“Vamos respeitar a oposição como ela merece”

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“vamos trabalhar com muito respeito. Os projetos que vierem para cá, se os deputados de oposição tiverem razão, vamos pontuar e discutir caso a caso” (Fotos: Paulo José)

Reconhecido como exímio articulador, o deputado Francisco Oliveira (PSDB) é a voz do Governo estadual na Assembleia Legislativa. Mas ele garante que estará conversando com todos os 40 colegas deputados, não apenas com os 31 que são alinhados com o Palácio das Esmeraldas. “Com os outros deputados da oposição vamos trabalhar com muito respeito, num projeto de construção. As críticas construtivas, vamos absorver. Os projetos que vierem para cá, se os deputados de oposição tiverem razão, vamos pontuar e discutir caso a caso. Agora, é claro, eles fazem papel de oposição e nós fazemos o papel em defesa do nosso governo, do governo que acreditamos. Essa base aliada vai trabalhar para dar governabilidade ao nosso governador Marconi Perillo”, diz, sem titubear. Escolhido líder do Governo, ele tem um discurso afiado em defesa das gestões do governador Marconi Perillo (PSDB). Além dos avanços conseguidos desde que assumiu o Governo pela primeira vez, em 1999, Marconi – segundo Francisco Oliveira – tem outros trunfos, especialmente muitas obras, que serão realizadas ao longo de 2018, quando o vice-governador José Eliton assumirá o governo antes de sair candidato a governador. “Ou seja, estaremos agora tocando obras com os prefeitos e depois o vice-governador assume e fará também as suas demandas de governo, levando obras para os municípios. Chegaremos muito fortes, com 200 prefeitos, que dará em cada um deles a vitória ao nosso candidato a governador. E automaticamente chegaremos muito fortes com José Eliton governador”, acredita.


Daniela Martins, Manoel Messias Rodrigues e Marcione Barreira

Tribuna do Planalto – Como pretende cumprir a missão de mediação entre o Executivo e o Legislativo ?
Francisco Oliveira – Já fazíamos isso quando eu era secretário do Gabinete de Gestão da Governadoria, porque atendíamos os deputados nos seus pleitos de emendas, em alguns projetos mais polêmicos eu me dirigia à Assembleia para ajudar nas articulações. Será uma tarefa fácil porque nos estamos dando sequência naquilo que o deputado José Vitti construiu ao longo de dois anos aqui na Casa. Conversei com o governador sobre os pontos que devem ser mais críticos aqui, que são os pagamentos das emendas e elas acontecerão, bem como agenda com o governador, demandas junto ao governo. Acho que todos os membros da base aqui da Casa.

No processo de escolha de seu nome como líder do Governo, houve certa insatisfação de outros deputados. Essas arestas já foram aparadas?
O deputado Talles Barreto é um amigo, uma pessoa que conheço desde o início, desde menino. É uma pessoa que eu tenho um respeito muito grande, que convivo com ele, independentemente de política, com amizade. O que houve foram coisas de momento. A liderança foi um acordo com o governador e ele me convidou para ser líder. O Talles, como presidente da Comissão de Justiça, foi o melhor presidente que esta Casa já teve. Seria um grande líder, com toda certeza. Mas no momento eu postulava a presidência da Casa e ele me convidou para ser o líder e eu aceitei. O Talles é um dos deputados que o governador respeita muito. É um dos deputados fiéis que temos e cada um no momento vai dando a sua contribuição. Agora está no momento de eu dar a minha.

A oposição na Assembleia é pequena, mas tem deputado que faz barulho. Como o sr. pretende conduzir o relacionamento com a oposição?
O que queremos é respeitar cada parlamentar. Somos 41 deputados e o líder do governo tem que trabalhar ativamente e proativamente com a sua base. Os 31 para cuidar dos interesses do governo. Com os outros deputados da oposição vamos trabalhar com muito respeito, num projeto de construção. As críticas construtivas, vamos absorver. Os projetos que vierem para cá, se os deputados de oposição tiverem razão, vamos pontuar e discutir caso a caso. Agora, é claro, eles fazem papel de oposição e nós fazemos o papel em defesa do nosso governo, do governo que acreditamos. Essa base aliada vai trabalhar para dar governabilidade ao nosso governador Marconi Perillo.

Especialmente no período de pré-campanha, a oposição acirra as críticas ao governo. O sr. vai buscar um diálogo mais próximo com os críticos?
Como eu disse, estaremos abertos a qualquer crítica. Quando o debate vai para a politicagem, para coisa pequena, automaticamente nós também vamos trabalhar nessa linha. Agora, o nosso papel aqui com a oposição é muito construtivo. Muito republicano e muito respeitoso. Ontem [quarta-feira, 15], por exemplo, levei, em audiência com o governador, oa deputadoa Paulo Cezar e Waguinho [ambos do PMDB], como tenho feito com outros, exatamente para fazer essa transição e esse trabalho republicano respeitando os 41 deputados desta Casa. O papel do líder do governo é também respeitar os deputados da oposição como eles merecem.

“Marconi nunca esteve tão grande e tão forte”

O ar. defende um grupo que está no poder há quase 20 anos. Não será difícil convencer a população a continuar com esse projeto?
De forma alguma. Temos que entender que nós tivemos quatro governo do Marconi e teve intercalado o do Dr. Alcides. Para se ter uma ideia, se você pegar nesses 20 anos  todos os índices nacionais de todos os estados da Federação, você vai perceber que o estado que mais valorizou o servidor público no Brasil foi o estado de Goiás. Então, a relação respeitosa do governo com o servidor é real. O governo prioriza pagar os servidores em dia, o 13º, o inativo, todos. Essa é uma vocação natural do governador em respeito ao servidor. Veio a crise nacional e o governo fez esforço para continuar honrando os servidores. Se você pegar os estados da federação, 10 a 15 não estão pagando 13º, não estão pagando a folha em dia, seus inativos e não estão dando conta de manter a estrutura do estado funcionando. As medidas tomadas pelo governador Marconi fizeram com que o estado ficasse à frente dos outros. Então, são 20 anos de poder, mas são anos de modernização, de diálogo direto com a população. Um governo que preocupa com o cidadão e com as pessoas que aqui no estado vivem. A diferença do governo Marconi e do governo do Tempo Novo é essa, sempre inovando, se modernizando. Goiás foi o primeiro a sair da crise. O estado de Goiás é o único no país que está distribuindo R$ 500 milhões para as prefeituras para fazerem obras de infraestrutura e aí o prefeito vai definir suas prioridades. Temos um exército de 200 prefeitos, tem um candidato a governador que é o José Eliton e um candidato a Senado, que é o governador Marconi. Essa é a chapa que será apresentada pela base aliada para que através desses dois nomes a gente possa formatar e buscar os outros quadros. Chegaremos muito fortes. Além disso, temos o ano de 2018, quando o nosso vice-governador José Eliton assume o governo, para também fazer grandes lançamentos de obras já na sua gestão. Ou seja, estaremos agora tocando obras com os prefeitos e depois o vice-governador assume e fará também as suas demandas de governo, levando obras para os municípios. Chegaremos muito fortes, com 200 prefeitos que darão, em cada município, a vitória ao nosso candidato a governador.  Chegaremos fortes com José Eliton governador.

Em 2006, Marconi conseguiu reeleger seu vice, Alcides Rodrigues, que assumiu o governo, a exemplo do que deve ocorrer ano que vem com José Eliton. À época, Marconi carregou Alcides, que não tinha muito carisma. Agora, são novamente quase oito anos de governo, quase 20 anos do grupo no poder. E há um desgaste natural. José Eliton tem as qualidades para esse atual momento político, que é diferente daquele da eleição de Alcides?

“Temos um exército de 200 prefeitos, tem um candidato a governador, que é o José Eliton, e um candidato a Senado, que é o governador Marconi.”
Tenho plena convicção disso. Para você ter um ideia, o governador Marconi nunca vivenciou um momento tão bacana e tão bonito da vida política dele como agora. Ele nunca esteve tão grande e tão forte. Marconi hoje é um dos maiores líderes nacionais no país. Em um momento de crise, o governador criou o Consórcio Brasil Central que agregou 10 governadores e fez com que o governo federal reconhecesse os pleitos desses estados. Marconi pegou o Fundo de Exportação, que não entregava recursos a esses estados, e fez com que estes estados recebessem de R$ 200 a 500 milhões. O governador Marconi, liderando esses governadores, e aí os outros governadores da federação abraçaram a luta, conseguiu que o dinheiro da repatriação fosse repartido para esses estados e para os municípios. O governo de Goiás recebeu quase R$ 500 milhões e os outros estados também. O que quero dizer com isso, os governadores desses estados perceberam que Marconi é líder, autoridade que sabe liderar. O governador Geraldo Alckmin se dirige a Marconi como “professor”. Nas reuniões de governadores, as teses do governador Marconi sempre são as aprovadas e são as mais bem argumentadas em todos os sentidos. Enquanto Paraná e Rio Grande do Sul perderam os seus incentivos fiscais, o governador Marconi foi em Brasília, junto ao Supremo Tribunal Federal, e conseguiu retirar essa votação e fez um acordo com o governo de São Paulo. Isso é um líder agindo e trabalhando. Nesse sentido, nós estamos num grande momento. E José Eliton está extremamente preparado. Na eleição de 2010, trabalhou e andou muito. Mas do ano de 2010 a 2014, ele foi um vice de fato e de direito, compartilhando, conhecendo e trabalhando com o governador Marconi Perillo em todo o estado, exercendo funções administrativas e representando o governador em todas as cidades do estado. Em 2014, ele foi o coordenador da campanha, conversando com todos os partidos da base aliada, compondo e negociado com cada um deles. Ele se fez grande, visitou 120 cidades e o governador fez as outras 120. Então, ele esteve presente na campanha. Hoje, o governador delega a ele missões importantes. O Marconi confia no vice José Eliton, que está extremamente preparado para ser governador do estado porque conhece como ninguém a máquina do Estado. E ele estava tranquilo na Secretaria mais importante e mais poderosa que era a Secretaria de Desenvolvimento. Saiu da sombra e do ar-condicionado e foi para a Secretaria de Segurança Pública para dar uma resposta ao momento de crise que vivíamos ali, porque o projeto estava fadigado. Entrou, inovou. A polícia hoje está toda equipada, bem aparelhada com equipamento de segurança. E a polícia militar reconhece no vice José Eliton o grande líder que ele foi como secretário de Segurança Pública. E agora está tocando, com o governador, esse implemento de obras que será realizado no estado de Goiás, conversando com cada liderança, cada prefeito e, a partir de abril, levando boas novas, obras para as cidades, recursos, que não é obrigação do Estado. O governador é municipalista e vai fazer com que chegue recursos a todos os municípios republicanamente.

O sr. traça naturalmente um panorama azul. Mas, por exemplo, nas últimas eleições para a prefeitura de Goiânia, ficou aquela indecisão se usavam ou não o nome do Marconi, se o nome dele ajudava ou atrapalhava o candidato que ele estava apoiando…
Em campanha não existe nada mais ou menos, nada morno. É frio ou quente! Eles perderam a eleição exatamente por não assumir o grande líder que é Marconi. Ficou uma coisa capenga. Marconi é um grande líder em Goiânia, é o governador que mais fez obras em Goiânia. Tenho certeza, não estou floreando, estou colocando uma realidade que vivenciamos hoje no país e em Goiás. Temos uma estrutura política azeitada, uma política que tem o respeito do Estado e das populações dos municípios e é isso que vamos apresentar para o eleitor. Temos uma candidatura forte e, pode escrever, faremos o próximo governador.

“A eleição em Goiás será polarizada; aqueles que forem pra uma terceira via estarão fadados ao fracasso.”

“A base aliada tem que dialogar até os 45 minutos do segundo tempo”

A base aliada tem uma série de nomes que vão tentar entrar na chapa majoritária, que oferece apenas quatro vagas. Até que ponto uma aproximação entre Lúcia Vânia e Ronaldo Caiado incomoda a base?
Entendemos que a base aliada tem que dialogar até os 45 minutos do segundo tempo. O que está formatado da base aliada é da eleição anterior. Todos esses partidos, até que se prove o contrário, são da base aliada e vamos lutar para que essa base se mantenha. Tem oito postulantes a vagas e nós só temos duas para senador, uma de vice e uma de governador. Então tem que ter composições e nós trabalhamos para que essa unidade prevaleça até o último minuto e para que possamos caminhar juntos. Agora também não temos medo de enfrentar eleição com o que nós teremos. É bom entender que outras candidaturas já foram colocadas da mesma forma. Demóstenes [Torres] teve tantos milhões de voto, depois foi candidato e teve uma votação pequena. Barbosa Neto, também buscando alternativas, saiu candidato e teve votação pequena. A próxima eleição em Goiás será da mesma forma, fla-flu. A base aliada terá um candidato extremamente preparado para ganhar as eleições e o outro candidato, do PMDB, ou a base que for formatada para enfrentar nosso candidato, terá outro, será polarizada essa eleição. Em Goiás não existe possibilidade de um terceiro nome, uma terceira via, isso é fadado ao fracasso. Isso é real. Então, estes que estão se intitulando a ir para a oposição saberão que enfrentarão essa dificuldade e também não têm garantida vaga do lado de lá. Do lado de cá, todos somos fortes. Do lado de lá, todos se tornam comuns.

O  sr. se refere a Lúcia Vânia?
Eu me refiro a qualquer um que se coloca aberto a negociar com qualquer partido que esteja fora da base aliada. Qualquer um que declarar que está a leilão, pra ir pra qualquer lado, na minha avaliação, está fadado ao fracasso. Aqui, são reconhecidos, nós sabemos seu nome, sabemos reconhecer o valor de cada um, o que cada um já fez pela base aliada. Lúcia Vânia foi uma grande senadora. Nesses dois anos, ela ajudou Goiás como ninguém,  foi uma das responsáveis para que pudéssemos estar hoje na posição que estamos, como um dos estados mais bem posicionados no Brasil. Vilmar Rocha, sempre muito estudioso, valoroso, abrindo portas em Brasília quando a Dilma era presidente. Então, temos respeito a cada um dos que estão aqui. Hoje temos o senador Wilder Morais, que mais abre portas pra Goiás, que mais traz recursos, que tem marcado audiências e dado condições para tocarmos o estado. Então aqui na base aliada sabemos os nomes e os serviços prestados por todos. Esses, nós respeitamos e valorizamos. Temos certeza de que esse grupo unido é muito forte. Agora, se forem pra lá, serão tratados como aqueles que estão indo, porque lá também têm aqueles que postulam vaga de governador, de senador. E quero reafirmar aqui: a eleição em Goiás será polarizada. Aqueles que forem pra uma terceira via estarão fadados ao fracasso.

“É impossível continuar dando aumento, sem limite de gastos, quando não se tem caixa pra isso”

Além de fazer e apreciar projetos de leis, os deputados têm a função de fiscalizar o Executivo. A Assembleia tem feito esse papel?
Nós da base aliada e todos os deputados conhecemos a realidade do estado, sabemos onde tem os problemas, pois o governador se reúne com os deputados duas vezes por mês, conversa com cada um, aceita audiência toda semana. Os parlamentares sabem que o governador briga para valorizar cada centavo, cada real que o Governo arrecada. E as respostas estão aí: a saúde aqui era um caos, o governador enfrentou, criou as organizações sociais e hoje é a saúde mais bem avaliada do país, referência para os demais estados. Não sou eu que estou dizendo, são os pacientes que dão 96% de aprovação ao serviço prestado nos hospitais. Isso é inovação. O estado de Goiás hoje tem mais de seis mil quilômetros de malha viária em bom estado de conservação. Alguns locais têm problemas, porque a empresa que ganhou a licitação não consegue tocar a obra e aí o caso vai pra justiça. Na habitação, vamos construir 30 mil novas moradias em parceria com o Governo federal. A área social do estado nunca parou. Já concedemos mais de 200 mil bolsas universitárias para alunos se formarem. O Governo continua com a Bolsa Família.

Que projetos mais polêmicos devem entrar na pauta da Assembleia Legislativa nos próximos meses?
Eu acredito que a PEC do Teto de Gastos, que é um acordo firmado entre o Governo federal e todos os governadores, com algumas alterações, deve ser aprovada. Estamos aguardando o decurso de sessões para que possa ser colocada em discussão e votação. É a parte de cada estado da Federação no corte de gastos. É uma medida necessária, já aprovada no Congresso Nacional.

É o congelamento de gastos?
É.

Não vai comprometer acordos já firmados com servidores?
De forma alguma. Os servidores estão recebendo em dia, estão sendo valorizados. Agora, não se faz dinheiro com varinha mágica. É impossível continuar dando aumento, sem limite de gastos, quando não se tem caixa pra isso. Se assim ocorrer, vira um Rio de Janeiro, o caos. E nós não queremos isso. Continuaremos tratando bem os servidores de Goiás, que são bem tratados e recebem bem. Prova disso foi o recente aumento para os policiais militares, que são preparados, parceiros do Governo e são uma classe especial.

“Eu acredito que a PEC do Teto de Gastos, com algumas alterações, deve ser aprovada [na Assembleia].“

Como está o projeto de construção da nova sede da Assembleia?
Quando da eleição do deputado José Vitti para a presidência da Assembleia, tivemos uma conversa com o governador e eu fui convidado para ser o líder do Governo, ficou definida a construção da sede. E eu tenho convicção que o deputado José Vitti nos próximos dois anos estará jogando pesado para conclusão dessa sede, com o aval do governador e meu empenho como líder para cobrar e fazer com que os recursos cheguem aqui na Casa, para que essa obra efetivamente aconteça.

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