Os desafios dos educadores diante das redes sociais

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Frederico Ribeiro
Especial para a Tribuna do Planalto

As redes sociais se tornaram um desafio para pais e professores. Se há alguns anos eram Orkut e mais uns dois, depois veio o Facebook e os varreu do mapa, ao mesmo tempo que arrebatando a todos nós (modo de dizer) para seu meio. Só que isso era só o começo. Vieram o Twitter, o Whatsapp, agora o Instagram… Bom, estou falando das mais populares. Existem literalmente dezenas dessas redes e elas definitivamente mediam nosso convívio. Mas, se ainda é impossível saber o impacto desse fenômeno na sociedade a médio ou longo prazos, é importante pensarmos em como este fenômeno afeta nossos pré-adolescentes e adolescentes, principalmente num ponto essencial em sua formação: a educação escolar.
E, nesse item, o maior problema (estou falando de aprendizado, claro, e não da segurança individual) é, sem dúvidas, a questão da atenção. Do foco.
Todos sabemos que é difícil manter uma criança focada. E isso vale também para adolescentes. Sabemos como é frustrante – e irritante – estar conversando com eles e percebermos que suas mentes divagam. A mesma lógica se aplica à sala de aula. O professor fala e a cabeça está longe. E depois em casa, quando deveriam estar fazendo o dever do dia, estão… no Whatsapp.
Bom, um conceito mais recente por aqui (e que talvez todos – nossos pais, avós – já sabiam instintivamente), mas que é de conhecimento público nos Estados Unidos e na Europa há décadas, é o de que o aprendizado decorre mais do prender a concentração do aluno do que de sua inteligência. Só que para conseguir essa atenção, você precisa antes despertar o interesse.
Nossas escolas já mudaram bastante daquele modelo rígido de ensinar, usando hoje em dia um pouco mais de interação, com jogos, imagens, sons etc. E mudaram justamente porque esta verdade – a de que é preciso estimular a curiosidade – ficou clara. Mas é preciso mudar mais. Ou melhor, se seria preciso mudar mais, agora, com este novo desafio que as redes sociais – e a própria internet – impõem. As dificuldades se multiplicaram, é preciso mudar muito mais.
Para termos uma ideia do tamanho da complexidade que este novo modo de vida apresenta, basta lembrar que também nós, adultos, estamos constantemente distraídos trocando mensagens, que vivemos também imersos neste espaço virtual.
Conheço muitos que têm de se policiar para não sair da realidade física e entrar na outra. Isso para não falar das pessoas que são viciadas mesmo, que têm prejuízos pessoais, de relacionamentos, enfim, em todas as esferas de suas vidas.
Então, o que fazer?
A verdade não é muito animadora: para além de tomarmos os celulares de nossos filhos (sim, porque agora todos eles possuem um!) por algumas horas, não há outra solução em vista.
Tudo que posso dizer é: boa sorte para vocês tentando domar este novo mundo. E com este “vocês” quero dizer: pais ou quaisquer que sejam os responsáveis, professores e educadores em geral, ou seja, todos os envolvidos na empreitada. Incluindo este aqui que lhes escreve.

*Frederico Ribeiro é escritor, jornalista e colaborador da Tribuna do Planalto. Cinéfilo e cineasta. Email: fredericocordeiro@yahoo.com

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