“A oposição está atenta a todos os passos do governo”

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Deputado José Nelto: “A sociedade rejeita o continuísmo, quer alternativa”

Conhecido pela contundência de suas críticas aos adversários políticos, o deputado estadual José Nelto está com as garras mais afiadas do que nunca. Ele é incisivo nas críticas ao grupo político do governador Marconi Perillo, que administra o estado desde 1999. Como líder da bancada do PMDB e da oposição na Assembleia Legislativa, ele garante que os partidos de oposição marcharão unidos na eleição do próximo ano, quando serão eleitos presidente da República, governador e deputados estaduais e federais, além de dois senadores. A receita para se chegar a uma união, ele afirma, é conversar e conversar. Por isso, após reunir as lideranças do partido com caciques peemedebistas como Iris Rezende Machado e Maguito Vilela, já tem uma outra reunião agendada para a próxima terça-feira, às 9h, na Assembleia Legislativa. Desta vez com a presença do senador Ronaldo Caiado, do DEM, que, ao lado de Daniel Vilela, presidente estadual do PMDB, são os principais nomes para enfrentar o candidato governista ao Palácio das Esmeraldas. “O governo não terá o gosto de dividir a oposição. A oposição tem essa consciência”, afirma. Natural de Minas Gerais, José Nelto chegou a Goiânia na metade da década de 1970, aproximando-se da política logo em seguida, sendo o décimo membro a se filiar ao PMDB na capital, com o fim do regime militar. Foi eleito vereador por três mandatos e presidente da Câmara Municipal de Goiânia por duas vezes, já na década de 1990, tendo renunciado ao cargo para assumir mandato de deputado estadual. De lá pra cá, foi eleito para cinco mandatos na Assembleia.

Manoel Messias Rodrigues e Marcione Barreira


Tribuna do Planalto – Como a oposição está se preparando para a eleição de 2018.
José Nelto – A pré-campanha iniciou quando o PMDB oficializou o nome de Daniel Vilela como seu pré-candidato. E o DEM, Ronaldo Caiado.

O nome do DEM não está oficializado.
Não. Mas do PMDB está oficializado. E o governo já oficializou os nomes da chapa majoritária deles, que é José Eliton para governador, Marconi e Wilder para senador. Então o governo já está com seu candidato na rua, usando o dinheiro público para cooptar lideranças, prefeitos, vereadores, utilizando o dinheiro da Celg, que é um fato gravíssimo, pois configura abuso do poder político e abuso do poder econômico. A oposição está atenta a todos os passos do governo. Sabemos que o governo está há 20 anos no poder, é um governo velho, e está hoje num estado de decadência total, porque é um governo que vende a Celg, arrecada R$ 1 bilhão, concede 30 anos de isenção fiscal para a empresa compradora, num total de R$ 8,4 bilhões. Então é fato dos mais graves. A empresa foi presenteada pelo governo do Estado de Goiás. E estamos conversando com todos os segmentos partidários da oposição e vamos entrar numa nova fase, que é essa de organizar o PMDB em todo o interior de Goiás, escolhendo candidatos a deputado estadual e federal. Agora o governo engana-se ao pensar que teremos duas chapas de oposição. Não vamos ter. Temos a maturidade política, a consciência política, o governo não vai pautar a oposição, não vai escolher o candidato da oposição nem vai dividir a oposição.

Essas conversações estão ocorrendo entre os grandes partidos da oposição?
Conversamos já. Conversamos já com Iris Rezende Machado, a bancada estadual, a bancada federal, o nosso candidato, Daniel Vilela. Hoje tivemos uma reunião proveitosa aqui com a bancada estadual e o [ex-governador] Maguito Vilela. E teremos outra reunião, na próxima terça-feira, às 9h, aqui na Assembleia, com a bancada, o Maguito e o senador Ronaldo Caiado. O governo não terá o gosto de dividir a oposição. A oposição tem essa consciência. E vamos deixar o governo nu, no ano eleitoral.

Como?
Ele não vai poder usar expedientes como na eleição do ano passado, utilizar Cheque-Moradia, Cheque-Reforma, Bolsa Universitária, tudo que a lei não permitir, não vamos deixar usar, porque vamos acionar o Ministério Público Federal Eleitoral. Ele não vai comprar eleição para José Eliton, que fracassou na Celg e saiu da Segurança Pública tocado. Tocado e baleado. Nunca um secretário de Segurança Pública da história de Goiás foi baleado. Então, mostra que não tem competência para gerir Goiás. Não tem carisma político, é uma figura decorativa do Governo Marconi Perillo. E a sociedade rejeita esse continuísmo, quer alternância de poder. Nós da oposição temos um projeto totalmente diferente do de Marconi, que vai acabar com a ostentação política, pôr fim ao governo de compadres, essa gastança do dinheiro público. E será um projeto com transparência total, que visa resgatar a ordem ética, moral, ética no estado de Goiás.

Além de Caiado, que outros nomes que serão chamados pra conversar?
Sim. Cada dia que passa, chegamos um dia mais próximo das eleições. Temos seis meses para se encerrar o período de novas filiações partidárias, visando a eleição de 2018. Então temos que acelerar nosso trabalho político, para termos mais candidatos, filiados. Onde a Caravana do PMDB passa, estamos recebendo filiações de vereadores do PSDB, do PP. A base dos partidos que estão com Marconi lá no interior rejeita o candidato José Eliton e quer alternância, novidade, mudança. Estamos de braços abertos recebendo esses novos aliados.

“Vamos conversar com todos no processo de articulação política”

Quem, além de Ronaldo Caiado, não pode ficar de fora das conversações com vistas à eleição de 2018?
Temos um núcleo com Iris Rezende, Maguito Vilela, Daniel Vilela, Juscelino Braga, presidente do PRP, com o PT. Terminando essa conversa, vamos buscar os descontentes, aqueles que rejeitam o José Eliton; aí temos o PSB, da Lúcia Vânia, que foi jogada pra fora da chapa, temos o PTB, o PR, o PSD do Vilmar Rocha, que estão descontentes. Vamos conversar com todo mundo nesse processo de articulação política. Vamos deixar o Governo nu, exposto, diante de tantas coisas e articulações políticas erradas que vem fazendo. Outro fator são as denúncias, como a Lava Jato, que podem vir à tona, caso seríssimo, que estamos aguardando a divulgação da chamada Lista do Janot.

“A oposição não pode bater cabeça com o cenário nacional, que é indefinido. Vamos cuidar de Goiás primeiro”

Tem alguma dúvida de que políticos goianos estão nessa lista?
Eu queria que não, porque isso é muito ruim para a classe política do estado, mas pelo que a gente vê e o que é falado, o nome do governador está na Lista do Janot. Queremos ganhar a eleição pela competência nossa, pelo projeto que temos para o estado de Goiás.

Como conseguir unir PT e DEM, inimigos históricos em Goiás?
O projeto nosso é o projeto para Goiás de oposição. As eleições para presidente da República estão longe, o quadro está muito obscuro. Em Goiás, há uma claridade já, a oposição tem uma luz. A situação do próprio presidente Temer está incerta. Então não podemos discutir aqui cenário nacional. A oposição não pode bater cabeça com o cenário nacional, que é indefinido. Vamos cuidar de Goiás primeiro; quando chegar na hora certa, discutimos a situação nacional. Talvez possa haver uma reforma política. Uma coisa é certa: o atual modelo se esgotou, exauriu-se, não tem como a gente fazer campanha nesse atual modelo: partidos demais, negociatas, compra de tempo de televisão, compra de partido.

O PMDB aceitaria apoiar um outro nome, que não o de Daniel Vilela, para governador, em nome da unidade da oposição?
Isso não entra no debate agora. Primeiro, vamos fortalecer a oposição e não fechar as portas, com o Caiado e ele conosco. Não podemos correr esse risco. Tudo que quer o governador e o governo é uma briga nossa. Então vamos aparar as arestas da oposição e colocar um limite: vamos chegar no ano que vem… Porque não sabemos quem vai sobreviver até lá. Nós vamos brigar pra que agora, não temos nada na mão? Temos o eleitorado de Goiás à procura de um projeto político novo, diferente, sem corrupção, honesto, verdadeiro, sem populismo. Temos que trabalhar nessa linha. O ano que vem a gente senta novamente no período de convenções e a oposição fecha uma chapa.

O PMDB tem conversado com o PT?
Sim. Não negamos. Temos conversado com o [Antônio] Gomide, com o Rubens Otoni, com a bancada estadual. Temos que ter a inteligência e a sabedoria de não deixar a briga nacional contaminar a sucessão e a oposição em Goiás. Isso não vamos permitir.

“A oposição vai apresentar um raio X do estado e propostas reais”

Quais pontos seriam indispensáveis no projeto da oposição para governar Goiás?
Primeiro, vamos sinalizar, com muita clareza e firmeza, que [no nosso governo] vamos estancar a corrupção, a propina, a ostentação, o compadrio. O rei será desnudado. Vamos mostrar pra população que aqui está tão contaminado quanto estava o governo de Sérgio Cabral no Rio de Janeiro; o modelo é o mesmo, o modus operandi é o mesmo. Vamos mostrar isso para a opinião pública. Agora a sociedade pode ficar tranquila que a oposição vai apresentar um raio X do estado e vai apresentar propostas reais nas áreas da segurança pública, da educação e também da saúde; e um projeto para a juventude. Nossa grande preocupação agora é com a juventude de 16 a 35 anos que não conhece outro governo a não ser o do Marconi.

Em termos de contas públicas, o governo estadual afirma que se antecipou a crise e por isso o estado conseguiu manter o pagamento dos servidores em dia. Nesse ponto, o sr. vê méritos na administração de Marconi?
Goiás, Mato Grosso são estados que exportam commodities, não tem crise. A crise em Goiás será muito dura, porque o endividamento do estado é muito grande, o Marconi elevou a dívida de R$ 5 bilhões em 1998 para R$ 22 bilhões, que é a dívida do estado de Goiás. E o próximo governador, o primeiro ato é não permitir a isenção fiscal de R$ 8,4 bilhões para a Enel (empresa italiana que comprou a Celg), isenção fiscal de R$ 1,200 bilhão para o grupo Friboi. Os empresários amigos do governador não pagam impostos em Goiás e terão que pagar. Outro ponto é pedir a moratória imediatamente, porque não haverá dinheiro em 2019 para pagar os servidores públicos, devido o tamanho da crise que vive o estado de Goiás.

A oposição teme perder lideranças políticas, prefeitos, para a base do governo?
O prefeito pode aderir agora, mas a imagem que ficará na cidade é de que ele foi comprado pelo governador. A população hoje é sábia. Hoje existem as redes sociais. Em 2014, dos 22 prefeitos que aderiram ao Marconi, vinte perderam a eleição, apenas dois conseguiram ser reeleitos. A sociedade está repudiando o político venal, o político que tem preço, o traidor.

“Iris vai começar a mostrar sua gestão a partir do dia primeiro de maio”

Até agora a gestão de Iris Rezende em Goiânia não engrenou. Até que ponto isso pode refletir em 2018?
Zero. Ele pegou a prefeitura com uma dívida de R$ 800 milhões, tudo sucateado, ele tem cerca de 60 dias úteis de administração e a cidade já mudou, a limpeza urbana, os buracos. E ele está acabando, aos poucos, com todas as “igrejinhas” que tinha dentro da prefeitura de Goiânia. Mas não tenho dúvidas, não, Iris é um gestor sábio, ele vai começar a mostrar sua gestão a partir do dia primeiro de maio. A população compreende e dá para cada administrador que é eleito uma tolerância de seis meses. O Iris ainda está no terceiro mês. Ele não está jogando com o populismo, com a demagogia. Ele está agindo, fazendo a cirurgia no ponto certo, na hora certa, está sendo incisivo, está colocando a máquina dentro da realidade. Vivemos uma crise, não se pode entrar contratando servidores em cargos comissionados. Ele sabe perfeitamente onde está pisando e tem o apoio e a confiança do PMDB.

O sr. esteve hoje no Ministério Público para tentar recorrer da aprovação, pela Assembleia Legislativa, da criação de 800 cargos comissionados. O que há de irregular?
Se o governo quer criar cargo, não pode vir com discurso de austeridade. Nesse caso, usou da mesquinharia, de um procedimento ilegal, inconstitucional, porque cargos no Executivo só podem ser criados através de projetos que venham do Executivo. Então é um projeto com vício de origem, fere a Constituição estadual, já que o deputado Francisco Oliveira, como qualquer outro, não tem legitimidade para propor uma emenda criando cargos no Executivo. Hoje mesmo [quarta-feira, 29] entramos com uma representação no Ministério Público para que seja derrubada a criação dos 800 cargos. Se o governo quer os cargos para seu grupo político, assuma publicamente o desgaste de criar 800 cargos comissionados em um ano pré-eleitoral. Por que acabou com os cargos e agora quer criar novamente? A reação nossa foi procurar o Ministério Público e confiar na Justiça, para que restabeleça a constitucionalidade.

Como a oposição pretende enfrentar este ano projetos polêmicos do Executivo, como a limitação de gastos?
O governo está criando 800 cargos, fala em austeridade, que não tem dinheiro, mas ao mesmo tempo manda projeto de lei retirando quinquênio de servidores, data-base dos servidores por 10 anos, que é o que propõe o projeto do teto de gastos. O governo tem um discurso e internamente age de outra forma. Então, o governo terá muita dificuldade de aprovar esse projeto, que já foi apelidado aqui de PEC da Maldade.

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