nacional. Isso por si só já mostra que ele é uma pessoa que está atuando efetivamente no cenário nacional. Além disso, foi eleito governador quatro vezes. Portanto, deve disputar eleição de senador ou vice-presidente da República com chances reais, ganhando qualquer uma delas, de continuar fazendo esse debate nacional. Se o Marconi for vice do Alckmin ou, por suposição, numa aliança, ser vice de um candidato do PMDB, ele naturalmente já estaria numa discussão nacional. Vamos supor que ele não entre numa chapa majoritária, não seja candidato a vice, por si só, sendo senador, ele também já está na discussão nacional, porque hoje ele tem a confiança de todos os grupos nacionais. E muito provavelmente, sendo senador ele seria ministro da República, até por causa dessa situação com os outros governadores. Então acredito que Marconi está totalmente inserido no jogo nacional. Tanto que quando Alckmin esteve aqui pela última vez perguntaram se o Marconi poderia ser o vice dele na candidatura a presidente e ele respondeu: “Eu que posso dizer pra você que dependendo da situação eu que posso ser o vice do Marconi”. Ou seja, ele fez uma brincadeira, mas que mostra a importância de Marconi.

No cenário nacional, temos fatores externos às questões partidárias. Por exemplo, a lista de delatados da Odebrecht, que deve ter impacto na definição. Alckmin já foi citado, Aécio também. Isso gera um cenário de indefinição dentro do PSDB?
Não só dentro do PSDB, mas em todos os partidos. Segundo consta, o presidente da República e o Alckmin estariam na lista. Há vários nomes na lista. Agora essa questão de o nome estar na lista é muito relativo. Por exemplo, já foi constatado em alguns casos que o nome está na lista, mas a doação foi legal, foi coisa correta, ou seja, como alguém pode questionar uma doação de alguém que foi lá e pediu, o dinheiro veio dentro do caixa normal, foi prestado conta e depois aparece na lista como doação.

“Devo trabalhar numa candidatura a deputado federal”

O Sr. pretende sair candidato à Câmara Federal?
Estou num trabalho de execução aqui na Secretaria e não gosto muito de falar do meu projeto político-eleitoral. Acho que isso tem de ser construído no período de eleição. Sou um cara muito trabalhador, em todos os lugares que entro, me dedico ao máximo. Fui vereador para ter destaque e tive destaque. Terminei o mandato na Câmara como um vereador atuante, que debateu os principais temas, como um vereador que as pessoas passaram a conhecer. Agora estou muito dedicado à secretaria, a gente tem dado cara nova, realizado projetos. Claro, que tem coisas que ainda precisam ser ampliadas, mas temos trabalhado muito, temos atuação muito forte aqui. Sendo muito honesto com vocês, devo trabalhar num projeto de candidatura a deputado federal. Essa é minha pretensão, este é meu objetivo. Obviamente, isso não vai ser, nesse momento, mais importante do que minha função na Secretaria.

Essa pasta por ter característica mais política, de articulação, dificulta  esse projeto?
Primeiro, quem faz a pasta é o secretário, tenho muita clareza disso. Se você dissesse que a Secretaria de Governo é uma pasta muito burocrática, eu te diria que não. No Governo Junto de Você, eu estou com o povo o tempo todo. No Passe Livre, estou ao lado de estudantes, conversando o tempo todo. O Cartão Metrobus, a própria advocacia dativa, eu estou atendendo à demanda. Eu estou fazendo com que essa pasta tenha um perfil bem popular. Mas estou fazendo por que tenho pretensão de ser candidato? Não. Estou fazendo porque é papel do Estado atender a população e é o desejo do governador que se atenda a população. Então, continuaremos trabalhando para que essa pasta esteja em diálogo com a população.

Há outros projetos para aproximar o governo da população?
Estamos estudando, e deve ser implementada uma ferramenta de tecnologia no sentido de fazer o governo chegar mais perto das pessoas, de ter diálogo, de dar informação à população o tempo todo. Temos outro projeto de criar ações de luta em defesa da vida junto com a juventude, que é ligada à Secretaria de Governo e temos outras ações sendo planejadas, pensadas..

“Temos sete milhões de habitantes e todos precisam ser atendidos”   

Goiás tem suportado relativamente bem a grave crise econômica por que passa o país, mas como equacionar muitas demandas com poucos recursos?
O critério do governador para gastar é simples e claro: deve-se gastar somente naquilo que vai dar resultado na vida das pessoas, que será um benefício geral. O governador tem dito muito: “Não vou atender grupos políticos que, na verdade, não somam para a coletividade em detrimento de sete milhões de habitantes”. Temos sete milhões de habitantes e o governador quer que eles sejam atendidos. Quando ele manda o Pacote de Austeridade para a Assembleia, quis dizer: “Vamos diminuir o número de comissionados e economizar”. Mas e essas pessoas que vão ficar desempregadas e que têm padrinhos políticos que às vezes vão ficar chateados com o governador, comigo ou com qualquer secretário? Queremos atender os padrinhos políticos ou o povo? O governador quer atender o povo. E para isso tem que cortar na carne, precisa cortar comissionados, cortar excessos, diminuir as contas, por em prática o Pacote de Austeridade.

E a economia é significativa?
Sim. Só com a redução das subsecretarias de Educação tem sido feita uma grande economia. E agora vai ter um sistema mais moderno, que vai contemplar todos os municípios, que garantirá uma unidade regional de educação mais enxuta. Ele está enxugando tudo para sobrar recursos. E poder investir em asfalto, revitalizar, reurbanizar os municípios, investir em saúde, educação e segurança, vai pavimentar as rodovias que geram a economia, ou seja, ele vai investir no que dá impacto e que atende diretamente a população. Do contrário, a gente começa a jogar dinheiro fora e deixa de atender a população. O objetivo do Pacote da Austeridade é enxugar ao máximo e dar prioridade àquilo que vai atender as necessidades do povo.

“O Consórcio Brasil Central é uma ideia muito positiva”

Sobre o Consórcio Brasil Central, é interessante essa união, mas o Sr. acha que isso realmente pode se consolidar, se tornar permanente?
Ele já está criado. Existe um Consórcio legalizado, registrado, inclusive com uma arrecadação feita pelos governos para o fundo do Consórcio. Não vejo, do ponto de vista jurídico, qualquer dúvida. Porém isso depende da vontade dos governadores que forem eleitos, não se pode determinar o que o governador do futuro vai fazer. Então, a gente não pode dizer que isso vai ser permanente, que os outros governadores vão obrigatoriamente continuar. É uma ideia muito positiva, coloca os Estados do Brasil Central no patamar de discussão nacional, dá força. Os Estados  passam a discutir de igual para igual com o governo federal. Cada um desses Estados têm três senadores, então você acaba criando uma bancada grande de deputados federais e de senadores. Seria um erro de qualquer governador sair de um consórcio como esse.

O Sr. acha viável esse mercado comum que será criado entre os Estados do Brasil Central?
Totalmente viável.

“Com o Consórcio Basil Central, os Estados integrantes constroem uma bancada grande de deputados federais e senadores, e passam a discutir de igual para igual com o governo federal.”

Não afeta o governo federal, não há problema de legalidade?
Não existe problema de legalidade, e é um fator totalmente importante para os estados. Primeiro vai gerar economia e vai fazer com que a economia de todos os estados se comunique. Quanto mais força aglutinada, mais você vai conseguir gerar frutos politica, financeira e economicamente. Só por isso, já é positiva a criação desse consórcio. Outro fator é a possibilidade de comprar. Se esse consórcio, e parece que caminha para isso, conseguir fazer compras de forma coletiva, você pode reduzir custos.

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