Professores celebram conquistas após mobilizaçãos

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Alunos no cursinho da POLI USP

Educadores da rede estadual conseguem resultados positivos para todos os setores da educação

Fabiola Rodrigues

Após longo diálogo entre representantes do Governo de Goiás e professores, a educação foi contemplada com um forte investimento financeiro, valorização que vinha sendo cobrada pela categoria há mais de dois anos. Depois da greve parcial ocorrida em escolas estaduais de vários municípios goianos desde o começo de março, professores voltam à sala de aula no início deste mês mais estimulados com o reajuste salarial aos docentes e demais servidores da área administrativa da educação.
Por meio do programa “Goiás na Frente Educação”, lançado no dia 4 de maio, o Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), anunciou o investimento de R$ 510 milhões na área da educação. Entre as ações, além da melhoria salarial, está a aquisição de 75 novos ônibus e reajuste de 15% no valor do transporte escolar destinados aos municípios. O pacote de investimentos contempla ainda a equipamentos de ar-condicionado para escolas, mesas, cadeiras, tendas do saber, cadernos de atividades do Programa Aprender +, reajuste de 20% na merenda escolar, construção de mais creches e escolas e reforma em quadras esportivas.
Para a secretária estadual de Educação, Cultura e Esporte, Raquel Teixeira, esses avanços são resultado de dois esforços: o do enxugamento de gastos em alguns setores da educação e do esforço reivindicado por professores, pais e estudantes. Ela lembra que em meio à recessão econômica enfrentada no País, avanços educacionais podem ser celebrados em Goiás.
“Estamos aprendendo a trabalhar com menos recursos financeiros e mesmo assim apresentar melhor resultado no processo educacional como um todo. Aprendemos a incentivar uma simples economia na conta de água de uma escola, que resulta em benéfico para todo ambiente escolar”, diz a secretária.
Raquel Teixeira pede que os educadores continuem trabalhando, pois acredita que os resultados positivos quanto a melhoria nas condições de trabalho e salário para os professores serão maiores de agora em diante.
“Passamos por momentos difíceis devido à crise financeira enfrentada no o Brasil, mas estamos retomando o investimento acelerado na educação. Professores, pais e estudantes serão beneficiados com nossos investimentos na infraestrutura e parte pedagógica nos 246 municípios goianos”, ressalta a secretária.
No transporte escolar, serão entregues mais de 70 ônibus aos municípios do interior do Estado, com investimento de R$ 17,2 milhões oriundos do Tesouro Estadual. Com esses novos veículos, 50% da frota de ônibus está sendo renovada. A secretária entregou recentemente também três veículos Marruás para atender as comunidades quilombolas e ela adianta que, para 2018, a Seduce vai investir R$ 19 milhões na aquisição de outros veículos escolares.
A Caravana Aprender + e Enem Express levará para todos os municípios do Estado o primeiro Enem Express Móvel. Até o mês de outubro todos os municípios goianos receberão aulões ou visitas pedagógicas nas escolas. Segundo Raquel Teixeira o objetivo é promover e aprofundar o uso do caderno de atividades Aprender + e estimular boas práticas de estudos, além de fornecer dicas para o Enem.
A secretária lembra que há dois anos nesta época era complicado falar em projeção e reestruturação de benefício escolar, mas que já vê a real retomada do crescimento na educação, após uma série de investimentos realizados atualmente.
O deputado estadual Hélio de Sousa, que participou dos planejamentos do Goiás na Frente Educação, diz que a retomada traduz um esforço entre servidores educacionais e governo do Estado.
“Foi liberado um valor altamente positivo para investir na educação. Isso resulta em melhoria na autoestima dos professores. Queremos ajudar a engrandecer nossa educação, porque somente através dela poderemos ter um futuro melhor”, diz o deputado.

Goiânia GO - A secretária de Educação, Raquel Teixeira fala, em entrevista coletiva, sobre a invasão de alunos nas escolas da cidade (Valter Campanato/Agência Brasil)
Goiânia GO – A secretária de Educação, Raquel Teixeira fala, em entrevista coletiva, sobre a invasão de alunos nas escolas da cidade (Valter Campanato/Agência Brasil)

e8b“Melhorias se devem à ação dos educadores, Sintego e do povo”

­Os professores que estavam em greve da rede estadual de educação retornaram aos trabalhos na semana passada em Goiás. O movimento foi encerrado após negociação com o governo, que atendeu alguns pontos de reivindicação da categoria. A paralisação parcial durou mais de 40 dias.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Goiás (Sintego) considera o acordo uma conquista e afirma que as melhorias propostas pelo governo feitas recentemente no âmbito educacional para todo o Estado ocorreram devido à mobilização da categoria em defesa de melhores condições de trabalho.
“Foi uma lista com 10 pontos, como reajuste para todas as categorias, aumento para os administrativos e também contratos temporários, a realização de concurso entre outros tópicos. Havia situações de classe que não eram revistas há 15 anos. O resultado das conquistas educacionais é dos professores, Sintego e do povo. Não calamos diante das injustiças feitas a nós”, afirma Bia de Lima.
Os servidores decidiram encerrar a greve no dia 25 de abril, mas as aulas só voltaram no dia dois de maio. A presidente do Sintego diz que 30% das escolas ficaram paralisadas e entre 50 e 70 mil alunos ficaram sem aulas, mas que com os reajustes feitos os professores voltam mais animados e vão repor as aulas perdidos.
“Com os reajustes para os servidores da educação eles passam a ter um novo ânimo para voltar à escola. Sem estímulo e reconhecimento, era impossível continuar o trabalho. Estávamos reivindicando o que é nosso por direito. Vamos colocar em dia as aulas que os estudantes perderam durante a greve”, garante Bia de Lima.
A professora Neusa Maria Miranda, que dá aulas de Português no Colégio Estadual José Lôbo, no Setor Aeroviário, em Goiânia, tinha aderido à greve e também reivindicou os reajustes da categoria. Ela dá aulas há mais de 25 anos e lembra que ultimamente estava ficando muito difícil enfrentar a rotina de trabalho.
“Como a situação estava, não poderia ficar. Era mais de dois anos sem benefício para nós. Considerava isso um desrespeito, porque já cortaram algumas gratificações ultimamente”, diz a professora.
Para Neusa Maria Miranda as mudanças realizadas no piso salarial dos professores são um avanço, mas diz que ainda não são o que mereciam.
“Conseguimos o mínimo de reajuste e vamos em busca de não perder nossos direitos. A educação é a base para uma saúde melhor, menos violência, mais justiça e conhecimento. O professor deve ser valorizado e exercer essa profissão é muito mais que um oficio, é estimular vida”, conclui a professora.


Confira o pacote de benefícios

  • Reajuste de 21% no salário para os servidores administrativos
  • Reajuste de 34% para contratos temporários
  •  Reajuste de 7,64% para os professores, incluindo aposentados
  • Auxílio alimentação no valor de R$ 500,00
  • Progressão para 448 professores do quadro permanente do magistério
  • Concurso público com 1 mil vagas
  • Equiparação do quadro transitório do magistério
  • Gratificação por dedicação em período integral para os professores, diretores e coordenadores das escolas em tempo integral;
  • Aumento de 20% para os recursos destinados à aquisição da merenda escolar
  • Aumento de 58% para o Pró-Escola (programa de custeio de reformas e reparos emergenciais das unidades de ensino);
  • Recriação de subsecretarias

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