“Vamos trazer o turista para Goiânia”

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Oriundo de uma família de longa tradição política, o presidente da Agência de Turismo, Eventos e Lazer de Goiânia (Agetul), Alexandre Magalhães, é empresário do setor de engenharia civil e comércio de material elétrico e presidente estadual do Partido Social Democrata Cristão (PSDC), sigla pela qual foi candidato a governador em 2014. E é com o espírito de empresário que ele afirma que está presidindo a Agetul, começando por formar um quadro técnico dentro da agência executiva municipal. Entre as ideias que pretende colocar em prática, a maior de todas é reativar e fomentar a área de turismo na capital. Para isso, diz que está trabalhando em várias frentes, como o turismo de consumo, ancorado no polo de moda de Goiânia, o turismo de negócios, as feiras os congressos, realizar eventos gastronômicos nos mercados municipais. Para o Mutirama e Zoológico, trabalha para trazer brinquedos novos, como montanha-russa e roda-gigante maiores e animas de grande porte, como girafa, camelo. Para conseguir executar essas e outras ações, ele conta com recursos próprios oriundos da bilheteria dos próprios Mutirama e Zoológico, mas principalmente de dinheiro disponível no Governo federal, através da captação de recursos disponíveis via convênios. “Estamos naquela fase de avalanche de ideias, ouvindo todo mundo”


Daniela Martins e Manoel Messias Rodrigues

Tribuna do Planalto – Como o sr. encontrou a Agência, quando assumiu em janeiro, e quais projetos pretende desenvolver?
Alexandre Magalhães – Encontrei uma Agência sucateada, com seis meses de dívida no zoológico referente a alimentação dos animais, 15 atrações (brinquedos) do Mutirama quebradas, paradas, sem manutenção preventiva. Só faziam manutenção corretiva, quando faziam. Um órgão sem funcionários, porque a maioria era da Agência Municipal de Meio Ambiente ou da Comurg, e foram devolvidos no final do ano com decretos. Implantamos uma gestão bem planejada nos moldes de uma empresa particular, que é de onde eu venho. É a primeira vez que sento nesta cadeira pública.

Já está normalizada a situação?
Cem por cento. Pagamos as dívidas, consertamos os brinquedos, aqui ficou um ambiente bacana, tinha um problema muito sério de evasão de divisas e nós já consertamos. Existem alguns processos de investigação junto ao Ministério Público. Não devemos mais a fornecedores, todas as atrações estão funcionando. Hoje a Agetul tem dinheiro em caixa. Pagamos a energia atrasada, a Saneago, telefone e vários fornecedores. Está tudo pontual mesmo.

O sr. falou que a Agetul tem também uma fonte própria de recursos…
Sim, arrecadamos a bilheteria do Mutirama e também do Zoológico. Não nos preocupamos muito em só arrecadar. Como diz o prefeito, o Mutirama e o Zoológico têm uma função social. Desde a criação, em 1969, o Mutirama foi pensado em unir pessoas de situação financeira mais difícil, carente, com a população que tinha uma situação financeira melhor. Então, ele foi montado neste intuito. Recebemos aqui diariamente vários ônibus de escolas municipais e estaduais gratuitamente, ongs, entidades, tudo, quando pedem, a entrada é gratuita. No Zoológico também temos esse sistema para atender as pessoas gratuitamente. E também lá no zoológico tem uma escolinha de meio ambiente que já atendeu este ano, mais ou menos, 6 mil alunos para a educação ambiental.

“Vários eventos vão melhorar as atrações do Mutirama e do Zoológico”

O Mutirama e o Zoológico estão funcionando de forma satisfatória?
Está bacana, melhorou bastante. A arrecadação praticamente triplicou após entrarmos. O Parque hoje está limpinho, arrumadinho, tem a manutenção preventiva assim como as corretivas. Agora, temos vários eventos que vão melhorar mais ainda as atrações do Mutirama e do Zoológico. Por exemplo, ocorreu recentemente uma Feira de Doação de Animais que lotou o Mutirama. Temos feito contato com o Exército Brasileiro para trazer para cá os equipamentos do Exército, os tanques, os urutus, para dar aquele espírito de Brasil, espírito moral e cívico que estamos perdendo junto com nossa nação. Vamos trazer, colocar dentro do Mutirama num final de semana. Depois vamos trazer os Bombeiros, apresentar os equipamentos. Vamos também fazer shows dentro do Mutirama, dentro do Zoológico, principalmente de cantor regional, dar preferência para essa juventude de Goiânia, do entorno, de Goiás, para fazer happy hour aqui. Temos espaço pra gente fazer e promover a cultura dentro de Goiânia.

A exemplo de outras cidades, Goiânia terá uma central de apoio para os turistas, que ofereça informações e funcione aos finais de semana?
Quando assumimos, não tínhamos nada disso. O Centro de Atendimento ao Turista (CAT) da Rodoviária estava à míngua. Já estou com o projeto prontinho para refazer o CAT da rodoviária, juntamente como o Araguaia Shopping. Nós procuramos esta ajuda. Estamos sempre procurando interagir o poder público com a iniciativa privada. No aeroporto também montamos uma parceria e ganhamos a área gratuitamente, vamos pagar apenas a taxa de condomínio. Estamos montando esse CAT no aeroporto. E já estamos para licitar um CAT móvel, que será usada da seguinte forma: no dia que tiver um evento em Goiás Velho, ele vai para lá para mostrar Goiânia. Vai rodar Goiás e mostrar Goiânia para os turistas.

Muitas pessoas chegam também em carros… Não seria interessante ter um ponto fixo na região central da cidade?
O problema é que um ponto fixo pode não ser tão explorado. Em nossas conversações temos percebido que é mais interessante  as CAT nos shoppings, onde é maior o fluxo de pessoas. Já conversamos com representantes do Flamboyant, Bougainville, Goiânia Shopping, Banana Shopping, o Araguaia já tem. Porque o turista que chega geralmente ele faz uma visita a um shopping. Também divulgaremos na internet.

A sinalização da cidade é outro fator importante para o turista. A prefeitura investirá nisso?
Hoje, temos dois tipos de sinalização: as informações da cidade, que ajuda o turista a se locomover; e a sinalização turística, mostrando os pontos turísticos. Há cerca de dois anos foram implantadas placas turísticas em Goiânia, mas compraram placas de R$ 7.500, o que consumiu rapidamente o dinheiro que veio. Uma placa dessa custa em torno de R$ 2.500. Esse tipo de negócio não pode acontecer, por isso que denunciamos. Em vez de 600 colocaram 100 placas. Temos um projeto no Ministério do Turismo pra trazer mais recursos federais para colocar mais placas turísticas em Goiânia. Temos projeto pra revitalizar o Largo do Lyceu, no centro; dois projetos pra trazer recursos para custear shows de cantores em Goiânia, em dois eventos, R$ 300 mil cada show. Temos o projeto de R$ 300 mil, para fazer uma pista de cooper no Parque Ateneu; outro, de R$ 1 milhão para uma pista de cooper no Pedro Ludovico. Estamos correndo atrás de recursos federais para organizar Goiânia.

O sr. tem uma equipe de captação de recursos federais?
Sim. Aprendi administrando minha empresa que se não plantar hoje a semente, não se colherá os frutos nunca. Com raríssimas exceções, os municípios estão quebrados. E Goiânia não foge à regra, está passando por uma situação financeira difícil. Então, temos que usufruir desses recursos da União. Por isso temos uma superequipe aqui na Agetul que fica 24 horas de prontidão pra buscar esses recursos junto com a Gepac (Gerência do PAC), que funciona no Paço. Acho que a secretaria que tem mais projetos de buscar dinheiro em Brasília, montada hoje, é a Agetul.

“Goiânia é a segunda cidade em acervo art déco das Américas, e não exploramos isso”

O sr. já tem projetos para incrementar o setor de turismo?
Este é o grande projeto que queremos implantar na Agetul. A maior indústria do mundo hoje é a do turismo, é maior que o petróleo, minério, agronegócio. Infelizmente, a indústria do turismo ainda não é explorada no Brasil da maneira que deveria ser. Conhecemos vários países no Velho Continente, como Itália, Espanha, Portugal, que vivem de turismo. Precisamos implementar isso no Brasil e eu, dentro de Goiânia, vou investir neste sentido. Temos várias fontes para a gente trabalhar neste sentido do turismo. Goiânia hoje é a segunda cidade em acervo art déco das Américas, perdemos só para Miami e não exploramos isso. Temos que mostrar isso pra trazer turista para vir conhecer. Hoje temos um turismo novo que se chama turismo de consumo. A Rua 44 é o segundo maior polo de confecção do Brasil, perdemos só para o Brás, em São Paulo. Não temos apenas um polo de confecção, mas um polo de moda. Se a gente for lá, tem muita coisa bonita. O estilista goianiense é campeão, então, vamos incrementar este turismo. Eu dou um exemplo de Abadiânia, que tem um turismo religioso muito intenso, do João de Deus, e é uma das maiores entradas de turistas internacionais em Goiás. O turista vai lá e não sabe que existe Goiânia. Então, precisamos fazer um trabalho junto a Abadiânia para mostrar ao turista que está lá a nossa Goiânia, para ele vir conhecer. No turismo religioso, podemos citar ainda Trindade, que é a segunda Basílica Católica mais visitada do Brasil, perdendo só para Aparecida do Norte, em São Paulo. Vem gente de vários estados, e lá não tem estrutura hoteleira, restaurantes, ou seja, Goiânia pode servir o turista neste sentido. Além disso, há o turismo de negócios. Goiânia tinha congressos de medicina, de odontologia e acabou tudo. Somos referência em saúde de primeira linha, temos vários médicos famosos. Então precisamos explorar isso junto ao Brasil, ao mundo, para trazer o turista para Goiânia.

De que forma o sr. tem procurado promover esses eventos, já que a função do poder público é principalmente articular e dar condições para que eles aconteçam?
A primeira coisa – e é a maneira que o prefeito pediu pra gente fazer – estamos mostrando seriedade no trabalho. O que acontece é isso: o poder público perdeu muito do respeito. Eu, como empresário, e sou empresário há 30 anos, a gente não acredita [no setor público]. Mas agora com nossa gestão séria, a credibilidade é a principal coisa que temos mostrado, para trazer o empresário junto da gente, para ele acreditar e trabalhar. O poder público sozinho não dá conta de ter esse tipo de ações. Ou seja, temos conversado, tivemos várias reuniões junto com o Convention Bureau, que é uma entidade que agrega o turismo, a IDH, a Abrasel, junto com o Sistema S, a Fecomércio, temos pontuado isso para trazer ao turismo ações conjuntas e não só da Agetul. Temos procurado o Estado também, estamos procurando a Goiás Turismo. São ações conjuntas de todas essas entidades que estamos trazendo nas reuniões.

Na área de música, Goiânia pode fazer muitas ações, aproveitar os festivais que já são da iniciativa privada, como o Goiânia Noise, Bananada, o espaço do Martim Cererê. Goiânia já é uma potência, tem o sertanejo também. A prefeitura pode aproveitar esses fluxos de pessoas que vêm?
Sem sombra de dúvidas. Temos um recurso do Ministério do Turismo, que sairá para nós agora, e vamos contratar cantores regionais. Vamos dar preferência aos prata da casa, temos de valorizar isso. Vamos ter esse happy hour, que queremos montar depois das 18h, para deixar o Parque Mutirama aberto pelo menos três vezes por semana. Isso gera renda, melhora o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que é uma das coisas principais que o prefeito está lutando para acontecer, além de melhorar a educação, a saúde e a renda. É o que precisamos fazer.

“O PSDC quer caminhar com o senador Ronaldo Caiado”

Em Goiás, o PSDC hoje está mais alinhado ao governo estadual ou é oposição?
O partido é uma necessidade para se fazer política; eu não misturo partido com gestão pública. Aqui sou Goiânia, atendo qualquer partido. Entrei na política porque acredito que a coisa pode mudar, não ficar apenas lamentando, dizendo que político não presta. Por isso entramos na política e no PSDC, para fazer algo diferente, mostrar que existe político do bem. Em relação à prefeitura, temos uma afinidade quase familiar com Iris Rezende. Meu pai, Juarez Magalhães, foi secretário na primeira administração de Iris em Goiânia, ainda em 1969. Meu pai foi presidente da Assembleia Legislativa escolhido por ele. Um irmão meu foi prefeito de Cristianópolis por três vezes, terra do Iris. Na questão política, o PSDC está na base do prefeito. E te falo que o partido tem uma afinidade muito grande com o senador Ronaldo Caiado.

Então o partido não deve lançar candidato a governador…
Não. De maneira alguma. Vamos lançar chapa competitiva de deputados federais e estaduais. Sou uma pessoa muito pontual em minhas atitudes, não sou de ficar em cima de muro. O PSDC quer caminhar com o senador Ronaldo Caiado. Se ele for candidato, estamos do lado dele, juntamente com o prefeito Iris Rezende. E se ele não for candidato, vamos perguntar para Iris qual a orientação a ser seguida.

Como a sigla está estruturada no estado?
Temos hoje três vereadores em Goiânia, três em Aparecida, dois em Planaltina, vários vereadores em municípios da região do Entorno do Distrito Federal. O partido saiu da 30ª colocação em termos de votação nas eleições retrasadas para o 12º partido mais bem votado em Goiás, sem nenhum político de carreira dentro dele, usando apenas a palavra e a boa conduta. O PSDC nasceu novamente agora nos municípios do estado de Goiás.

O sr. pretende sair candidato a cargo eletivo em 2018?
Tenho vontade. Não escondo, ao contrário de muitas pessoas. Tenho vontade de ser candidato a deputado estadual para ajudar, mas não tenho vaidade não. Aí alguém diz: Ah, está usando a Agetul para ser político… Eu não estou usando, não vou usar e não faço isso. E não sou homem também de ficar com carta na manda, dizer que não é e depois sair candidato. Assumo minhas posições. Agora, em momento algum uso o cargo para instituir uma candidatura. As pessoas vão conhecer quem é Alexandre e, se acharem que deve ser eleito, vamos lá. Vamos trabalhar por uma boa política. A nossa vontade é mostrar que o poder público é uma excelente empresa se tiver excelentes gestores.

O sr. tem conseguido aplicar essa filosofia no serviço público?
Com certeza. Aqui a filosofia é essa, não tem apadrinhamento. Se não quer trabalhar, não quer bater ponto, volta para seu órgão de origem. Não tenho parentes na prefeitura. Eu trabalho de maneira correta; se quer trabalhar, vamos trabalhar.

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