Tecnoshow é termômetro para 2018

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Antonio Chavaglia: “A feira está estruturada para atender do pequeno ao grande podutor”

A cidade goiana de Rio Verde recebe nesta semana a 16ª Tecnoshow Comigo, principal feira de tecnologia rural do Centro-Oeste e uma das mais importantes do país. Serão mais de 550 empresas expositoras que têm o objetivo de alcançar ou até mesmo superar os números de 2016, quando a feira registrou R$ 1,3 bilhão em negócios e mais de 100 mil visitantes.
Promovida pela Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), a Tecnoshow ocupa o Centro Tecnológico Comigo (CTC), na zona rural de Rio Verde, de 3 a 7 de abril. Confira a entrevista de Antonio Chavaglia, presidente da Comigo, à Tribuna do Planalto.


Daniela Martins

Neste ano, a Tecnoshow Comigo chega à sua 16ª edição. Que avanços e realizações o sr. destaca nestes 16 anos?
Tudo é muito importante. A feira está na porta do produtor. Antes ele tinha de ir pra Ribeirão Preto ou outras cidades com um dia de viagem e não aproveitava direito a feira. Aqui, o produtor tem a oportunidade de passar os cinco dias dentro feira, conferindo as palestras, os equipamentos, tem pecuária de pequenos e grandes animais, além de pequenos produtores expondo seus produtos na Emater. A feira cresceu de acordo com a realidade do município, e hoje está entre as quatro maiores do país, oferecendo tecnologia de ponta. Todos parceiros nacionais e multinacionais estão lá com técnicos para dar informação de novos cultivares, novas variedades de milho, soja, capim e algodão. A Embrapa está lá dentro. A feira está bem estruturada para atender a demanda do pequeno ao grande produtor, do expositor, da fábrica. Hoje há muita fábrica entre os expositores, antes só tinha o distribuidor aqui do município, mas agora a empresa vem e traz seus distribuidores do estado todo para cá. Eles vão estar aqui fazendo negócios para esses produtores de Goiás, Tocantins, do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

A feira tem conseguido cumprir seu papel de informar, apoiar e incentivar o produtor…
A feira é bastante robusta em informação. Tratamos de política nacional e internacional, comercialização de grãos nacional e internacional. Informação tem muita, e a principal informação que a gente leva é sobre a sustentabilidade da produção, aumento da produtividade. Os custos estão aumentando e o mercado é volátil demais, se não aumentar a produtividade, o resultado acaba não pagando o custo de produção. Essas informações têm sido fundamentais para o produtor.

O uso da tecnologia no campo já é uma realidade. A capacitação do produtor, de técnicos agrícolas e operadores de máquinas ainda é um desafio para o setor?
A tecnologia já é uma realidade, e todos têm acesso. As tecnologias estão nas pequenas máquinas também, que atendem o pequeno produtor. É uma grande vantagem porque aumentou o número de empresas fornecendo essa tecnologia, antigamente, quando começamos a feira, para um pulverizador você tinha dois fornecedores, hoje temos dez. Você tem as opções de ver a máquina, testar e ver aquilo que vai atender sua necessidade.

E quanto à capacitação?
Isso nós damos na cooperativa o ano inteiro. Principalmente os jovens estão conscientes dessa necessidade e há até um conflito na família. A gente faz um trabalho com os jovens muito grande quanto à sociedade e sucessão familiar. Na feira terá palestra sobre a sucessão familiar no agronegócio, para dirimir os conflitos familiares. São muito importantes essas palestras, principalmente para o convívio da família. O jovem está mais consciente das suas responsabilidades, de que ele pode pegar a experiência do pai e aplicar junto à tecnologia que aprendeu para ter uma economia em escala nisso aí.

Ano passado, na abertura da Tecnoshow, representantes do agronegócio defenderam a saída da ex-presidente Dilma. De lá para cá, o sr. considera que a mudança no cenário político favoreceu o agronegócio?
A notícia que a gente tem não é boa. Os juros estão caindo e eles estão falando em aumentar os juros da agricultura. Isso é o absurdo maior do mundo. É humanamente impossível fazer investimentos com os juros que temos hoje, de 8,5% a 10%. Se a inflação chegar a 9% no final do ano, como dizem, você fizer um financiamento de 10% aqui, isso lá na frente pode atrapalhar sua capacidade de pagamento. Tem ainda a questão da comercialização do milho, que é um problema sério e o governo tem de fazer um plano de escoamento, de exportação, para tirar o milho do país. Tem milho aqui ainda da safra passada em armazém. Nós hoje não temos capacidade de estocar duas safras, tem que tirar o milho para colocar a soja; tem de tirar a soja para colocar o milho. Tem essa questão da carne [Operação Carne Fraca] que pegou todo mundo de surpresa, todos os setores direta ou indiretamente envolvidos foram impactados.

Houve prejuízos ao setor de grãos?
Ficou prejudicado, o preço do milho caiu. Ano passado tivemos preços de até R$ 45, um absurdo, e hoje está na faixa de 24. Agora para a safra nova, de verão, estão falando em R$ 18.

Por conta da operação Carne Fraca?
Não só por isso, mas pelo estoque de passagem e pela previsão de uma colheita recorde nos Estados Unidos, que começou a semear este mês.

Fala-se muito que os efeitos da crise em Goiás só não foram maiores graças à força do setor agropecuário. O sr. considera que o produtor e
O agronegócio é uma indústria forte de transformação, gera empregos e renda. Os empresário e o sistema financeiro estarão presentes na feira. Cada um vai fazer a análise do seu negócio e ver o que cabe no seu bolso. A gente espera que as informações sejam proativas para o produtor, que ele participe. A feira é um termômetro para o que vai ser do ano seguinte. A venda de insumos é feita, em grande parte, lá dentro do parque.

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