“Atendemos a todas as lideranças, inclusive as de oposição”

O primeiro fim de semana de junho marca a abertura da temporada dos Mutirões da Prefeitura de Goiânia, que desta vez simboliza também a reaproximação definitiva do prefeito Iris Rezende com a população. Após colocar a casa em ordem e com o término do período chuvoso, os mutirões devem chegar a todos os bairros de Goiânia, com frequência quinzenal, até o início de outubro. A primeira região a ser atendida vai do Jardim Balneário Meia Ponte até o Urias Magalhães, englobando 15 bairros da região norte da Capital. O prefeito Iris Rezende naturalmente fez a abertura dos trabalhos, na manhã do sábado e atendeu pessoalmente nas tendas montadas na Avenida Eurico Viana, na divisa entre os setores Mansões Goianas e Parque das Flores. Lá ficaram disponíveis quase todos os serviços municipais, além de atendimentos nas áreas de saúde, cuidados com a beleza, orientação jurídica, emissão de documentos, atividades educativas, esportivas e de lazer. Além de todo o sábado, o serviço continua domingo, até o meio dia. Para que tudo isso funcione, uma pessoa é indispensável: Aristóteles de Paula e Sousa Sobrinho, o Toti, coordenador do Mutirão da Prefeitura. Consultor empresarial e político, coordenador de campanha política, é ele que define o que tem ou não condições de ser realizado. Sem filiação partidária, Toti providencia toda a estrutura logística para o atendimento das demandas da população: montagem de estrutura de atendimento, internet, energia. “Toda essa preocupação da prefeitura com a cidade, do prefeito estar ali presente, é importante, mas é fundamental que a população também faça sua parte, participe, seja por necessidade ou mesmo por discordar. É importante para a prefeitura ouvir o que a população tem a dizer, sugestões e críticas, para a administração resolver os problemas da melhor forma. Estamos prontos para ouvir”, resume.


Daniela Martins e Manoel Messias Rodrigues

Tribuna do Planalto – Nestes primeiros meses de administração, o prefeito recebeu muitas críticas, muitos diziam que a gestão estaria demorando a deslanchar. O início dos mutirões significa uma nova fase na gestão de Iris?
Aristóteles de Paula e Sousa Sobrinho – Esse é um projeto que o Iris tem desde 1966, quando ele foi prefeito pela primeira vez na cidade de Goiânia. E em todas as campanhas, ele sempre coloca esse programa como se fosse um dos projetos básicos da administração dele, que é o Mutirão. E esse projeto realmente é o que mais agrega na administração pública hoje, é onde você tem o poder de levar ao contribuinte, ao cidadão goianiense, o conhecimento da equipe que está trabalhando na prefeitura. É a única oportunidade em que a pessoa mais simples vai ver todo o secretariado lá na rua, trabalhando, o nome, a fisionomia da pessoa. Tem secretários na prefeitura, e hoje modernizou muito em função da internet, das localizações via satélite, mas antigamente tinha secretários que não sabiam a localização determinada rua. Isso é normal, a cidade tem 850 bairros. É quase impossível você conhecer cem por cento. Mas, por obrigação, o gestor tem que conhecer. Eu mesmo me proponho, saio no sábado e vou em alguma região conhecer, vou em outra, ver as coisas que a prefeitura precisa olhar.

Então essa aproximação entre a prefeitura e a comunidade é uma das funções do Mutirão.
É um dos grandes esteios que o Iris conseguiu trazer da década de 1960 para a administração pública e ele comenta muito isso. Porque na época ninguém conhecia o que era mutirão, a não ser na roça, e o mutirão ficou tão famoso que hoje qualquer país usa o nome ‘mutirão’, até a ONU. Na Inglaterra, o primeiro-ministro fala “Vamos fazer o mutirão da segurança”, quer dizer, virou uma palavra de agregação. Vejo assim, o prefeito Iris não tem aquele primeiro momento e o segundo. Iris chegou a conhecer as dificuldades de fundo quando tomou posse. Ele tinha noção das dificuldades, mas não sabia o tamanho do buraco que realmente ele encararia a curto prazo.

Iris encontrou a prefeitura em situação muito ruim?
Bem, o ex-prefeito Paulo Garcia, já do meio para o final do governo dele, fez uma reforma administrativa, reduziu bastante cargos comissionados, muitas secretarias, para adequar a parte financeira. E mesmo assim o buraco ficou grande, e as pessoas que ajudaram o Iris, 99% ajudaram para ter a oportunidade de contribuir, futuramente participar da gestão. A pessoa vem pelo lado pessoal de querer contribuir e há sempre a expectativa de participar da administração. Essa composição toda finaliza assim: nos primeiros meses todo gestor enfrenta essa dificuldade. O país inteiro está em dificuldade. Só que a cobrança em cima do Iris, por ele ser um bom administrador, ela foi maior. Falavam ‘ele tá sumido, ele tá doente’. Foram criados tantos factoides em cima da pessoa que eu até brincava que ia chegar o dia em que o Iris ia ter de sair dando tiro pra mostrar que está vivo. E a TV Anhanguera fez um presentaço para o Iris quando o chamou para uma entrevista e ele disse que só daria na Prefeitura. Acharam que iam encontrá-lo fragilizado, e quando o viram batendo na mesa, não tiveram nem jeito de fazer pergunta, porque Iris falou o tempo todo. E foi para a TV. No mesmo dia, fiz alguns questionamentos nas regiões e mudou completamente a percepção sobre ele: “Mas, gente, eu estava rezando para o Iris ficar bom e ele está melhor do que a gente”. Ele está forte. O Iris, na verdade, esse lado maduro dele, de 83 anos, tem muito na formação dele de gestão. Ele não tem aquela ideia de 1966, de ‘Vamos pegar enxada e fazer isso’. Não. O mundo modernizou muito. Então o mutirão em si vai coroar mais um projeto da vida dele, que é implantar os mutirões na cidade e a cidade compartilhar disso. Porque o grande segredo não é você levar serviços, é a comunidade participar [da administração].

O sr. falou de eventualmente algum auxiliar não conhecer determinado bairro mais afastado, o que é compreensível pelo tamanho da cidade. E tem o contrário também, muitas pessoas não conhecem a cara do secretariado. O contato direto proporcionado pelos mutirões é importante?
Em todas as posses de governos passados, os jornais colocavam a foto de todos os secretários, o que era muito positivo. Hoje não se faz mais. Esse contato é muito importante, e além de tudo tem a questão da humildade. O secretário tem de ter a humildade de ouvir a comunidade. Não é só falar que não pode. Você tem que saber ouvir e achar a solução para ele. Se você chegar na prefeitura com alguma reclamação e eu virar as costas para você, não sou gestor, não posso ser gestor.

Além de que a população é parceira da prefeitura para cuidar da cidade…
Sim, é ela quem paga, ela está reivindicando algo que é de direito. O que o prefeito sempre propôs é fazer com que as pessoas participem do dia a dia da cidade, que a equipe participe do mutirão, principalmente os comissionados, para entenderem o que é gestão pública.

O sr. é antigo colaborador de Iris…
Fui convidado várias vezes para ajudá-lo. Nunca busquei cargo eletivo, mas sempre estou disposto a cooperar. Me sinto bem, me realizo podendo ajudar o próximo, ouvir as reivindicações das pessoas e cobrar da nossa equipe, porque sou um cobrador da equipe. Minha função é indicar o que a comunidade está solicitando e cobrar a solução da prefeitura. Faço essa ponte entre todas as secretarias. Busco equilibrar todas as secretarias para que executem em sintonia o projeto do Iris, em todas as áreas, desde a cultura até a limpeza.

“Os mutirões atendem a todas as lideranças, inclusive as de oposição”

O sr. fez parte da gestão de Paulo Garcia, coordenava os mutirões?
Fiquei quando ele substituiu o Iris até a eleição. Quando ganhou a eleição, ele acabou com tudo. Fechou, e foram nos tirando. Eu era secretário e fui para o corredor. Fui embora, não dei conta de ficar.

Não estava dando certo?
Paulo Garcia como pessoa, para mim, é fabuloso, inteligentíssimo. Mas as pessoas que ele foi colocando [nas secretarias] criaram, cada uma, uma prefeitura independente dele. Um dia brinquei: “Dr. Paulo, de 27 secretarias, três estão com você, as 24 cada uma tem um grupo independente. Basta o Sr. demitir duas pessoas, uma do PT e uma do PMDB, chama e bate a mão na mesa, porque essa caneta do sr. é a que nomeou e pode demitir… Ele falou: “Não vou fazer isso”. Pensei: estamos no buraco. Fui embora.

Como está a integração dos secretários?
Agora é que vamos conhecer. Todos estão buscando participar, atender, mas a participação efetiva se dará no mutirão. Todos estão animados, sabem que é um projeto que não tem erro, tanto que o governo estadual reproduz esse formato, outras prefeituras maiores fazem o mesmo, porque é algo que não sai tão caro e tem um resultado imediato na autoestima da população.

A Câmara de Vereadores participa dos mutirões?
Certamente, a Câmara é convidada. As lideranças, os vereadores são os primeiros a serem ouvidos, porque são lideranças que moram nos bairros, frequentam e são cobrados pelos moradores. Os mutirões atendem a todas as lideranças, inclusive as de oposição. É bom ouvir a oposição, porque não se trata de interesse de grupo político, mas da população. Devemos nos lembrar da visita do prefeito Iris ao governador Marconi: os dois são opositores na política, mas na gestão pública eles são iguais, representam o interesse público, um na esfera estadual e o outro na capital.

“A cobrança em cima do Iris, por ele ser um bom administrador, ela foi maior”

“O Iris autorizou a reativação do Cais do Urias, fechado há 5 anos”

Sobre a estrutura, o que a prefeitura leva para os bairros durantes esses mutirões?
Primeiro levantamos, com as lideranças, com segmentos religiosos, segmentos empresariais, das necessidades da região, quais são as demandas.

E quais são as principais demandas?
Saúde, reforma de prédios públicos municipais como escolas, Cmei’s, retirar entulhos das ruas, poda de árvores, reposição de lâmpadas queimadas. Isso tudo é feito. A gente prioriza. Se tem escolas precisando de melhorias, pegamos as mais urgentes e fazemos uma reforma de pintura, algo mais imediato. Agora na Região Norte, pegando do Balneário até o Urias Magalhães, atendendo 15 bairros, faremos reformas de quatro escolas, cinco Cmei’s, retirando todos os entulhos. E o Iris deu autorização para reativar e remodular o Cais que estava fechado há cinco anos no Setor Urias Magalhães. E também vai dar autorização para elaboração do projeto de construção do Parque da Lagoa do Parque das Flores, um belo de um parque. Vamos fazer o projeto e executar agora.

Nos mutirões há serviços de outros órgãos, além dos da prefeitura?
Sim. O Tribunal de Justiça de Goiás realiza pequenas ações, como divórcio consensual. São coisas que as pessoas vão deixando porque tem custo e lá no mutirão nada é cobrado. Temos emissão de Carteira de Trabalho, Passaporte do Idoso, que já sai na hora, serviços de vacinação, aferição de pressão arterial e de glicose, o que temos no dia a dia em vários órgãos da prefeitura e estará concentrado naquele local, além outras atividades, como distribuição de mudas, corte de cabelo. Na saúde, o Lions Club contribui com 300 consultas e pequenas cirurgias oftalmológicas.

Nos mutirões tradicionais, o diferencial era a participação da população trabalhando, ajudando a construir. Agora a população pode ajudar?
Hoje a modernidade agrupou de uma forma mais organizada. O Lions está dando 300 consultas de graça, com toda a estrutura deles. É uma contribuição, uma parceria. O Tribunal de Justiça está presente com juízes e várias estruturas, está dando sua contribuição. E a população, muitas vezes, diz “Vamos fazer um jardim”. Podemos fazer isso na praça, plantar grama, isso vai depender da comunidade. Há muitas pessoas nos procurando. Mas temos de ter muita cautela, porque às vezes a pessoa não é treinada e pode se machucar e o que era pra ser agradável se torna uma dor de cabeça.

Quais os serviços mais procurados?
É muito relativo, mas já chegamos a ter mais de um milhão de cadastrados para recebimento de mudas. Acho que é um desafio nosso recolocar Goiânia como a cidade mais arborizada do planeta, posto que perdeu. É um grande projeto nosso continuar. A questão da saúde, na oftalmologia, é uma demanda alta também.

Além da prestação de serviços, tem atração artística ou cultural para os moradores?
Queremos conseguir montar uma estrutura para apresentação da Orquestra Sinfônica de Goiânia. O Iris valoriza muito a apresentação da música erudita nos bairros, onde muitas vezes os moradores não têm acesso a esse tipo de atração. Então é um pedido do Iris. A dificuldade é de logística.

“Temer não renuncia nem sairá do cargo”

Qual a opinião do sr. sobre o cenário nacional, o presidente Temer continua no cargo?
Acredito que ele não renuncia nem sairá do cargo. Um ano e meio é um prazo muito curto para mudança de presidente, de governo. Na minha visão o erro do Temer é seríssimo, por ser presidente da República e receber uma pessoa que já estava num processo público, à noite, com codinome diferente. Agora, o resto é irrelevante. Eu ouço você, você pode falar o que quiser, não posso ser responsabilizado pelo que você disse… Foi muito perigosa para o país essa delação [do dono da JBS], que foi muito fácil, porque tudo indica que o empresário pediu tudo, não ser preso, ficar fora do Brasil, vender as empresas e, em troca, disse que iria gravar o presidente… Assim fica fácil.

O sr. acha que nesse caso houve erro da Procuradoria da República?
Cem por cento, porque nesse caso anteciparam a delação, para depois conseguir as provas. Você busca essa prova, que ganhará isso e isso, ou seja, induziu a uma ação com interesse específico, induziu a produzir uma “prova” contra o presidente, numa espécie de armação.

Como resolver esse impasse?
O país precisa fazer as reformas trabalhista e previdenciária e também a política, doa em quem doer. Não pode ser meia reforma. No plano político-eleitoral, precisamos criar regras para que as ideias, os projetos voltem a ser o centro das eleições, não a propaganda, as bandeiras. É preciso diminuir os custos das campanhas.

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