Os portadores de Down e uma nova realidade

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Frederico Ribeiro
Especial para a Tribuna do Planalto

Muitos reclamam do que chamam da “ditadura do politicamente correto”, algo que começou ainda nos anos 1990 e que só cresceu em intensidade, chegando agora, em 2017, segundo alguns, a extremos insuportáveis. Expressões designando raça e gênero, antes usuais, e ditas muitas vezes sem malícia, tornaram-se sinônimo de preconceito por parte de quem as profere. Não por acaso, eu aqui me abstenho de citar exemplos exatamente para não virar uma vítima do que eu acho ser realmente uma espécie de “patrulha” das expressões e palavras que dizemos.
Ocorre que existe o outro lado da moeda… De fato, preconceitos muitas vezes viram intolerância; diferenças podem descambar para o racismo ou para a homofobia. Podemos enxergar então essa denominada ditadura por outros olhos e chamar todo esse movimento de “mobilização”. E essa mobilização atinge não apenas as minorias citadas anteriormente, mas uma classe de pessoas ainda (embora menos) discriminadas, para não dizer ostracizadas socialmente: aqueles com dificuldades mentais.
Como este 21 de março é o Dia Internacional dos Portadores da Síndrome de Down, vou falar especialmente destes.
Nossa ignorância, especialmente em relação a essa condição era enorme. A boa notícia é que, se até poucos anos atrás estes indivíduos eram considerados praticamente inválidos, isso tudo mudou. Nosso desconhecimento diminuiu muito e, com ele, o preconceito.
Segundo o renomado especialista norte-americano no assunto, Dr. Dennis McGuire, “para um bom desenvolvimento da criança Down, é necessário que os pais, desde o nascimento tenham a preocupação de apresentar e incluir a criança na sociedade. E isso não acontecia com frequência, pois a maioria dos pais retraia-se com medo do preconceito alheio, e também com intuito de proteger a criança de constrangimentos. Isto, no entanto, está mudando.”
Hoje, as crianças estudam junto a outras sem a síndrome – convivem como iguais, enfim.
Nos centros urbanos existem comunidades Down. Daqui de Goiânia mesmo, temos um muito ativa no Facebook, a Comunidownde (@comunidownde). E este é apenas um exemplo dentre vários que se espalham pelo país. São associações virtuais, mas não só: existem as de bairros, de escolas, e a tendência é que o número cresça.
Descobriu-se que, com o estímulo necessário, os Down desenvolvem habilidades variadas, se tornam grandes profissionais e grandes pessoas, em suma.
O certo é quanto mais sabemos sobre a questão, menos preconceito temos e isso reflete em uma sociedade menos discriminatória.
Então, por mais que certas “patrulhas” da correção política incomodem, lembremos do quanto elas nos ajudam a evoluir.
*Frederico Fribeiro é escritor, jornalista e colaborador da Tribuna do Planalto. Cinéfilo e cineasta. Email: fredericocordeiro@yahoo.com

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