Goianos vão à Nasa participar de campeonato de robótica

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Os estudantes foram selecionados para representar o Brasil no exterior após serem classificados entre os 10 melhores dos 74 projetos tecnológicos concorrentes

Após serem classificados em competição nacional, estudantes goianos irão aos Estados Unidos representar o Brasil em Torneio Mundial de Robótica na Nasa

Fabiola Rodrigues

Duas equipes de alunos do Colégio Sesi/Senai da Vila Canãa, em Goiânia, vão aos Estados Unidos em julho apresentar na Nasa trabalho de pesquisa e estudo sobre robótica. Os 20 alunos foram selecionados para representar o Brasil no exterior após serem classificados entre os 10 melhores dos 74 projetos tecnológicos de robôs de lego no Torneio Nacional de Robótica First Lego League (FLL). A competição, organizada anualmente pelo Sesi, ocorreu em novembro do ano passado, em Brasília.
A inédita classificação tem levado os estudantes goianos, com idade entre 9 e 16 anos, a se dedicar arduamente para que as premiações sejam a nível mundial. Os robozinhos, projetados e programados pelos próprios estudantes, cumpriram diversas missões na mesa de competição, baseadas no tema da temporada da FLL, “Animais Aliados”, como salvar animais de áreas de risco. As equipes do Sesi-Senai de Goiânia também apresentaram projetos de pesquisa relacionados ao tema. No estudo, foram apontadas soluções inovadoras para melhorar a relação entre homens e animais, além de provar que sabem trabalhar em equipe.
A próxima grande apresentação dos 10 estudantes do ensino fundamental e 10 do ensino médio será no torneio mundial da FLL na Nasa, a Agência Espacial Norte Americana, em Fairmont (EUA), entre os dias 7 e 9 de julho deste ano. Até lá, o que não faltará é dedicação. Professor de Robótica do Sesi, José Júnior, diz que a dedicação dos estudantes e as boas notas estão levando eles a ter experiências que jamais imaginaram.
“Como professores, somos mediadores de sonhos. Estamos vivendo uma realidade sonhada pelos alunos. Eles conseguiram conquistar as melhores colocações tanto a nível fundamental como médio. Somos os únicos a representar o país e para nossa equipe será a primeira vez que iremos a um torneio dessa grandeza. A sequência de esforço dos estudos de cada um valeu e está valendo muito”, diz o professor.
O grupo de estudantes do ensino fundamental apresentou um aplicativo chamado Sentinela, composto por uma série de informações sobre a doença da febre amarela, como curiosidades, verdades e mentiras a respeito da transmissão doença e forma de prevenção. Com o slogan “macaco não é vilão: é uma sentinela”, os estudantes escolheram esse assunto como forma de enfrentar a desinformação, já que muitas pessoas agrediram e mataram macacos, por acharem que eram o transmissor da febre amarela. Dessa ideia, surgiu o aplicativo, que é ilustrado através de robôs de lego que mostram a má atitude do ser humano com o animal.
“A intenção do grupo é mostrar como o homem e os animais podem se ajudar. A proposta de conscientização entre o ser humano e a natureza é um dos principais objetivos da competição”, destaca.
Os estudantes do ensino médio também realizaram uma proposta de trabalho com o objetivo de melhorar a relação entre o homem e os animais. Eles usaram o rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, Minas Gerias, em 2015, como objeto de estudo e pesquisaram como evitar a morte de peixes na poluição dos rios. O grupo Gametech criou o projeto Bolmoringa, utilizando a planta moringa oleífera cuja semente, segundo estudo feito pelos alunos, pode ser espalhada em rios e ajudar na decomposição de matéria orgânica, diminuindo a poluição da água. Professor de Matemática do Sesi, Flamarion Gonçalves acompanha o projeto e diz que os estudos realizados apresentam soluções reais.
“O resultado não está vindo de graça, os estudantes se dedicaram muito. Foram e são semanas, meses de dedicação. No projeto, eles mostram que sementes da planta triturada e jogada no rio ajuda na despoluição da água. O estudo é fantástico, por isso vamos mostrá-lo para o mundo, porque a ideia é boa mesmo”, afirma Flamarion Gonçalves.
Para o professor, as pesquisas produzidas pelos alunos trazem desenvolvimento e maturidade para carreira estudantil e pessoal deles.
“É notável e claro o autodomínio dos dois grupos de estudantes tanto do nível fundamental quanto do médio que vão nos representar no torneio da Nasa. Eles por meio dos trabalhos estão conversando com professores até mesmo do exterior. Quando chegarem à maioridade terão sabedoria para tomar decisões”, observa o profesor.
O coordenador Gráfico do Senai, Carlos Amorim, observa que o destaque dos estudantes é resultado de uma incansável busca pelo aprendizado.
“Para os alunos é desbravador ter a oportunidade de alcançar este nível de conhecimento. Eles transformaram seus dias de folga em dias de trabalho árduo, inclusive os finais de semana e feriados, e estão colhendo os resultados”, lembra o coordenador.
As equipes que vão a disputa a etapa mundial estudam o dia todo, a de nível fundamental em tempo integral e a do ensino médio de manhã assiste aulas da grade curricular e na parte da tarde realizam o curso técnico.
“O ensino junto com o curso técnico possibilita ao aluno encontrar significado para o que aprende. Esse é o maior diferencial, além de dar a oportunidade para ele entrar no mercado de trabalho mais cedo e com mais facilidade”, lembra o coordenador.


“É melhor suar nos treinos do que no campo de batalha”

Os dois grupos de estudantes da escola Sesi-Senai da Vila Canaã continuam preparando e se dedicando para as apresentações no Torneio Mundial de Robótica da Nasa. Eles estão aprofundando os conhecimentos sobre os dois projetos. A responsabilidade de representar o Brasil está sendo enfrentada pelos estudantes com muita alegria e ansiedade.
Para Gustavo Correa, estudante do ensino médio, a experiência é traduzida como um grande resultado de trabalho em equipe.
“Minha expectativa está a mil. Foi e é um trabalho árduo, mas o resultado serve de inspiração para outros estudantes. É melhor suar nos treinos do que suar no campo de batalha”, diz, motivado, o estudante.
O que os alunos estão vivendo é traduzido por eles como realização de sonhos que pareciam distantes. Também integrante de uma das duas equipes que vão para Nasa, Patrícia Honorato diz que a experiência será um marco para sua carreira estudantil.
“Para nós que fomos classificados é um exemplo de superação. Tentamos três anos e finalmente conseguimos chegar no nosso objetivo, que é apresentar nosso trabalho no exterior. Estou aprendendo a trabalhar com projetos científicos e penso em continuar meus estudos para ajudar mais pessoas no mundo a conscientizarem sobre a importância da preservação da natureza”, relata a estudante.

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