Daniel consolida nome no PMDB

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Depois de ter seu nome retirado da lista de investivados pelo ministro Fachin, deputado federal Daniel ganhou novo fôlego e mais força para encabeçar chapa do PMDB em 2018 (Fotos: Paulo José)

Candidaturas de Iris Rezende e Maguito Vilela para o governo estão descartadas. Hoje, no campo oposicionista, o senador Ronaldo Caiado é o único nome que poderia barrar Daniel

Marcione Barreira

Se as eleições estaduais tivessem início hoje, o PMDB teria o deputado federal Daniel Vilela como candidato ao governo de Goiás. É o que afirmam as lideranças do partido no estado. Se o nome do jovem parlamentar já era forte dentro da legenda, ganhou ainda mais espaço depois que Daniel Vilela saiu da lista de investigados do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
Mais que um nome, o PMDB vê em Daniel alguém que pode incorporar o discurso de renovação, o que não é visto no partido há, pelo menos, sete eleições. São 27 anos de corrida eleitoral para o governo do estado sempre com Iris Rezende ou Maguito Vilela encabeçando a chapa da legenda. Das sete disputas, o PMDB ganhou apenas duas, em 1990 e 1994.
Apesar da capilaridade eleitoral e do carimbo da experiência, pelo menos nessa eleição os dois – Maguito e Iris – terão papel secundário em termos de candidatura. Segundo lideranças do interior, da Câmara e da Asembleia Legistlativa, eles serão “generais eleitorais” que darão credibilidade à campanha peemedebista que pretende unir a juventude e a experiência.
Apesar disso, há ainda o que dialogar com o senador Ronaldo Caiado. O líder do DEM é tido com peça fundamental no processo eleitoral, e o PMDB deseja contar com o senador numa futura composição. Entretanto, Caiado tem demonstrado claramente que quer se candidatar ao governo em 2018.
Dados os acontecimentos da política nos últimos anos, depois da operação Lava Jato, as lideranças do PMDB parecem estar mais flexíveis que outrora. Antes, não se falava em abrir mão da cabeça de chapa para apoiar um candidato de outro partido. Agora, já há dentro da legenda julgamento de que, a depender dos fatos, isso pode não ser o problema.
O partido sofria, até a última semana, com as maiores lideranças da agremiação na lista de investigados da operação Lava Jato. Com a redistribuição do processo que envolve Daniel Vilela e Maguito Vilela promovida pelo magistrado Luiz Edson Fachin, diminuiu a preocupação dos peemedebistas.
Agora, entretanto, se fala em unir as oposições no estado para “acabar com o governo de Marconi Perillo”.  Sob este aspecto, se a responsabilidade de unir for do PMDB, o partido terá que fazer certo milagre para colocar DEM e PT, hoje na oposição, do mesmo lado na história. Os dois são como água e óleo, não se misturam.
Pelo discurso de alguns dos peemedebistas ouvidos pela reportagem, o fato de querer derrotar Marconi Perillo (PSDB) e sua base aliada pode fazer isso acontecer. Basta convencer o PT e o DEM de que essa união é fundamental para alcançar tal feito. Ainda não é de conhecimento público o que o PT, de lideranças renovadas, acha da ideia. Em relação ao DEM, já se sabe: não será fácil.

A4“Chance de Iris ser candidato é zero”, garantem peemedebistas

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende, ainda não deu nenhuma declaração sobre uma possível candidatura ao governo, mas já surgem rumores de que ele poderia estar entre os nomes do partido para a sucessão estadual.  Vislumbra-se que, no segundo semestre desde ano, a prefeitura alcance uma ótima situação administrativa e isso, dizem os rumores, colocaria o velho líder de volta à cena.
No entanto, a possibilidade é descartada de forma veemente  pelos integrantes da legenda. Até mesmo os chamados iristas descartam a possibilidade. Líder do PMDB na Assembleia Legislativa, José Nelto afirma que o prefeito de Goiânia assumiu um compromisso com a cidade e que não deve romper com essa promessa. “A chance de uma candidatura do Iris ao governo é zero. Ele assumiu um compromisso com Goiânia”, finaliza.
O deputado estadual Lívio Luciano (PMDB) também endossou o discurso de Nelto e descartou a possibilidade de Iris ser candidato. Segundo ele, além de discutir nomes, o partido precisa se mobilizar para a viabilização de uma chapa proporcional que gere força ao PMDB no interior. “O partido precisa acelerar o processo. Buscar filiações de deputado federais e estaduais”, alerta.
Para o deputado estadual Wagner Siqueira (PMDB), nessa eleição cabe a Iris Rezende ser o grande líder como sempre foi. Wagner entende que o momento é de Daniel Vilela ou Ronaldo Caiado. “Não há possibilidade de uma candidatura de Iris Rezende. No entanto, o prefeito será importante e grande na campanha, como sempre foi”, disse o deputado.
Uma das lideranças mais importantes do PMDB no interior do estado, Luiz Juvêncio (PMDB), ex-prefeito de Guapó, acredita que Iris precisa focar na prefeitura. “Iris é página virada. Ele tem que tocar a prefeitura de Goiânia. Ele vai ser um importante ‘general eleitoral’ na campanha. Não tem chance de ser candidato”, acrescenta.

Pedro Chaves: “o PMDB tem um pré-candidato que é o Daniel Vilela. Isso não muda no transcorrer desse ano”
Pedro Chaves: “o PMDB tem um pré-candidato que é o Daniel Vilela. Isso não muda no transcorrer desse ano”

Composição com Daniel e Caiado está descartada

No discurso, o PMDB já tem como certo um descarte: Daniel Vilela como cabeça de chapa e Ronaldo Caiado com vice ou vice-versa. Essa composição está fora de cogitação. Com mais quatro anos de mandato no Senado, os peemedebistas não vêem razão para isso. Quem garante é o deputado federal Pedro Chaves (PMDB).
Umas da lideranças mais experientes do partido, com vasta experiência na Câmara federal – ele está no quinto mandato –, Pedro Chaves revela que o partido já definiu alguns dos rumos que pretende tomar. “O PMDB tem um pré-candidato que é o Daniel Vilela. Isso não muda no transcorrer desse ano”, garante Chaves.
Outra decisão o partido: Daniel não sairá candidato com Ronaldo Caiado. Para Pedro Chaves, essa composição não faria sentido. “No partido está definido também que o Daniel e Caiado não farão candidatura juntos. Ou seja, sem chances de um ser vice do outro”, reforçou.
As lideranças do PMDB avaliam que numa possível candidatura de Daniel Vilela, Ronaldo Caiado teria a mesma força caso não participe da chapa e só fizesse uma espécie de “general eleitoral”, ao lado de Iris e Maguito. Com isso, abriria outra vaga na vice do PMDB, o que garantiria apoio de outro partido ao se alinhar com a oposição.

Só a união pode derrotar Marconi

Diálogo não necessariamente novo, a linguagem de união sempre esteve presente nas conversas que permeiam as eleições. É esse discurso que o PMDB integra aos outros. Dessa forma, segundo avaliam os correligionários, vencer o arsenal eleitoral da base aliada ficaria menos difícil.
Por esta razão, a possibilidade de apoio a Ronaldo Caiado numa cabeça de chapa, o que antes era algo totalmente descartado, hoje não é. O discurso se transforma e acompanha o ritmo de mudança da política. No interior, a possibilidade de apoio do PMDB ao DEM enfrenta menos resistência. É o que diz Luiz Juvêncio, ex-prefeito de Guapó.
Para ele, o PMDB tem de caminhar junto ao DEM e não impor dificuldade em nenhuma circunstância. Luiz lembra que as eleições de 2014 favoreceram Ronaldo Caiado, o que mostrou êxito na união. Em 2016, na vitória de Iris, também fico claro que os dois devem continuar juntos.
“Eu não teria problema algum em apoiar Ronaldo Caiado, mesmo que ele não esteja no PMDB. Nós temos um inimigo em comum, que se chama Marconi Perillo. Temos que derrotar o governo. O PMDB tem que entender isso”, assegura Juvêncio. O ex-prefeito disse ainda que  Daniel Vilela deve trabalhar mais o interior do estado para garantir apoios desde cedo.
Por outro lado,  José Nelto garante que vai trabalhar para unir as oposições. Segundo Nelto, o deputado Pedro Chaves e ele estão andando pelo interior de Goiás para fortalecer o partido e que o PMDB está aberto à conversa. “Nós vamos fortalecer a oposição. As alianças e as articulações políticas serão fortalecidas”.
Para Wagner Siqueira, neste sentido, a possibilidade de apoiar Caiado existe, mas ele observa que neste momento não tem razões para isso. “Sempre há possibilidade. Mas hoje o nosso candidato é o Daniel. Não tem porque apoiar Caiado nesse momento”. Segundo Wagner, existem pesquisas do partido que colocam Daniel em posição relevante. “Está com mais de 20% de intenções. Então ele é o nosso nome”, reforça.

Luiz Juvêncio: PMDB tem que caminhar junto ao DEM e não impor dificuldade em nenhuma circunstância
Luiz Juvêncio: PMDB tem que caminhar junto ao DEM e
não impor dificuldade em nenhuma circunstância

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