Feriados inúteis?

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Frederico Ribeiro
Especial para a Tribuna do Planalto

Sempre me considerei mais para pessimista do que otimista. Lógico que, pela vaidade inerente ao ser humano, geralmente tendemos a nos considerar realistas – nem um extremo, nem outro. Fiz esse comentário para dizer que nos últimos tempos tenho me flagrado tendo pensamentos positivos, mais do que considero normal para minha pessoa.
Um exemplo é que procuro ver o lado bom dessa depressão econômica – também conhecida como crise – pela qual o país passa.
Reparo que os lugares estão mais vazios. Supermercados, loja, shoppings, bancos (lógico que estes ainda ficam muito cheios em começos de mês) etc. A consequência disso são menos filas e, a não ser que você seja masoquista, isto é bom. Às vezes penso que até o trânsito melhorou um pouco, embora aí devo estar enganado…
Ah, também aviões e ônibus estão mais vazios. As pessoas, óbvio, com menos dinheiro, viajam menos.
A propósito do tema viagem, vem aí, até julho, uma sequência de feriados que vão dar ou nas segundas ou nas sextas-feiras, à exceção de Corpus Christi, em junho, que cai numa quinta-feira, o que não muda muito as coisas – na cultura brasileira, emendar feriados é sagrado.
Com tantos dias de folga, a tentação de viajar é grande, então o que fazer se até viajar com o próprio veículo fica caro, porque, por conta de nossos impostos, o combustível no Brasil é caríssimo? Aliás, um absurdo de caro. Mais caro que em todos nossos países vizinhos. Todos. E olha que produzimos grande parte do petróleo que consumimos. O Paraguai, por exemplo, que importa 100% de seu óleo, vende a gasolina pela metade do preço da nossa. O que fazer, então?
Na minha humilde opinião, e, seguindo essa coisa nova, pra mim, de ser positivo, podemos aproveitar os feriados para alimentar nosso lado cinéfilo. Sim, relaxar assistindo filmes – em casa, porque os preços do cinema também estão impeditivos. É o que vou fazer.
Pensemos na Síria, mergulhada há mais de cinco anos num confronto que parece não ter fim; nas famintas crianças africanas; nos refugiados sem lares, nas balsas superlotadas que ceifam a vida de tantos desses que emigram das guerras, do terrorismo. Vamos lembrar das vítimas deste terrorismo, fenômeno cada vez frequente no mundo todo… Porque, se não podemos ajudar essas pessoas, podemos ponderar que, apesar da incerteza e insegurança que essa crise gera, ainda somos afortunados por vivermos em tempos de paz e que, mesmo levando em conta a violência do cotidiano de uma grande metrópole, muita gente gostaria de imigrar para cá.

*Frederico Ribeiro é escritor, jornalista e colaborador da Tribuna do Planalto. Cinéfilo e cineasta. Email: fredericocordeiro@yahoo.com

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