Policia Civil rastreia telefone e prende foragido

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Pastor Daniel foi preso em Hidrolândia. Foto: arquivo

Daniel Batista de Moraes,31, foi preso na noite de ontem por agentes da Polícia Civil em Hidrolândia. Condenado por assassinato a nove anos de prisão, como adiantou investigação de quatro meses da Tribuna do Planalto há um mês, Moraes transitava livremente em Aparecida de Goiânia e até fundou uma casa de recuperação, a Resgatando Vidas, onde agredia os internos. Moraes foi preso por agentes em uma operação comandada pelo delegado Wellington de Carvalho, que identificaram a localidade por meio do rastreamento do número de telefone usado pelo foragido.

Moraes chamou atenção quando agrediu Marcos Pina no terminal Isidória, em uma disputa por ponto de venda de balas nos coletivos. O caso foi investigado a fundo pelos repórteres da Tribuna e resultou em uma grande reportagem.

Na instituição Resgatando Vidas, para dependentes químicos, Daniel explorava mão de obra e, como levantou apuração da reportagem, agredia os internos. Atualmente, a mulher dele, Geice Moreira de Moraes, continua mantendo a instituição que ainda não foi interditada, mesmo sem alvarás de funcionamento. A Polícia Civil de Aparecida de Goiânia investiga as denúncias de maus-tratos.

Com sua Prisão,  Moraes não consta mais no Banco Nacional de Mandados de Prisão do Conselho Nacional de Justiça. Em 2012, ele foi sentenciado pelo 1º Tribunal do Júri de Goiânia a nove anos de prisão pelo assassinato de Damião Batista de Carvalho, ocorrido na noite do Natal de 2007. Daniel matou Damião a pedradas e pauladas após discussão durante uma festa de confraternização natalina, no Residencial Eli Forte, em Goiânia.

Na ficha policial de Moraes consta ainda outra sentença: dois anos de reclusão, desta vez em regime aberto. Daniel e outro réu, Walderson Gomes da Silva, foram julgados pela tentativa de assassinato de Jonas Ataídes da Silva Neto, na noite de 20 outubro de 2006, na rua Curadores, Jardim Mirabel, em Aparecida de Goiânia. A vítima conseguiu fugir, após ter a perna esfaqueada e, por consequência, amputada.

Moraes está na carceragem da Delegacia de Investigação Criminal (DEIC). A Polícia Civil ainda não decidiu se o pastor será apresentado à imprensa.

Repercussão 

A reportagem teve enorme impacto, repercutindo em veículos nacionais. O site Ponte, o mais importante na cobertura jornalístico para os Direitos Humanos, publicou a reportagem integral.

Mesmo com toda a divulgação, Moraes enviou áudios ameaçadores a uma das fontes da reportagem. Nos áudios, dizia, entre outras coisas, que teriam de arrumar “dez medidas protetivas”.

Cláudio Curado, diretor do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Goiás
Cláudio Curado, diretor do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Goiás

Depois das ameças, o diretor do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Goiás, Cláudio Curado, visitou a redação e prometeu ajudar a pressionar a Secretaria de Segurança Pública (SSP-GO) para que prendesse Moraes.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), por meio de sua presidente, Maria José Braga, emitiu nota cobrando empenho da Polícia. “Vamos, junto com o Sindicato de Jornalistas de Goiás, pedir providências ao Secretário de Segurança Pública”, disse.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou em nota que “É inadmissível que um jornalista tema pela própria vida simplesmente por exercer sua profissão”.

 

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