Muitos nomes para poucas vagas na base

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Excesso de lideranças com forte capital eleitoral deve gerar dor de cabeça na definição da chapa governista que concorrerá ao Palácio das Esmeraldas e às duas vagas ao Senado

Marcione Barreira

A concorrência por uma vaga na chapa majoritária da base aliada na eleição de 2018 promete ser intensa. Hoje, o terreno governista conta com figuras de peso que fatalmente reivindicarão espaço nas composições da chapa ao governo e ao Senado. Partidos como PSB, PP, PSD, PTB e PR são alguns dos que devem ambicionar um lugar de destaque, ao lado do protagonista PSDB.
Em se tratando de cabeça de chapa, o próprio PSDB terá que palavrear muito para firmar o vice-governador José Eliton (PSDB) como candidato. Eliton deve assumir o governo, com a possível desincompatibilização de Marconi Perillo para concorrer às eleições em 2018. Marconi está no segundo mandato consecutivo e não pode se candidatar novamente a governador. O caminho natural seria a disputa pelo Senado, isso se o líder tucano não alçar voo mais alto no cenário nacional.
Assim, até o momento José Eliton desponta como o “escolhido” para levar adiante o projeto tucano em Goiás. Assumiria o governo em meados de abril e se candidataria, naturalmente, à reeleição. Como aconteceu com o então vice-governador de Marconi em 2006, Alcides Rodrigues.
Porém, na dinâmica da política, em especial pelo turbilhão de acontecimentos dos últimos tempos, o único nome de consenso na base é mesmo o de Marconi Perillo, caso o atual governador se decida realmente pelo Senado.
Em termos gerais, o panorama está da seguinte forma: há quatro vagas. Duas para o Senado, a de governador e a de vice. Caso a conjuntura global aponte o nome de Marconi para um projeto nacional, a briga continuará por quatro posições. Neste caso, a acomodação de forças ficaria mais fácil.
Em termos de Senado, cinco nomes estão à mesa com as cartas na mão e prontos para se cacifar. Começando pelos que já ocupam as cadeiras destinadas a Goiás e que terão o mandato terminado em 2018: a senadora Lúcia Vânia (PSB) e o senador Wilder Morais (PP). Além deles, o nome do supersecretário do Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos, Vilmar Rocha (PSD), desponta como forte candidato a uma das duas vagas.
Há ainda outros dois nomes que até aqui correm por fora, mas que não são descartados. Os deputados federais Jovair Arantes (PTB) e Magda Mofatto (PR), que são aliados e compõem os quadros da base governista há tempos. Os dois já requisitaram espaço em outras ocasiões e, agora, voltam a demonstrar que se sentem no direito de pleitear uma candidatura ao Senado.
O progressista Wilder Morais é incisivo quando o assunto é o projeto eleitoral para 2018. Ele acredita que as discussões devem se afunilar, e argumenta que, por ocupar uma cadeira que irá vagar, seu nome merece preferência.
“Eu trabalho para a reeleição no Senado. Sou senador e tenho o direito legítimo de concorrer”, destaca.
Por sua vez, Lúcia Vânia pondera que o projeto dela depende do que for definido pelo partido nacionalmente. Ela acredita que muitos diálogos devem ocorrer daqui até a época da formação das chapas e garante que seguirá a orientação de sua legenda.
“Meu partido ainda não definiu o projeto. Vamos alinhar e aí, sim, partimos para uma decisão que nos contempla”, afirma a senadora.
Já o supersecretário Vilmar Rocha não esconde que o seu maior objetivo em se tratando de eleições é disputar um cargo majoritário. Figura da estrita confiança de Marconi, o ex-deputado afirma que não tem o desejo de concorrer à Câmara Federal.
“Meu projeto é disputar a eleição majoritária sendo governo ou Senado. Não penso em disputar eleição para deputado”, revela Vilmar.
Ao avaliar a possibilidade de a base aliada perder algum partido em razão da forte concorrência, Vilmar ressalta que é cedo para se chegar a tal conclusão. Mas observa que há diferenças cruciais entre o cenário da base em 2014 e o momento atual, o que implica alterações em alguns aspectos.
Vilmar acredita que deve acontecer um aprimoramento, sobretudo depois das eleições municipais do ano passado.
“Deve haver uma reciclagem, uma mudança nas forças políticas com relação a 2014”, aponta Vilmar, que naquela ocasião foi candidato ao Senado, alcançando o segundo lugar com a expressiva votação de mais de 1 milhão de votos.
Para senadora Lúcia Vânia, o cenário em 2018 ainda está muito aberto e vai depender da organização e do projeto dos partidos em nível nacional. Segundo ela, a definição vai indicar o espaço que cada um terá dentro da base.
“É muito difícil fazer previsão. Dependerá muito de como vai ser a articulação em nível nacional”, pondera.
Aliada de Marconi Perillo há anos, Lúcia Vânia acredita que o governador se esforçará para não causar fissura entre os governistas.
“Claro que o governador vai trabalhar para acomodar todos. Agora, o espaço que cada um terá vai depender muito de como os partidos estarão em nível nacional”, reafirma.

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Aliados avaliam projeto nacional de Marconi

Apontamentos recorrentes nas conversas sobre as eleições de 2018, as vitórias eleitorais de Marconi Perillo – quatro vezes eleito governador de Goiás – fazem ele ser lembrado para a composição da chapa do PSDB à presidência da República. A liderança como idealizador do Fórum de Governadores, Consórcio Brasil Central, também reforça suas chances. No entanto, algumas situações deixam o tucano desfavorecido na disputa.
Uma das dificuldades é o fato de o PSDB centralizar as forças no eixo São Paulo/Minas Gerais. De 1994 até 2014, todos os nomes que se candidataram pela legenda saíram desses dois fortes estados. Apesar disso, os aliados de Marconi acreditam que suas credenciais poderiam somar a uma futura candidatura.
A senadora Lúcia Vânia enaltece a gestão de Perillo ao comparar a administração de Goiás à de outros estados. A reforma imposta pelo governo em 2015 é considerada pela senadora como uma ação importante, que antecipou a blindagem do Estado à crise que viria.
“A maneira como o governador comandou as reformas, se antecipando à crise, foi fator primordial para Marconi ocupar espaço na mídia nacional”, exalta Lúcia, que considera tal visibilidade importante.
“Ele tem hoje uma condição de pleitear algo mais em nível nacional”, enfatiza a senadora.
Já o senador Wilder Morais acredita que, apesar de o governador ter chances de concorrer a algo em nível de Brasil, o que seria muito importante para o Estado de Goiás, a disputa pelo Senado é algo mais palpável.
“Marconi tem, sim, uma grande chance. O nome está na mídia nacional e Goiás ganharia, mas eu acho que, se fosse hoje, o governador estaria mais próximo de uma candidatura ao Senado”, opina.
Participando da gestão de Marconi Perillo, Vilmar Rocha observa que está trabalhando pelo projeto nacional do tucano, entretanto, há muito caminho pela frente.
“Nós vamos lutar para isso acontecer. Só que não depende da gente. A política é dinâmica, é cedo. Depende muito das lideranças do partido dele”, finaliza.

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