A arte de contar histórias

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Alunos são estimulados a desenvolver a oralidade e o gosto pela leitura

Alunos de uma escola municipal de Goiânia desenvolvem o gosto pela leitura ao resgatar histórias e trabalhar a oralidade

Daniela Rezende

Contar ou escutar histórias traz uma série de recordações da infância e pode também nos lembrar de um passado recente, do tempo dos nossos avós. Não importa a faixa etária, a arte de contar, recontar e prestigiar uma boa memória aguça o imaginário das pessoas que viajam na leitura e oralidade.
Em um ponto da Capital, no Conjunto Aruanã, uma unidade educacional se destaca por incentivar a leitura por meio dos livros e contos populares. Cerca de 30 alunos do ciclo III, da Escola Municipal em Tempo Integral Professora Silene de Andrade, que tem entre 12 e 14 anos, integram o grupo de “Contadores de histórias”.
De acordo com a professora de artes visuais da instituição, Célia Regina de Oliveira, o trabalho existe desde 2006. “Realizado de forma interdisciplinar, a ação forma leitores e divulga a literatura. Neste processo, meninos e meninas vão sendo seduzidos pela leitura e a arte passa a ser eixo principal para divulgar histórias e autores”, relata a educadora.
Neste ano, a escola já deu início ao trabalho, no último dia 13, com uma manhã de histórias contadas por ex-alunos, em um cenário que contou com uma mesa colorida, recheada de livros, flores e um delicioso café da manhã. O momento representou um convite aos novos educandos, que escutaram atentamente as narrações dos irmãos e ex-alunos da escola, Felipe e Lucas Ferreira.
Vitória Harumy, 12 anos, entrou na escola este ano e ficou encantada com o convite para participar do grupo. “A recepção que tivemos foi ótima, com música, lanche, dedicação de frases bonitas um para com o outro. Eu gostei muito da história ‘O poeta e a menina do cabelo cacheado’, feita e contada pelos ex-alunos, com um carinho enorme”, destaca a aluna.

Memórias do grupo

A Escola em Tempo Integral Professora Silene de Andrade completa 25 anos de existência em 2017 e tem como eixo central do Projeto Político Pedagógico, o tema: “Memórias: celebrando a vida”. O grupo de contação vai relembrar histórias já contadas, como Santa Dica, Maria Grampinho e Tereza Bicuda.
“O grupo de Contadores de histórias me ajudou a perder a timidez, influenciou minha leitura e ajudou na memorização. Quando conheci o grupo de contadores de histórias, quis participar na hora. Lembro da minha primeira história, ‘Maria Grampinho’, que foi bem difícil contar no começo, depois comecei a pegar o jeito. Eu gosto de participar do projeto e encantar pessoas com histórias e contos”, afirma Daniele Ferri, 14 anos, que  integra o grupo há 2 anos.
Já para Paulo Henrique Gomes Correia, 14 anos, a sua participação o ajudou muito. “Eu cheguei no grupo e já fui gostando de tudo, das leituras, das preparações para memorizarmos as histórias e de como fui perdendo a timidez. Contei minha primeira história do livro “Marcelo, marmelo, martelo e outras histórias”. Adoro o grupo e tenho muito a agradecer por ele. Espero que continue firme e com bons contadores”, comenta.
A professora Célia Regina comemora o sucesso do projeto, que tem até fila de espera para entrar. “Neste processo que ainda vai se revelando aos poucos, muitos passaram pelo grupo, outros vão chegando e assim vamos descobrindo que a leitura é como um degrau alcançado na escala de despertar leitores”, afirma.

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