Pluralidade de temas e estilos na telona

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Frederico Ribeiro*
Especial para a Tribuna do Planalto

A 10ª edição da mostra de cinema O Amor, a Morte e as Paixões começa nesta quarta-feira, dia 15 de fevereiro, e traz nada menos que 100 filmes para as telas goianas. A mostra segue até dia 1º de março e todos os longas serão exibidos no Cinema Lumiére do Shopping Bougainville.
Professor da UFG e ex-diretor da Cinemateca Brasileira, Lisandro Nogueira, que idealizou a Mostra em 2001 junto a Gerson Santos, dono da rede Lumiére, é novamente o curador desta edição, marcada pela diversidade na escolha dos títulos. Sim, diversidade de temas, de estilos e de nacionalidades. Apesar do nome da mostra, há comédias!
Há filmes brasileiros, argentinos, americanos, coreanos, africanos, ingleses, franceses, alemães, iranianos… São, ao todo, 33 países com representantes nesta 10ª edição. De temáticas islamita, católica, ateia, sem conteúdo religioso; filmes sobre histórias mais em comum com o público LGBT (mas não só), para o público feminista (mas não só), obras sem qualquer conotação sexual… Há de tudo, para todos os gostos. Podemos até, de certa forma, chamar esta mostra de ecumênica.
Fato é que, para o público goiano, é uma oportunidade rara de ver na grande tela as melhores obras que o cinema produziu nos últimos tempos, além de dois clássicos. Porque, sejamos sinceros, o circuito fílmico da nossa capital deixa muito a desejar. E deixa muito a desejar não apenas para cinéfilos, mas para todos aqueles que apreciam a sétima arte.
Tirando sucessos de bilheteria, a verdade é que os melhores longas-metragens dos últimos dois anos não passaram aqui em Goiânia. Uma pena constatar isto em pleno 2017, mas outra verdade é que por aqui sempre foi assim, e não há razões para esperarmos mudanças.
*Frederico Ribeiro é escritor e jornalista. Cinéfilo e cineasta. E-mail: fredericoribeiro@yahoo.com


P8-10 mostraPequeno guia para a maratona cinematográfica

São 100 filmes em 14 dias, uma verdadeira maratona cinematográfica. Então aqui vai um guia, pegando dia por dia, dos destaques desta mostra. (Atenção: o leitor é aconselhado a, acima de tudo, seguir seu gosto e disposição. Só busquei facilitar a vida deste leitor/espectador.)

16/2 – “A Criada”
É mais uma obra-prima do coreano Park Chan-Wok, de “Oldboy”. Se não está no nível (pouquíssimos filmes estão) do supracitado, certamente merece o selo do diretor. Outros destaques (outros ótimos filmes estarão em cartaz neste dia, mas como os colocarei em destaque em outras datas, deixo para falar deles então): “Amnesia” e “Paraíso”.

17/02 – “Elle”
Este, pasmem, passou em Goiânia. Chance para quem não assistiu, e para quem assistiu, rever. Imperdível, incontornável. Outros destaques: “Kóblic” e “Um homem chamado Ove”.

18/02 – “Manchester à Beira Mar”
Melhor filme norte americano do ano passado, melhor que “La La Land”. Um mistério o porquê não passou por aqui no circuito. Outros destaques: “O Lamento” e “Jackie”.

19/02 – “Apocalypse Now”
Não perca a chance de ver esse clássico (de 1979) na telona (faz toda diferença, acredite). E na versão do diretor! Este aqui não é clássico por acaso ou por conta do tempo que se passou: este faz jus ao epíteto. Outros destaques: “Neruda” e “É Apenas o Fim do Mundo”.

20/02 – “O Apartamento”
Iraniano, mas nada chato. O diretor deste drama tem também um dos melhores textos da dramaturgia mundial atual. Outros destaques: “O Clube” e “Lion – Uma Jornada Para Casa”.
21/02 – “Toni Erdmann”
Drama alemão que, com méritos, concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro (a cerimônia será em 26/02). Outros destaques: “Blind” e “A Passageira”.

22/02 – “Eu, Daniel Blake”
O veterano britânico Ken Loach levou a Palma de Ouro em Cannes, ano passado, por “Daniel Blake”, mas este arrebatador olhar sobre nosso tempo não precisaria de prêmios – seu valor é intrínseco. Outros destaques: “Uma História de Loucura” e “Phoenix”.

23/02 – “A Qualquer Custo”
Dos top 5 filmes americanos do ano passado. Irregular, porém marcante, sobretudo por conta das atuações. Jeff Bridges está impagável, este é daqueles que te surpreendem. Outros destaques: “Love” e  “Moonlight”.

24/02 – “A Comunidade”
Thomas Vinterberg é o cineasta dinamarquês que em 1998 nos trouxe o espetacular “Festa de Família”. Depois filmou nos EUA, fez longas inexpressivos na própria na Dinamarca, mas sua retomada à forma foi esse seu último “A Comunidade” mesmo. Outros destaques: “Como Você É” e “Eu, Olga Hepnarová”.

25/02 – “Animais Noturnos”
Não por acaso – seu diretor é o estilista Tom Ford–, este é mais um exercício de estilo, de estética, do que de substância. Mesmo assim, é muito acima da concorrência. Outros destaques: “Belos Sonhos” e Más Notícias para o Sr. Mars”.
26/02 – “Invasão Zumbi”
Não, este filme coreano não é mais um terror banal sobre zumbis. Além de divertido, é uma alegoria política muito inteligente. Outros destaques: “A Espera” e “Sete Minutos Depois da Meia-Noite”.

27/02 – “A Chegada”
Tudo bem, este aqui é quase um blockbuster, é mainstream, passou no circuito etc. Independente disso, pelo modo intimista como é contada a história, por evitar simplismos em uma trama com subtextos complexos, e por outros méritos, “A Chegada” é digno de figurar qualquer lista de melhores recente. Outros destaques: “O Valor de um Homem” e “John From”.

28/02 – “Capitão Fantástico”
Apesar de não ser meu estilo de filme (meio politicamente correto demais para meu gosto), reconheço que vale o ingresso, principalmente por conta da atuação premiada – e indicada ao Oscar – de Viggo Mortensen. Outros destaques: “Elis” e “Incompreendida”.

01/03 – “Aquarius”
Destaque: “Aquarius”. Apesar desta obra ter ficado notória por motivos políticos – seus realizadores denunciaram, por meio de cartazes, o que chamaram de “golpe” contra a ex-presidente Dilma Rousseff –, o filme não precisa deste tipo de barulho para se destacar – a estridência das imagens e da dramaturgia impecáveis falam por si. Outros destaques: “Quando o Dia Chegar” e “White God”.

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