Parlamentares goianos ajudam a sustentar o Governo Temer

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Michel Temer: depois de afirmar que não irá renunciar, presidente tenta convencer aliados a manterem apoio

Apenas dois dos antigos partidos da base do Executivo, PSB e PODE (ex-PTN), anunciaram oficialmente a retirada de apoio ao Governo Temer. Dentro dos que permanecem, há vozes destoantes, caso do PSDB e PR

Marcione Barreira e Manoel Messias Rodrigues

Enquanto o presidente Michel Temer (PMDB) tenta convencer aliados de que o melhor para o país é a sua continuidade, partidos que formam a base do Planalto dialogam internamente na tentativa de encontrar o consenso entre a saída ou permanência do mandatário número um do país no cargo. Entre os parlamentares que representam Goiás no Congresso Nacional, o cenário está aberto em se tratando de decisão final relativa a este assunto. Até aqui, dos partidos com representantes na Câmara dos Deputados, apenas o PSDB, PR e PP têm o discurso afinado quando a temática é permanecer na base, mesmo que algumas lideranças desses partidos destoem. PSD, PPS, PTB, SDD e PRB ainda permanecem na base de Temer, embora o discurso não esteja mais coeso como outrora.
A4Com dois representantes em Brasília – a senadora Lúcia Vânia (PSB) e o deputado federal Alexandre Baldy (Podemos) – PSB e Podemos (ex-PTN) se desligaram oficialmente da base governista após o vendaval causado pela delação da JBS.
Sempre do lado contrário, PDT e PT mantiveram-se na oposição a Temer com discursos renovados contra o governo federal. A bomba ativada por Joesley Batista caiu como uma luva nas preensões oposicionistas de desestabilizar o Governo Temer, reacendendo o mantra de que ele chegou ao poder através de um golpe.
Fechando a lista, o DEM do senador Ronaldo Caiado permanece na base, embora Caiado defenda eleições diretas. Entretanto, um dos líderes da agremiação e presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tem se mostrado defensor do governo e está entre os principais aliados de Temer. Maia é peça fundamental para Temer dar andamento nas reformas tidas como prioritárias pelo governo, especialmente a previdenciária e trabalhista.
Mesmo com a posição oficial dos partidos, muitos deputados resistem à ideia de continuar com o apoio a Temer. Ao que parece, essas legendas aceitam a posição de seus parlamentares, porque até aqui não houve críticas e nem retaliação ou, pelo menos, se houve, não vieram a público.
O PSDB, partido de maior bancada goiana no Câmara, com três deputados federais, demonstrou, especialmente assim que foram revelados os áudios, que seguiria rumo contrário ao governo de Michel Temer. O deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB) pediu, assim que tomou conhecimento da proporção dos fatos, que o partido se retirasse da base governista.
Outro parlamentar tucano que se posicionou favorável à saída foi Fábio Sousa. O deputado federal defendeu a renúncia de Temer, mas observou a necessidade de assegurar o direito de defesa do presidente. Depois dos ânimos acalmados, os parlamentares seguiram orientação do partido, que, após cancelar uma reunião para discutir a saída da base de apoio a Temer, voltou a hipotecar apoio ao governo federal.
Apesar disso, ainda há uma tendência forte dentro da legenda para que o PSDB deixe o governo de Michel Temer. Esse movimento tem ganhado força nos últimos dias com os deputados chamados “cabeças pretas” – assim chamados em oposição aos “cabeças brancas”, que formam a cúpula da legenda. O partido conta com 47 deputados e 11 senadores e formam a terceira maior bancada no Congresso.
Incluído nos chamados “cabeças pretas”, Fábio Sousa apoia a saída do PSDB do governo. Segundo ele, o grupo formado por dezenas de parlamentares caminha nessa direção. Sousa destaca que ainda existe uma posição muito forte do grupo ligado ao senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) que quer permanecer na base.
O parlamentar salienta que os últimos fatos revelam uma mudança no comportamento da classe política. Segundo ele, a troca de apoio por cargos já não seduz tanto como antes. “A política está mudando. Quem não entender isso ficará para trás. Isso não pode existir mais”, diz Fábio.
Outro parlamentar que adota postura diferente do partido é o deputado federal Delegado Waldir (PR). A legenda forma a quinta maior bancada do Congresso, com 39 deputados e 4 senadores. O PR comanda o cobiçado Ministério dos Transportes e oficialmente não faz críticas a Temer e nem se manifestou no sentido de se afastar.
Ao contrário da legenda, Delegado Waldir apoia a renúncia do presidente, mas como não aconteceu e nem dá mostras que acontecerá, ele prefere que Temer seja cassado pelo TSE no julgamento de irregularidades praticadas pela chapa Dilma/Temer.
“Eu pessoalmente apoio a renúncia. Como não aconteceu, prefiro que seja cassado e que seja realizada aquilo que é previsto na Constituição, que é a eleição indireta”, diz Delegado Waldir.
O parlamentar do PR faz parte da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, onde tramita proposta de Emenda à Constituição de autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ). A proposta mantém o prazo de 90 dias para que seja realizado novo pleito e estabelece eleições indiretas apenas nos últimos seis meses de mandato, 30 dias após a dupla vacância.

Crise ameaça reformas
Os deputados federais Fábio Sousa e Delegado Waldir não acreditam que a Proposta de Emenda Constitucional da reforma da Previdência seja aprovada na Câmara.
Segundo Fábio Sousa, o governo foi otimista antes da crise, mas, mesmo assim, os votos ainda não eram suficientes. Com o escândalo, a situação piorou.
“A Reforma da Previdência não tinha nem 200 votos antes, imagina agora. O texto é muito ruim. Sou radicalmente contra e acredito que não passa”, declara Sousa.
Delegado Waldir tem opinião semelhante e observa que nem mesmo outras matérias mais simples o governo consegue aprovar. Com isso, Michel Temer vai perdendo sustentação, o que para ele culminará na inércia do governo.
“Algumas comissões não conseguem apoiar projetos do governo. Começa faltar governabilidade para Temer”, afirma o parlamentar.
Delegado Waldir diz ainda que, apesar disso, a Reforma Trabalhista deve ser aprovada no Senado, onde a tramitação está em estágio avançado. No entanto, a Reforma da Previdência deve ficar pelo caminho.
“A Trabalhista deve ser consolidada no Senado, mas a Previdenciária o governo pode esquecer”, aponta.

PSD, PP, PPS e PTB ajudam Temer a respirar

Diferentemente de PSB e Podemos, que saíram definitivamente do governo, o quarteto formado por PSD, PP, PPS e PTB tem 126 parlamentares entre deputados e senadores. O bloco tem se mantido firme com o Executivo, apesar de vozes destoantes. Entretanto, os representantes desses partidos em Goiás demonstram que permanecerão com o governo.
Desses, apenas o PPS ensaiou a retirada e entregou o ministério da Cultura, mas recuou um dia depois e permanece na base. Após a divulgação das conversas entre Temer e Joesley, o deputado federal Marcos Abrão (PPS) disse que as denúncias eram graves e chegou a sugerir a renúncia, no entanto, com o recuo do partido, o deputado permanece apoiando o governo.
PP e PTB, dos deputados federais Roberto Balestra e Jovair Arantes, não se pronunciaram sobre a crise. A reportagem tentou contato com os parlamentares, mas não obteve sucesso. Os partidos são aliados do Governo Temer e a tendência é que permaneçam apoiando o Executivo. Os dois partidos contam com 64 deputados e 9 senadores.
O PSD também continua na base e não tem se manifestado sobre a crise. Thiago Peixoto e Heuler Cruvinel são os dois deputados goianos da sigla na Câmara dos Deputados. Cauteloso, Peixoto argumenta que a situação do presidente Michel Temer é delicada.
O partido Solidariedade também está na base, mas até o fechamento dessa edição não se sabia o caminho da legenda. Uma reunião estava prevista para ocorrer no sábado, dia 3, com tendência de que negocie a permanência. O deputado Lucas Vergílio não quis se manifestar sobre os rumos da legenda.

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