Campanha eleitoral nas redes sociais deve ganhar mais relevância

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Veículos tradicionais vêm perdendo força a cada dia. Marketing digital das campanhas precisa ser melhorado, é o que garante especialista

Marcione Barreira

Não é segredo para ninguém que as redes sociais ganham cada vez mais espaço na vida do brasileiro. Elas são tão presentes no cotidiano de pessoas que são capazes de influenciar em suas escolhas. É o que revela pesquisa Ibope divulgada no mês passado pelo jornal “Estado de São Paulo”.
As mídias sociais são a bola da vez e terão papel decisivo na eleição de 2018, segundo o Ibope. O instituto de pesquisa revelou que para 56% das pessoas aptas a votar as redes sociais terão algum grau de influência na escolha para candidato à presidência da República. Supera com folga os veículos tradicionais, televisão, rádio, revista e jornais.
Esses veículos atingiram 35% no quesito “terão muita influência” e 21% em “pouca influência”. A soma dessas duas influênciais significa exatamente o mesmo percentual atingido apenas pelas redes sociais. O dado revela um crescimento avassalador desse  meio de comunicação cada vez mais acessível com maior facilidade por meio dos dispositivos móveis.
A Tribuna do Planalto conversou com estudiosos da comunicação e do marketing político. Eles corroboram a pesquisa e comentam o significado dos dados levantados pelo Ibope.
Para Luiz Signates Freitas, mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), a cada eleição a internet ganha mais popularidade e vem se tornando o meio cada vez mais acessível.
“Isso tem a ver com o alto grau de capilaridade social atingido pelas redes sociais virtuais, disponíveis sobretudo nos celulares e smartphones, responsáveis hoje por mais de 80% dos acessos à internet no país. A cada eleição, a internet tem ampliado seu papel como o meio pelo qual os eleitores tomam conhecimento do que acontece no mundo da política”, diz Signates.
O cientista observa ainda que ainda que as redes sociais têm ganhado cada vez mais espaço a ponto de chegar a um estágio onde as pessoas não conseguem mais viver fora delas. Isso reforça o alto grau de influência revelado pelo Ibope.
“A internet, com sua maleabilidade e sua praticidade, tornou-se o modo pelo qual ocorre a interação cotidiana das pessoas e a tal ponto que a vida diária não é mais pensada, pela maioria das pessoas, sem a internet e seus dispositivos comunicacionais”, reforça Signates.
Com o crescimento constante dos meios tecnológicos, a tendência é que as redes sociais ganhem cada vez mais poder de decisão. A afirmação veio do professor Marcos Marinho, pesquisador em Comunicação Política e doutor em comunicação pelo Instituto Universitátio de Lisboa. Para ele, o meio ganhará cada vez mais relevância.
“Com o avanço das tecnologias e o acesso ampliado para mais pessoas, gradativamente as várias mídias que convergem na internet assumirão papel mais importante para a forma como as pessoas enxergam o mundo e suas realidades”, destaca Marcos Marinho.
Ele pondera, entretanto, que a internet não será mais decisiva pelo fato de parcela da população nacional ainda não ter acesso a ela. Além disso, o pouco interesse pela política também pode ser um fator de diminuição de seu papel de decisão.
“É bom lembrar que 50% da população brasileira ainda não tem acesso à internet. Também devemos perceber que entre o percentual que acessa com alguma frequência, não é a maioria que se interessa por temas relacionados à política. A comunicação dispersa na web é uma das fontes referenciais que as pessoas recebem e usam para a sua significação do contexto”, discorre.
Em queda, os veículos de comunicação tradicionais, como a televisão, rádio, jornal e revistas, perderam a atenção do eleitor, segundo a pesquisa. Marcos Marinho vê como natural a perda, já que para ele esses meios dividem atenção com outros e essa fragmentação acaba por gerar perda.
“Vejo este processo como natural dentro do contexto de expansão dos meios de comunicação e, principalmente, de fragmentação da audiência. As mídia tradicionais, hoje, dividem a atenção das pessoas com outros canais, e isto faz com que percam a primazia como fonte principal para ver o mundo”, relata.

Tradicionais
O fato de estar perdendo importância no sentido de escolha do eleitor não necessariamente significa o fim dos veículos tradicionais. Segundo os estudiosos, o que precisa acontecer é uma mudança na forma de abordagem. Luiz Signates afirma que essa transformação passa pela linguagem, que precisará se adequar.
“Há muito a tendência é a redução de importância ou até a extinção das mídias tradicionais. Não que os sentidos galvanizados pela TV, o rádio e o impresso não deixem de existir, e sim que eles deixam de existir nas mesmas condições e com a mesma linguagem, na medida em que têm sido cada vez mais engolidos pelos ambientes virtuais. O que significa que as mídias tradicionais passam a acontecer nos ambientes virtuais e, cada vez mais, adaptadas a estes ambientes”, declara Signates.

Marketing digital dos políticos precisa ser melhorado, diz especialista

Que as redes sociais terão papel fundamental no processo eleitoral do ano que vem, está claro, mas o que os políticos precisam fazer para se beneficiarem do avanço delas? Ademir Lima, vice-presidente regional da Associação Brasileira de Consultores Políticos e com larga experiência em marketing de campanhas eleitorais em Goiás, São Paulo e Mato Grosso, observa que os políticos precisam melhorar nesse aspecto.
Para ele, a melhora passa pela profissionalização das campanhas nas redes sociais. Ademir declara que inda há certo amadorismo nesses termos o que os agentes políticos não souberam aproveitar do meio de comunicação.
“Muita gente se diz especialista e não é. É necessário estudar o perfil do eleitor e passar ao candidato como é esse perfil para trabalhar em cima disso”, diz Ademir.
Um trabalho malfeito pode prejudicar a campanha e fazer com que o candidato perca votos. Para isso, Ademir declara que espera ver na eleição de 2018 uma campanha mais profissional.
“O marketing digital precisa entender o perfil do eleitor para que ele não faça um trabalho ruim para o candidato. A gente espera que em 2018 possamos ver uma campanha mais profissional. Que os candidatos escolham alguém profissional para realizar suas campanhas”, aconselha Ademir.
Luiz Signates observa que é crescente o interesse dos políticos pelas redes sociais e, ratificando o que Ademir disse, relata que o problema é que eles ainda não conseguiram trabalhar os recursos disponíveis com eficácia. Contudo, segundo ele, isso deve mudar no decorrer dos anos.
“É crescente o interesse dos políticos no Brasil pela a atuação política nas redes sociais. Isso, eles entenderam. O problema é que o conhecimento e as habilidades a respeito são ainda raras e de pouca eficácia. O mercado da comunicação, contudo, tem criado especialistas nesse tipo de trabalho, razão pela qual creio que breve todas as personalidades públicas terão, a seu serviço, os jovens que vivem na internet todos os dias”, finaliza.

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