Salas modulares suprem falta de vagas nas escolas

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No ano passado o governo Estadual disponibilizou 50 salas modulares, mas os educadores lutam para construção de salas de alvenaria no ambiente escolar

Para tentar solucionar o problema da superlotação de turmas em escolas públicas, algumas unidades têm recebido salas modulares, mas professores reivindicam construção de salas de alvenaria

Fabiola Rodrigues

A falta de espaço para comportar todos os estudantes das escolas públicas tem se tornado problema a cada novo semestre. Como a construção de novas escolas ou mais salas parece ser uma realidade distante, desde abril do ano passado o governo Estadual disponibilizou 50 salas modulares para atender situações emergenciais do ambiente escolar, como grande demanda de estudante. Apesar de solucionar uma situação emergencial, a sala-contêiner não é bem-vista pela comunidade escolar, que prefere a construção de novas salas convencionais.
A Escola Estadual José Silva Oliveira, no Residencial Triunfo I, em Goianira, atualmente tem quatro salas modulares que funcionam dentro de contêineres com ar-condicionado e comportam em média 32 alunos, mas estão recebendo uma média de 42 a 45 alunos por sala, já que o colégio é o único da região e recebe mais de 1.700 alunos entre os turnos matutino, vespertino e noturno. A diretora, Celma Arruda, diz que as salas servem como medida paliativa, porém o ideal seria a construção de novas salas, já que a escola tem espaço suficiente isso.
“A grande demanda de estudantes que temos foi o principal motivo para recebermos as salas modulares. Elas foram instaladas para ajudar a desafogar várias turmas que estavam muito cheias. Esta escola tem cinco anos e é nova, mas tem espaço de mais para a pouca quantidade de sala”, diz a diretora.
Para Celma Arruda a escola ainda precisará de pelo menos seis salas modulares para ajudar a atender a grande demanda de estudante. Todavia ela ressalta que o melhor caminho é a construção de salas normais de alvenaria, já que existe grande espaço para obras.
“Solicitamos na Secretaria de Educação Cultura e Esporte (Seduce) mais salas, pelo menos as modulares, enquanto não haja construção, porém só nos informam que vão mandar as modulares. Nossa necessidade é para agora, pois nossa região atende muitos aluno, a lista de espera de vagas é quase interminável, com vários pais desesperados por vagas para seus filhos. Se tem estudante, precisamos recebê-lo, ainda mais em região carente como a nossa”, relata Celma Arruda.
Para a diretora as quatro as salas modulares, num primeiro momento, servem como um alívio, por atender às necessidades básicas de ensino e aprendizagem, mas a preocupação é não se sabe até quando essa solução provisória funcionará.
“As salas são boas e ajudam a solucionar o problema de excesso de estudantes nas turmas, mas precisamos de pelos menos mais seis até que se construa novas salas de verdade e o que me preocupa é saber quanto tempo vai levar para que aconteça a construção de fato”, diz a diretora.
O coordenador da escola, Thiago Lima, lembra que o espaço para construir novas salas é enorme e que caberia tranquilamente ao menos dez.
“Para uma solução que precisa de agilidade como a nossa, a sala modular tem ajudado pela sua praticidade e rapidez de ser instalada, mas pensando a logo prazo não será o ideal. Foram colocadas aqui quatro delas e são boas, têm ar-condicionado, mas queremos projetos de construção e não sabemos quando isso acontecerá”, relata o coordenador.
Juliana Rodrigues, de 16 anos, estuda em uma das salas modulares da escola e relata que seu diferencial é o ar-condicionado, que evita o calor, mas que prefere a sala tradicional.
“Sinceramente eu gosto muito da sala por ela ser mais fresca e arejada, mas uma sala normal, com a condição da que temos provisória, será muito melhor”, observa a estudante.
O professor de Geografia Wagner, que dá aula em sala modular, relata que os alunos gostam da novidade, mas que quando chove dá infiltração e o contêiner precisa de reparo. Ele lembra que a finalidade da sala é apenas uma solução provisória e que, no entanto, essa não tem sido a realidade na escola.
“O mais importante é a construção de novas salas que podem durar por mais tempo porque não sabemos a durabilidade de uma sala dessa. O estudante merece escola de qualidade”, diz o professor.

Modelo poderá ser adotado na rede municipal de Goiânia

Criadas para suprir necessidades urgentes das escolas, as salas modulares também poderão ser adotadas nas escolas municipais de Goiânia, seguindo exemplos de outras cidades do interior do Estado. A gestão de Iris Rezende analisa a possibilidade de adoção desse modelo para suprir casos urgentes.
O secretário de Educação Municipal e Esporte, Marcelo Ferreira da Costa, diz que melhorar a estrutura das unidades educacionais é prioridade. A construção de escolas e Centros Municipais de Educação Infantil será retomada gradativamente e não está descartada a utilização de salas modulares para situações específicas.
“Queremos melhorar a educação e se for necessário utilizar salas modulares assim faremos, tudo será estudado e essa possibilidade existe”, relata Marcelo Ferreira.
Em Goiânia poucas escolas usam salas modulares. Uma delas é a Escola Lucimar Bendito Hesketh da Silva, da rede estadual, localizada no Condomínio Marques de Abreu. São duas salas colocadas na unidade em maio do ano passado, quando alunos da própria escola atearam foto em um pavilhão. A coordenadora de turno Lidiam Ramos diz que as salas-contêineres ajudam muito, mas já tem quase um ano que elas estão lá e que a escola tem uma obra parada há seis anos que não anda.
“Vejo que a sala modular é muito boa para a solução de um problema a curto prazo. Ela não pode ser vista como mais uma sala normal na escola. Precisamos de construções sólidas e de boa estrutura no ambiente escolar. Até hoje temos salas de placa que esquentam muito e nossa obra escolar ainda permanece parada, isso há mais de cinco anos”, relata a coordenadora.


Escola de Aparecida de Goiânia pede reforma

Em Aparecida de Goiânia, os alunos da Escola Estadual Jesus Conceição Leal receberam em agosto do ano passado cinco salas modulares que, segundo a secretária da escola, Lucinéia Lia, também serviram para ajudar a diminuir a superlotação das salas convencionais. Ela conta que essa foi uma forma improvisada de tentar resolver o problema, já que é preciso construir mais salas.
“Tem sete meses que estamos com estas salas-contêineres e elas estão ajudando a resolver alguns problemas, mas precisamos é de uma boa reforma na escola. Temos ainda cinco salas de placa que são muito quentes e o estudante sofre com isso, pois faz calor e causa um grande desconforto para a turma”, diz Lucinéia Lia.
A secretária da escola conta que quando foram instalar as salas, em agosto do ano passado, houve um impasse, porque iriam colocá-las no chão batido sem cimento e, para que isso não acontecesse, pais de alunos e comunidade se mobilizaram para cimentar parte da escola.
“Nós, educadores, tentamos oferecer ensino de qualidade e fazemos de tudo para que o estudante se desenvolva, mas precisamos também melhorias na infraestrutura para que isso aconteça”, lembra a secretária.

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