Estudantes aprendem a arte de falar em público

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As apresentações dos trabalhos são realizadas a partir da leitura e escrita através de teatro, conto, dança ou de acordo com a criatividade de cada grupo

Professora de Português desenvolve projeto focado na leitura e declamação de textos, que ajuda alunos a superar a insegurança e o medo

Fabiola Rodrigues

Timidez, medo e vergonha de falar em público são alguns dos empecilhos para quem vai apresentar um trabalho escolar ou fazer entrevistas. Para ajudar o estudante a ter melhor desempenho e rendimento na escola e em suas relações sociais, a professora de Português Neusa Rosa, que dá aulas na Escola Estadual José Lobo, do Setor Rodoviário, em Goiânia, tem realizado um trabalho de mostra literária com os estudantes das turmas do terceiro ano do ensino médio por meio de apresentações no pátio da escola. Segundo a professora, o objetivo principal de levar o estudante a desenvolver a fala e construir seus conceitos a partir do que lê.
“Avalio o conhecimento do estudante e principalmente a fala dele ao apresentar, porque o foco da mostra literária é ajudar os alunos a perderem a timidez e ficarem desinibidos, pois são estudantes de terceiro ano que estarão em breve atuando no mercado de trabalho e farão entrevistas para primeiro emprego. Se eles não tiverem coragem ou aptos a corresponder às expectativas das empresas as vagas não serão deles”, relata Neuza Rosa.
Os trabalhos são realizados pelos estudantes a partir da leitura e escrita. A última fase são as apresentações, que têm chamado a atenção de todos do ambiente escolar, pois cada apresentação pode ser interpretada através de teatro, conto, aulão, dança, dependendo da criatividade de cada grupo ou estudante. Eles são estimulados para enfrentar a timidez e a vergonha de se exporem.
“Temos também o compromisso de prepará-lo para a vida e contribuir pra que tenha desempenho na oralidade. Tem alguns alunos que ficam com medo de falar e não apresentam, mas estimulo eles, pois a nota só é formada se apresentarem. O estudante precisa sentir segurança para construir o aprendizado e isso só aprende na prática”, diz Neuza Rosa.
Para a professora, o trabalho que está sendo realizado pelos estudantes por meio das obras literárias é apenas uma maneira de instigar neles o desejo de ler, compreender e expressar. Ela lembra que estes são processos de aprendizagens fundamentais na construção do conhecimento, além de contribuir significativamente no desempenho interpessoal do estudante.
Neuza Rosa conta que já pode observar certa desinibição dos estudantes ao terem as primeiras experiências extraclasse. Este modelo de trabalho literário que ela faz com as turmas que estão no último ano na escola acontece há mais de cinco anos, mas ultimamente tem sido destaque por contribuir para que o estudante explore sua capacidade e organização do pensamento ao falar em público.
“Ouço o estudante dizer que estes trabalhos literários são importantes para a desenvoltura deles quando estão frente a outras pessoas. Acredito que quando ele apresenta naturalmente ajuda a ficar desinibindo”, relata a professora.


Vencendo o medo de comunicar

Alguns estudantes que estão na jornada de apresentações os trabalhos literários deram entrevista à Tribuna do Planalto e partilharam as experiências que estão tendo desde os primeiros dias de aula deste semestre. Samuel Parreira está concluindo seu último ano do ensino médio e diz que se considera mais seguro para enfrentar novos desafios na universidade e no mercado de trabalho, devido à sequência de apresentações que vem realizando na escola.
“A apresentação que realizo no pátio da escola para outras turmas serve de aprendizado na questão oralidade e organização do pensamento, principalmente para vencer a timidez, pois em breve vou enfrentar o mercado de trabalho. Vejo também que me ajuda como uma ponte de iniciativa, para quando me ingressar na universidade estarei mais preparado para enfrentar os diversos seminários”, relata o estudante.
Para Samuel Parreira, que deseja cursar Direito no próximo ano, as apresentações que acontecem até o final do segundo semestre serão fundamentais para o exercício de sua futura profissão.
“É importante que este tipo de trabalho seja oferecido a nós, porque o mercado de trabalho está cada vez mais exigente e, quanto mais trabalhamos nossas emoções, ficamos menos tímidos”, diz o estudante.
Outro estudante conta como tem sido suas experiências ao realizar as apresentações. Alexandre Severo relata que cada vez que está se comunicando através do trabalho escolar com outras turmas percebe sua desenvoltura.
“Estou aprendendo a não sentir vergonha ao falar para muitas pessoas e isso é bom. Logo, logo vou trabalhar e isso irá me ajudar. Só o fato de expressar minha opinião para todos do colégio me faz ir perdendo a timidez”, conta o estudante.
Uma aluna que já participou dessas apresentações no ambiente escolar relata que os trabalhos apresentados por ela contribuíram para que hoje esteja concluindo seu mestrado em Botânica. Dayanne Medrado atualmente mora na cidade de Lavras, Minas Gerais, mas não deixa de ser grata pelas experiências que teve antes de terminar o ensino médio.
“Lembro que na época produzi um trabalho relacionado com o meio ambiente. Ali dava meus passos para minha formação e carreira estudantil. Com ousadia e enfrentando a timidez, venci. Vale a pena participar de todo projeto que incentiva a leitura, escrita e também a oralidade”, conta Dayanne Medrado.


“É importante estimular o aluno a se comunicar de maneira aberta”

Para estimular a linguagem oral do estudante é necessário que o professor trabalhe cada vez mais em sala de aula rodas de debates, discussões e formas de o aluno se comunicar com seus colegas, para que aqueles que têm vergonha de falar em público não se sintam retraídos e sejam prejudicados futuramente. A psicopedagoga Alessandra Leão diz que é no período entre infância e adolescência é que devem ser trabalhadas com os estudantes situações de medo, timidez, introspecção e baixa auto-estima.
“É de extrema importância estimular o aluno na escola a se comunicar de maneira aberta, sem medo e inteligente. Para obter estes resultados a interpretação de um texto trabalhado na oralidade ajuda muito o estudante a se desenvolver. Ele deve ficar atento, pois na atualidade quem compreende, fala e se expressa com mais segurança tem mais espaço, tanto no mercado de trabalho como em suas relações pessoais, familiares ou profissionais”, esclarece a psicopedagoga.
Para Alessandra Leão é muito importante que o ambiente escolar proporcione momentos em que os estudantes exemponham seus pensamentos sobre as diversas matérias. Segundo ela, essa liberdade de argumentação contribui e prepara o jovem para se qualificar melhor.
“Trabalhos escolares fazem parte do processo de ensino/aprendizado e eles devem ser cada vez mais debatidos e discutidos na escola. Assim como existe uma boa compreensão quando se tem a prática de leitura, o estudante também pode desenvolver a oralidade ao falar toda vez que for incentivado”, conclui Alessandra Leão.
A psicopedagoga lembra que dentro do ambiente escolar o estudante pode sim aprender a desenvolver a linguagem oral. Ela esclarece que a escola também tem esta função e que o professor tem um papel especial de estímulo, porque talvez a família do estudante não tem essa desenvoltura e em sala de aula, nos grupos de debate a habilidade pode surgir.
“Debater, falar, questionar só traz benefícios para os estudantes e somente assim os tornam melhores em tudo aquilo que forem propostos a fazer, além de favorecer eles a estarem preparados para enfrentarem disputas de vagas de empregos e boas colocações nas universidades”, conclui a psicopedagoga.

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