Dívida herdada de Paulo Garcia emperra gestão de Iris Rezende

0
782
Prefeito Iris Rezende: pressão também no Legislativo

Nos primeiros 40 dias de gestão, principal entrave ao peemedebista é a falta de recursos, já que recebeu como herança um déficit mensal de R$ 30 milhões

Marcione Barreira

A falta de dinheiro para quitar compromissos urgentes, manter a máquina administrativa e pagar o funcionalismo tem dificultado o início da quarta gestão de Iris Rezende (PMDB) à frente da Prefeitura de Goiânia. Segundo as contas do Executivo, hoje há um déficit de cerca de R$ 700 milhões referente a fornecedores e prestadores de serviços herdados da gestão de Paulo Garcia (PT). Há ainda, segundo a prefeitura, um déficit mensal de cerca de R$ 30,7 milhões, o que tem contribuído para a estagnação da gestão de Iris.
Os peemedebistas alegam que as dívidas têm inviabilizado qualquer tentativa de colocar a máquina administrativa municipal nos eixos. Neste momento, mesmo que não com excelência, alguns serviços já podem ser notados, como o serviço de tapa-buraco e os de limpeza. Os dois têm sido até aqui os que mais se desenvolveram, mostraram certo resultado, ainda que com alguns atropelos.
O serviço de limpeza ainda tem sofrido bastante, mas sinaliza uma melhora se comparado a atividade atual com os da gestão anterior. Na Comurg, os levantamentos da atual diretoria constataram uma dívida de cerca de R$ 60 milhões. Além disso, há um grande número de equipamentos parados por falta de manutenção.
Contudo, Iris Rezende tem pedido tempo para amenizar a situação geral da prefeitura. De fato, há um otimismo do Executivo em razão de impostos que devem ser recolhidos nos próximos dias. A partir desta semana, começa a entrar nos cofres do Paço o dinheiro proveniente do pagamento do IPTU e ITU, uma das principais fontes de recursos do município. Ainda que não resolvam todo o problema, os recursos chegam em boa hora e devem ao menos amenizar a situação.
Para Iris, a partir deste mês de fevereiro, 60 dias serão necessários para ajustar a máquina e, aí sim, colocar as coisas para funcionar. A prefeitura acredita que alguns serviços devem ser priorizados, entre eles a saúde. Além das atividades que estão precárias, obras estão paradas e por enquanto devem permanecer assim.
Na saúde, conforme balanço realizado no final do ano passado, há oito obras em andamento, a maioria referente à construção de Centros de Saúde. Fátima Mrué, Secretaria Municipal de Saúde, tem dito que terá que seguir algumas prioridades por escassez de recursos.
A secretária tenta sanar as extensas filas dos Cais e retomar as obras de reformas de algumas unidades. As filas devem começar a diminuir com a implantação das escalas de plantão, conforme a própria secretária disse à Tribuna do Planalto há três semanas.
“Precisamos focar e dar prioridade nas escalas de plantão e, na medida do possível, dar atenção às reformas em andamento”, diz a nova gestora da pasta da Saúde.
Este é o caso da área que o prefeito pretende ajustar primeiro, mas, além desse setor, outros estão paralisados. Ao todo, são cerca de 30 obras em andamento que o Executivo terá que retomar nos próximos passos da gestão.

Descontentamento já é visível entre vereadores

A pressão sobre Iris Rezende não vem só por parte da população que não vê resposta do experiente político. Atualmente, a base do prefeito na Câmara não oferece a sustentação na medida confortável que ele almejava. Apesar de a situação contar com um grande número de vereadores, o que garante maioria confortável a Iris, existem muitos parlamentares descontentes com o peemedebista.
Vereadores aliados reclamam principalmente da “postura centralizadora” do prefeito em não permitir indicações deles para cargos na prefeitura. Neste aspecto, Iris Rezende sofre muita pressão porque foi apoiado por um amplo leque de aliados e, agora, se vê forçado a dar espaço a todos. Quando isso não ocorre, naturalmente nascem os atritos.
Na tentativa de conter os gastos da máquina, Iris demitiu no final do mês de janeiro todos os estagiários do Paço Municipal. A medida causou insatisfação de muitos.
Como se não bastassem os arrochos financeiros no início da gestão, o prefeito tem que responder sobre a nomeação de secretários com problemas na justiça. Nessa situação estão Kleber Adorno e Samuel Almeida, que ocupam respectivamente as secretarias de Cultura e Governo.
Apesar das justificativas, a demora na nomeação dos titulares da Agência Municipal de Meio Ambiente e Companhia Municipal de Transporte Coletivo também contribuiu para a desconfiança neste início de gestão. Iris argumenta que a delonga se deu pela necessidade de acertar na escolha dos nomes.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here