“Somos massa de manobra nas mãos do governo federal”

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Paulo Sérgio de Rezende (Foto: Paulo José)

Com pouco mais de três meses à frente da Associação Goiana de Municípios (AGM), Paulo Sérgio de Rezende (PSDB) já contabiliza conquistas, que evidentemente são fruto da mobilização da categoria em todo o país, já que boa parte da briga municipalista ocorre diretamente com o Governo federal, que concentra em Brasília o grosso dos recursos públicos. Mas muita coisa foi conquistada também em nível estadual, como os recursos do programa Goiás na Frente, que destina dinheiro do Tesouro Estadual diretamente para obras definidas pelos prefeitos. Prefeito de Hidrolândia, Paulinho, como é mais conhecido, também colhe os frutos de uma boa administração. Ele foi reeleito com mais de 70% dos votos e não se nega a dizer que não passa um mês sem entregar uma obra no município, hoje com mais de 20 mil habitantes. Como um dos principais problemas enfrentados pelos prefeitos são justamente dívidas herdadas de antecessores, Paulinho não deve estar tão em apuros, já que está sucedendo a si mesmo. O líder municipalista fala ainda sobre a sucessão estadual de 2018, destacando que a ordem na base de apoio do governo estadual é consolidar o nome de José Eliton como o candidato à sucessão de Marconi Perillo. “Ele tem trabalhado para isso, tem uma experiência administrativa muito grande, já sucedeu o governador várias vezes, e tem também demonstrado isso através das secretarias que já assumiu”, afirma. O prefeito diz ainda que, não fosse a baixa densidade eleitoral de Goiás, Marconi Perillo seria o nome forte do PSDB para presidente da República.


Daniela Martins e Manoel Messias Rodrigues

Tribuna do Planalto – Que avaliação o sr. faz desses primeiros meses de gestão à frente da Associação Goiana dos Municípios?
Paulo Sérgio de Rezende – Estamos na gestão há três meses, entrando para o quarto mês. Eu tenho muito o que agradecer pela parceria dos prefeitos, que têm trabalhando junto conosco. A nossa diretoria é muito unida e tem trabalhado buscando o bem-estar dos municípios, no bem-estar da população do Estado de Goiás.

Tem conseguido uma presença de representantes de várias regiões do Estado, os prefeitos têm participado? O sr. tem visto essa busca por melhorias?
Sem dúvidas. Hoje o nosso próprio slogan mostra que se não nos unirmos, não  conseguiremos aquilo que almejamos, que é levar a melhoria para os municípios: “Juntos somos mais fortes”. Então, os prefeitos entenderam isso, que temos de estar juntos, temos de estar buscando a cada dia a melhoria para nossos municípios e lutando por aquilo que achamos que temos direitos. Isso temos feito constantemente junto ao governo do Estado, ao governo Federal, trabalhando para os municípios de uma forma geral.

Sabemos que as prefeituras constantemente passam por problemas financeiras e agora, com a crise econômica, isso se agravou mais. Como a AGM tem tentado aliviar essa situação?
Conseguimos uma grande vitória agora, através da Marcha dos Prefeitos, junto com a CNM [Confederação Nacional dos Municípios], que foi o parcelamento da dívida do INSS, que é muito importante para aqueles prefeitos que estão começando sua gestão. E também a questão do ISS (Imposto sobre Serviços) dos bancos: agora, em vez de ir só para São Paulo, para Barueri, os recursos ficarão nos municípios. Isso será muito interessante para os prefeitos, já que teremos uma receita a mais para reverter em benefícios para a população.

Como estão as articulações para a aprovação do chamado Orçamento Impositivo, em tramitação na Assembleia?
Houve uma audiência pública, feita pelo deputado Henrique Arantes, para que fosse votado esse Orçamento Impositivo, para que os deputados tenham as suas emendas aprovadas e, assim, possam ajudar os municípios. Isso ainda está em debate e não sei de que maneira irão resolver isso na Assembleia.

De modo geral, os deputados têm ajudado nesse esforço de tentar melhorar a situação financeira dos municípios?
Os deputados sempre têm feito um trabalho de ajudar os municípios com emendas, com algumas burocracias que temos com relação a documentos, a papéis, a alguma coisa que esteja travada em algum departamento da gestão estadual. Os deputados estão sempre com os prefeitos buscando desburocratizar para que as coisas andem nas suas prefeituras. É um trabalho fundamental. Cada deputado tem os seus prefeitos e tem trabalhado constantemente para ajudar cada dia mais esses prefeitos.

Verbas, ao final das contas, sempre saem do Executivo. Mesmo com o deputado propondo, precisa no final a assinatura do chefe do Executivo. O sr. filou-se recentemente ao PSDB, partido do governador. Como está a parceria do Governo estadual com os municípios?
Nesses quatro anos e seis meses de mandato, o governo tem ajudado muito os prefeitos, independentemente de cor partidária. O governador Marconi Perillo é muito republicano e tem feito isso com o nosso vice-governador. José Eliton também desenvolve esse papel democrático, de ouvir os prefeitos. Além de estarem ajudando todos os prefeitos desde a gestão passada, eles lançaram agora um programa muito importante, que é Goiás na Frente, que vai dar oportunidade aos prefeitos de fazerem bons investimentos em seus municípios. Com recursos que uma cidade pequena jamais conseguiria ter em seus cofres, mesmo contando com um bom gestor. Não conseguiria ter uma quantia tão relevante para fazer investimentos e o governador deixou que os prefeitos escolhessem isso para os seus municípios. Então, isso foi muito importante. Dessa forma, o governador demonstrou o tanto que ele é municipalista e o quanto ele se preocupa com os municípios.

Como funciona o Goiás na Frente?
O prefeito entra com os projetos, que pode ser para a construção de uma praça, de uma escola, recapeamento de asfalto, e, assim que aprovado, o governo repassa o dinheiro para a prefeitura. As prefeituras fazem as licitações e as obras. O governo repassa e faz o pagamento.

“A maior dificuldade dos prefeitos são as dívidas deixadas pelas gestões anteriores”

É possível fazer um panorama do endividamento dos municípios goianos?
Na administração, a grande verdade é que a situação que o prefeito encontra hoje, de modo geral, é muito triste. Digo por mim, às vezes a gente falava e as pessoas não acreditavam. Os prefeitos falam que têm os problemas e hoje eu acredito, porque vivi isso na pele. A maior dificuldade que vejo para os prefeitos que entram são as dívidas deixadas pelas gestões anteriores: dívidas com INSS, funcionalismo, Celg, Saneago. Às vezes com o próprio fundo municipal de previdência; os prefeitos renegociam na saída e deixam a dívida para seus sucessores. É muito difícil. As cidades na sua maioria já estão deterioradas pelo tempo. Os asfaltos estão deteriorados, aí vêm as chuvas e acabam ainda mais com os asfaltos. Enfim, estas são algumas das dificuldades que os prefeitos que entraram agora, em sua grande maioria, encontraram. Foram muito poucas as cidades que os prefeitos não pegaram algum tipo de problema grave para solucionar. Às vezes o problema está no canteiro de obras, maquinários velhos, ônibus velhos e as receitas que os municípios têm recebido dão para fazer apenas o básico, que é honrar a folha de pagamento e manter uma limpeza da cidade. Por isso, o governador, sendo companheiro dos prefeitos como que ele tem sido, tem ajudado muito as prefeituras goianas.

Com relação a essas dívidas, a exemplo dos Estados, que conseguiram repactuar suas dívidas com a União, é possível as prefeituras renegociarem também para buscar algum alívio?
Na verdade, os municípios conseguiram agora renegociar a dívida com o INSS, que foi alongada. As dívidas da Celg, do mesmo jeito, os prefeitos vão lá e é possível fazer uma renegociação.

Mas é preciso dar uma entrada…
Sim, a dívida da Celg, por exemplo, quando eu fiz, era preciso dar 20% de entrada, então já é um dinheiro que você tira da sua gestão, você acaba tirando um dinheiro que você usaria para fazer benefícios na cidade. E é uma dívida que você não tem culpa. Mas você casou com a viúva, e tem que assumir os filhos e fazer a administração continuar.

Voltando ao plano econômico nacional. O sr., que conversa com empresários e políticos de todas os matizes, considera que a crise financeira já está começando a ser superada, ou esses problemas envolvendo a política nacional, o presidente da República, demonstram que ainda está no momento de aguardar?
Antes da Carne Fraca [Operação da Polícia Federal deflagrada em março de 2017], com a saída da Dilma e entrada do Temer, o país estava com outra credibilidade, mas aí tivemos o baque da Carne Fraca. Superamos essa questão, o país começou a acelerar de novo, e aí veio a questão do Temer, da delação do Joesley. Enfim, quando o país começa a colocar a cabeça para fora, vem alguém e dá uma paulada e a gente tem que esconder de novo. Isso causa uma instabilidade muito grande. O presidente fica em Brasília e não tem o contato com a população que nós, prefeitos, temos. Por exemplo, hoje [quinta-feira, dia 22] vamos inaugurar uma praça em Hidrolândia e eu fico lá conversando com a população. Quando estou lá, vem uma pessoa e pede uma coisa na saúde, vem outra e você resolve uma coisa na escola, outra e você resolve um negócio nas estradas rurais. Agora, o presidente e os ministros, ninguém têm acesso a eles. Talvez seja por isso que eles têm deixado as coisas a bel-prazer, porque nós prefeitos é que temos sofrido na pele o dia a dia. Somos os para-brisas de tudo que acontece nas cidades. Só que o recurso fica no governo Federal. De 100% de impostos que pagamos, 64% fica com o governo Federal e ele não tem honrado as suas contrapartidas com os municípios, porque o distanciamento dele com a população é muito grande. Então, nós prefeitos, municípios, os entes federados, devíamos ser mais valorizados. Aí nós entramos na questão da mudança do pacto federativo, que seria a salvação dos municípios, nós termos mais recursos para trabalhar. Não é questão de estar chorando. Ninguém trabalha sem recursos. Na sua casa, você não faz reforma se não tiver recurso, não coloca seu filho numa escola melhor se você não tiver recurso. E os municípios têm vivido isso pelo distanciamento que o governo Federal impõe junto à sociedade

“O governo federal quer os prefeitos mendigando”

Sobre o pacto federativo, num horizonte próximo tem algo de concreto?
O governo [federal] não tem interesse de fazer o pacto federativo.

Não tem?
Não tem. Até porque eles querem ter a receita e querem ter os prefeitos mendigando, indo a Brasília, pedindo aos deputados federais, aos senadores. São as trocas de apoio. Se formos independentes, vamos precisar deles para quê? Então, essa é a realidade. Somos massa de manobra nas mãos do governo federal, que nós vivemos aí mendigando uma emenda de um deputado federal, ou de um senador, para nós poderíamos fazer as coisas nos nossos municípios, enquanto nós poderíamos ter vida própria e isso o governo federal não quer. Por isso, eu acredito que não será feito o pacto federativo.

“José Eliton é a continuação de um governo vencedor”

Ano que vem tem eleições, o sr. acha que essa eleição em Goiás será polarizada entre dois grupos?
A base tem um candidato, que é o José Eliton; está definido. Ele tem trabalhado para isso, tem uma experiência administrativa muito grande, já sucedeu o governador várias vezes, e tem também demonstrado isso através das secretarias que já assumiu. Enquanto a oposição tem buscado um candidato; uma hora é um, outra hora é outro. Eles não definiram, enquanto isso a base tem se unido para cada vez mais fortalecer o nome de José Eliton.

O sr. naturalmente deve conversar com ele, já que são do mesmo partido. A estratégia é fortalecer José Eliton principalmente no interior?
Sem dúvida. Ele tem de continuar a fazer o que está fazendo, que é visitar os interiores. O PSDB tem uma base forte no interior, tem muitos partidos que são da base e que têm alavancado o nome de José Eliton. E é a continuação de um governo vencedor. O governo do PSDB é um governo vencedor, o governador Marconi fez várias mudanças no Estado e temos visto que foram benéficas, até porque temos visto vários estados que não conseguem pagar suas folhas, atrasam salários, não conseguem fazer investimentos nos próprios estado. Enquanto em Goiás nós temos caminhado a passos largos, o governo tem atraído grandes empresas, grandes investimentos para Goiás. Então, eu acho, que é a continuidade de um governo que tem dado certo.

O PSDB está no poder praticamente há quase duas décadas. O sr. não acha que envelheceu? Está conseguindo se renovar?
Acho que, se você for analisar, o governador é um inovador, você tem visto coisas em Goiás que não se vê em outros estados. Cada vez mais ele tem procurado se reciclar, e tem reciclado bem. Até porque temos um governador com cinquenta e poucos anos, que já foi governador pela quarta vez, então, ele tem uma experiência administrativa que nenhum outro tem. Acredito que se tivéssemos densidade eleitoral, com certeza o governador Marconi seria um dos nomes apresentados para ser o nosso presidente do Brasil. Hoje eu vejo o João Dória, de São Paulo, com todo respeito, falando em ser candidato a presidente. Se você for comparar o João Dória, que é prefeito pela primeira vez, com o Marconi, governador com quatro mandatos, com a experiência administrativa maravilhosa, não tem nem comparação. Não tem como você comparar política e administrativamente João Dória com o governador Marconi. João Dória leva vantagem apenas porque está numa grande capital, São Paulo, com 20 milhões de eleitores e capital financeira do país. Isso faz muita diferença numa eleição, mas administrativamente não tem nem comparação.

“Hidrolândia está cada dia mais bonita e melhor para se viver”

O sr. tem conseguido conciliar o trabalho de prefeito com o de presidente da AGM?
Tenho muita tranquilidade em assumir os dois cargos, porque estou muito próximo de Goiânia. Saí de Hidrolândia 8h20 e cheguei na AGM hoje faltando cinco minutos para as nove da manhã. É muito rápido. Esse corredor que se criou na BR-153 facilitou muito a minha vinda a Goiânia. Estou na AGM sempre que sou chamado. Gosto de acordar muito cedo, então facilita muito o meu trabalho. Está dando para conciliar, não está atrapalhando o meu trabalho como prefeito. Estou muito satisfeito, temos uma boa equipe na AGM, o que tem facilitado nosso trabalho.

Hidrolândia já possui mais de 20 mil habitantes?
Sim, abriu-se nas gestões passadas muitos loteamentos. Falar da gente é ruim, mas a cidade hoje tem uma qualidade de vida muito boa. Com as parcerias com o governo do Estado, parcerias com Alexandre Baldy [deputado federal], com Chiquinho de Oliveira [deputado estadual), com o senador Wilder Morais, tenho conseguido entregar muitas obras. Nunca passei um mês na minha gestão sem entregar uma obra. Então, temos feito de Hidrolândia uma cidade diferenciada, cada dia mais bonita e melhor para se viver, e ao lado de Goiânia. Então, hoje você tem a qualidade do interior morando a 20 minutos da capital.

O sr. foi eleito com mais de 70% de votos. Está tranquila a gestão atual, tem algum projeto novo?
Estou muito feliz, até porque eu pequei uma cidade totalmente desacreditada, as pessoas tinham perdido a esperança, e hoje você vê as pessoas cheias de esperanças, as pessoas nas ruas sorrindo, felizes por saberem que existem políticos sérios, pessoas do bem, que têm feito o bem para a população. Mesmo com todas as dificuldades, temos conseguido realizar um bom trabalho. Meu projeto é cumprir os meus quatro anos de mandato, fazer um bom trabalho aqui na AGM junto aos prefeitos. Tem sido bacana trabalhar com os prefeitos, até porque, diferentemente do que muitas pessoas pensam, os prefeitos são sérios, pessoas do bem, que têm trabalhado constantemente para o bem-estar da população. Só de você colocar a sua vida à disposição, ao crivo da sociedade, poder estar se doando dia a dia para cuidar da população, é um presente de Deus. É Deus te dando o caminho. Estou muito feliz.

O governo estadual está acenando com a possibilidade de dar mais prioridade à questão da gestão administrativa das prefeituras, incentivando e querendo destinar mais recursos do ICMS para aqueles gestores que apresentarem melhores resultados administrativos. Esse é o caminho, incentivar a boa gestão?
Concordo plenamente com o governo do estado. As gestões têm que ter excelência. Nós, gestores, temos que trabalhar com pessoas capacitadas. Não tem lugar mais para pessoas que não querem trabalhar em função da sociedade. E o governo está mais do que certo em presentear aquelas gestões que fizerem mais por suas cidades. Estamos discutindo isso com a diretoria da AGM, com a FGM, junto com a diretoria, junto com os prefeitos, para que possamos chegar a um entendimento. Para que as prefeituras não sofram um baque muito grande com relação a esse projeto do governo, até porque ainda temos muitas dificuldades na gestão.
O sr. falou que pretende concluir o mandato. Ano que vem tem eleições para deputados, o sr. não pensa em candidatura?
Estou sendo questionado constantemente em relação a candidatura a deputado. Todos os dias, onde ando, onde vou. Mas não tenho pretensões de ser candidato a deputado, até porque tenho compromisso com minha população de ser prefeito os quatro anos para os quais fui eleito. Hoje como tenho uma cidade muito ajustada, muito organizada, eu pretendo terminar o meu mandato. E, se for da vontade de Deus, daqui quatro anos colocar o meu nome à disposição. E eu tenho também um compromisso com o deputado estadual Francisco de Oliveira, vou apoiá-lo. Tem muita gente que pensa “Ah, o Paulo está na AGM, ele está aparecendo muito, tem mostrado muito o trabalho dele de Hidrolândia e da AGM; ele quer ser candidato a deputado”. Não, eu não quero ser candidato a deputado. Quero ser um ótimo gestor em Hidrolândia e na AGM, este é meu intuito.

 

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