Rigor da nova gestão expõe antigos desvios na bilheteria

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Denúncias apontam que servidores públicos envolvidos no esquema falsificavam os ingressos e desviavam o dinheiro arrecado

Em entrevista concedida à Tribuna do Planalto no início de maio, o presidente da Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer de Goiânia (Agetul), Alexandre Magalhães, relatou que no Mutirama havia um “problema muito sério de evasão de divisas” que já tinha sido resolvido pela nova gestão, e que havia alguns processos de investigação junto ao Ministério Público.
Na semana passada, dia 23, o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) deflagrou operação contra uma organização criminosa especializada no desvio de dinheiro arrecadado com a venda de ingressos dos parques Mutirama e Zoológico. Ação que só foi possível depois que a Agetul passou a promover um controle maior da comercilização de ingressos e comparar a bilheteria arrecadada pela atual gestão com a de anos anteriores.
É o que explica o presidente da Agência, Alexandre Magalhães. “Assim que assumimos a Agetul, em janeiro deste ano, observamos que havia no órgão uma formação criminosa, que desviava dinheiro da venda de ingressos. O crime, por sua vez, só foi identificado após controle da venda de ingressos realizado pela atual gestão”, ressalta.
Após a descoberta do esquema, o órgão municipal começou a repassar as informações e comparativos ao MP. “Em janeiro, apresentamos ao MP os números do que ocorreu na Agência nos últimos anos. Em posse desses dados, e com a nossa colaboração, o Ministério Público realizou uma investigação, que culminou na operação deflagrada na semana passada”, explica Alexandre Magalhães.
Ainda de acordo com o presidente, os servidores públicos envolvidos no esquema falsificavam os ingressos e desviavam o dinheiro arrecado com a bilheteria. “Por exemplo, três mil ingressos eram vendidos em um único dia. No entanto, dentro desse lote, apenas 300 bilhetes eram verdadeiros. Os outros 2.700 seriam falsos e apenas o dinheiro arrecadado com a venda de 300 era repassado para os cofres do município”, pontua.
Os prejuízos ao erário público estão sendo calculados pelo MP-GO. Estimativas iniciais apontam que a organização desviava cerca de R$ 60 mil por final de semana. “A título de informação, realizamos um comparativo da venda de ingressos. Neste ano, a Agetul arrecadou até dez vezes mais do que os valores recolhidos no mesmo dia do ano anterior”, salienta Magalhães.
Diante disso, a atual gestão trabalha para que o controle da venda de ingressos seja mais rigoroso. “Já abrimos um processo para a aquisição de catracas eletrônicas a fim de controlar o fluxo de visitantes dos parques. Além disso, implantamos a utilização de pulseiras numeradas por parte dos visitantes. Essa iniciativa é eficaz e controla o número de ingressos vendidos”, finaliza.

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