Segurança pública: hora de resolver esse problema

0
919

O caos na segurança pública do Espírito Santo, provocado pela falta de policiais militares nas ruas, é mais uma daquelas situações que os governantes estão cientes que vão ocorrer, mas não tomam providências, fazem vistas grossas, vão empurrando com a barriga.
As escolas sem aula, postos de saúde e outras repartições públicas com atendimento comprometido e ao menos 95 assassinatos registrados em cinco dias, número muito acima da média no estado, que foi de 3,2 homicídios por dia em 2016.
O caos atinge especialmente a região metropolitana de Vitória, com nefastos reflexos no dia a dia da polução do estado. A greve dos PMs causou um verdadeiro caos social com assaltos, troca de tiros e saques em vários pontos das cidades do estado. As cenas das tropas do exército entrando em Vitória sob aplausos da população mostram o alívio de uma cidade praticamente sitiada pelo crime.
O que acontece no Espírito Santo evidencia vários dos problemas da segurança pública no Brasil. A situação é muito ruim de modo geral e a desorganização das polícias, falta de reforma nas instituições, modelo ultrapassado de gestão da segurança pública, todo esse caldeirão de problemas, agravado por maus salários, falta de equipamentos, aumento vertiginoso da criminalidade, mostra que não dá mais pra adiar uma solução para esse grave problema. A segurança pública precisa e deve ser reformulada em todo o país. Não é possível continuar com um organismo ultrapassado como as polícias (Civil e Militar), responsáveis pela segurança pública nos estados, cidades, regiões metropolitanas.
O governo federal precisa ou dar autonomia para os estados reformularem suas polícias, modernizarem-nas, através de mudanças constitucionais significativas, acabando com essa verdadeira afronta à inteligência dos brasileiros que são as polícias Civil e Militar trabalhando de forma competitiva, sem harmonia e improdutiva; ou assumir um papel de maior protagonismo, criando uma estrutura nacional que sirva como espinha dorsal para as polícias estaduais. Em ambos os casos, a solução passa por intervenção do Governo federal, porque requer mudanças importantes na Constituição.
Infelizmente o que vemos, porém, é uma verdadeira inanição do Palácio do Planalto. Basta lembrar o recente episódio da matança nos presídios de Manaus e Roraima. Chamado a socorrer o estado de Roraima, antes do caos se instalar nos presídios de lá, o ministro da Justiça de Michel Temer respondeu negativamente, deixando o estado à própria sorte. E vimos no que deu.
É inadmissível o País não possuir um ministério de segurança pública. Mas não basta um ministério para dar apenas status a um ministro e cargos na Esplanada em Brasília. É preciso encarar o problema e agir para resolvê-lo definitivamente. Assim como ocorreu no Espírito Santo, o país inteiro convive com forças de segurança anacrônicas e à beira do colapso.

Manoel Messias – Editor Executivo

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here