Mesmo com a tecnologia avançada e várias formas de entretenimento para a criança, brincadeiras antigas são as que mais contribuem para o desenvolvimento do aprendizado

Fabiola Rodrigues

A brincadeira contribui significativamente para o desenvolvimento educacional da criança. Mesmo com tantos aparelhos tecnológicos desenvolvidos para entreter a criançada, não há nada melhor do que estimular o estudante, ainda nos primeiros anos escolares, a participar de atividades recreativas, como também incentivá-lo a brincar em casa no momento de lazer. Valorizar brincadeiras como esconde-esconde, alerta, cabra-cega, lenço-atrás, amarelinha, elástico, queimada e tantas outras – apontam os estudiosos – é fundamental para que desde a infância as crianças aprendam a fazer descobertas.
A psicopedagoga, especialista em Educação Especial e em Gestão Escolar Ana Regina Braga observa que, quando a criança brinca, ela pode conseguir resolver inconscientemente vários problemas utilizando sua imaginação e sem perder o clima da brincadeira.
“É brincando que a criança se torna capaz de atribuir significados diferentes aos objetos, desenvolver sua capacidade de abstração e começa a agir diferente do que vê, mudando sua percepção sobre a vida”, explica a psicopedagoga.
A criança precisa criar, experimentar, ousar, estar inserida nas mais diversas situações-problemas, por meio do contato que estabelece com outras crianças e com o adulto. Para Ana Regina Braga, a brincadeira não é somente o brinquedo ou o objeto, mas o conjunto de estratégias e habilidades que possibilitam a ter experiências, que as preparam a criança para a vida.
“Enquanto brincam, as crianças exercem determinadas funções sociais, pois, no interior de uma brincadeira, acabam distinguindo vários tipos de reações grupais estimando consequências agradáveis, o que induz o cérebro a raciocinar melhor”, destaca a psicopedagoga.
Segundo Ana Regina, brincar é um ato indissociável na vida das crianças. E, ao contrário do que muitos pais pensam, a criança que desmonta seu brinquedo não está estragando, mas sim explorando de maneira criativa o objeto.
“Brincadeiras comuns que não necessitam de computadores têm papel fundamental para o desempenho social da criança. É brincando que a criança se desenvolve, explora características de personalidade, fantasias, medos, desejos, criatividade e elabora o mundo exterior a partir de seu campo de visão. A família e o ambiente escolar devem preservar a forma simples de brincar”, relata a psicopedagoga.
Existe a necessidade dos pais estarem atentos aos tipos de brincadeiras liberadas aos pequenos, já que eles necessitam de brinquedos que favoreçam seu desenvolvimento e suas habilidades e coordenação motora.
“Com o tempo, tanto os brinquedos, quanto as brincadeiras foram mudando, porém não há criança que não goste de brincar. Basta incentivá-las, seja em casa ou na escola. Pais e educadores devem estimular brincadeiras interativas que levem a utilizar o corpo e a mente”, relata Ana Regina Braga.
Diretora da Escola Municipal Evangelina Pereira da Costa, localizada nas Chácaras Recreio São Joaquim, em Goiânia, Karlinda de Souza diz que todos os estudantes da escola são constantemente incentivados a brincar em grupo. Ela diz que brincadeiras interativas melhoram o comportamento afetivo e ensinam os valores culturais, regionais e nacionais, além trazer o aluno para viver em tempo real, praticando as atividades.
“Durante a brincadeira a criança pensa na realidade de forma criativa e desempenha o raciocínio e a criatividade. Quem brinca aprende com mais facilidade”, diz a diretora.
Para Karlinda de Souza, os momentos de atividades recreativas na escola devem ser explorados da melhor maneira possível. Ela acredita que as brincadeiras antigas são as que mais dão bons resultados.
“Priorizamos brincadeiras como amarelinha, pular corda e elástico, esconde-esconde, queimada, passa-anel, peteca, morto-vivo, bambolê, dança-da-cadeira, escravos-de-Jó, estátua, quente e frio. Assim o estudante consegue aprender de forma divertida e natural, respeitando regras, o limite individual e do colega”, ressalta.
A diretora relata ainda que os momentos de intervalo das aulas também podem ser aproveitados para que o aluno desenvolva atividades.
“O período do recreio na escola, por exemplo, pode ensinar mais do que as aulas no formato padrão, e incentiva os pais a permitirem que os seus filhos brinquem e tenham tempo livre, sem preencher todo o tempo com atividades para a criança”, ressalta a diretora.

“Brincadeiras ensinam a conviver com as diferenças”

A professora de Educação Física Eulices Soares, que dá aula na Escola Municipal Alice Coutinho, na Vila Moraes, em Goiânia, lembra que o ambiente escolar é o lugar onde as crianças e adolescentes aprendem valores éticos e morais. Neste sentido incentivá-las a brincar é um dos caminhos para que aprendam com qualidade.
“Acredito que a escola é um local extremamente relevante para que a criança possa ter noção do que é sociedade. O ambiente escolar representa uma minissociedade, porque nela tem regras, direitos, deveres, noção de convivência em grupo, com similaridades e diferenças, crianças com necessidades especiais de todos os credos e raças. Este convívio é necessário para o desenvolvimento da criança. Nas atividades e brincadeiras individuais o aluno começa a se conhecer corporalmente e se entender; já nas brincadeiras coletivas, ele faz parte de uma equipe e aprende a conviver com as diferenças”, observa Eulices Soares.
Para a professora, a atividade física é um complemento essencial para que o estudante tenha a mente mais aberta ao aprendizado. Ela afirma que brincar ajuda a exercer a cidadania plena.
“A criança acaba se soltando e interagindo mais e absorvendo informações. Quando a brincadeira é em grupo cada um terá uma reação e todos aprenderão a conviver com a atitude do outro. As brincadeiras, ainda que sejam elas em jogos de correr ou de pular, estimulam o desenvolvimento intelectual da criança”, frisa Eulices Soares.

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